
Reproduzimos abaixo a entrevista dada por Laya Lopes, d’O Jardim das Horas, ao site Armadilha Poética:
Conhecida pelos shows hipnóticos e pelas performances da vocalista Laya Lopes, O Jardim das Horas estreia finalmente em CD com o tão aguardado O Quarto das Cinzas (Curve Music, 2009). O título é uma referência ao antigo nome da banda que nasceu em Fortaleza e existe desde 2003. Tanto tempo de espera valeu a pena. Cada detalhe do álbum foi minuciosamente trabalhado, desde a concepção dos arranjos ao belo projeto gráfico. A vocalista descarta o rótulo de trip hop e prefere classificar O Jardim como música brasileira contemporânea. Laya nos concedeu esta pequena entrevista:
Por que a banda resolveu mudar de nome? Como os fãs reagiram à mudança?
Laya Lopes: O Quarto das Cinzas nasceu em 2003 em Fortaleza. Esse nome surgiu, se apresentou e serviu bem pra gente naquele tempo. O lugar da transformação… é bom estar nele… difícil, mas bom. E a transformação é movimento, nunca pára, não fica nas cinzas. As coisas que morrem na gente morrem para que nasçam outras, melhores, flores. Saímos do Quarto para contemplar o renascimento, estamos agora n’O Jardim das Horas onde, a cada momento, a cada passo, sementes são entregues ao chão. Em homenagem ao tempo no Quarto, batizamos nosso primeiro álbum de O Quarto das Cinzas. Tem uma poesia no encarte do CD chamada “Do Quarto ao Jardim”, ela fala dessa transformação.
Os fãs reagiram muito bem. Quando anunciamos pela primeira vez em um show no Centro Cultural São Paulo, o público aplaudiu, foi bem bonito!
A banda trocou Fortaleza por São Paulo? Existe uma diferença de público?
Laya: Trocamos? Que forma engraçada de ler nossa vinda pra cá… [risos] Acho que ainda temos um público muito maior em Fortaleza do que em Sampa, fizemos um show em abril desse ano no maior teatro de Fortaleza, o Theatro José de Alencar, e foi maravilhoso! Cheio de gente muito querida. Viemos pra Sampa porque concordamos que é necessário para a expansão do nosso trabalho.
Por que o CD demorou tanto para ficar pronto?
Laya: Mistério… [risos] Deve ser porque esse é o momento certo dele vir ao mundo. Ganhamos o Projeto Pixinguinha da FUNARTE e assim pudemos aprontá-lo para lançar agora.
O som da banda mudou nesse período?
Laya: É sempre diferente, assim a gente espera. Cada música com sua cor, seu tempo, seu sabor…
Como é fazer trip hop no brasil?
Laya: Não acho que fazemos trip hop. Temos influência, mas nosso som é outra coisa já, chamo de música brasileira contemporânea.
Nos conte um pouco sobre o álbum de estreia.
Laya: Humm… a gente vem bordando, pintando, esculpindo ele faz tempo… cada música. Trabalhamos muita coisa em casa e isso é muito especial, pela delicadeza que podemos ter com os detalhes, os momentos. Tivemos parceiros singulares na produção, Paulo Beto e Dustan Gallas, dois caras geniais que fizeram crescer o grau desse disco. As letras das músicas foram ligadas pelo escritor Leo Mackellene que transformou tudo numa poesia só no encarte. Ele escreveu também conosco a poesia “Do Quarto ao Jardim”, que é recitada por ele no disco. Tem músicas que nasceram no Quarto das Cinzas, como “Priscas Eras”, e músicas já nascidas no Jardim das Horas, como “Expansão”.
Quando a banda pretende sair em turnê para divulgar o disco?
Laya: Em 2010. Estamos trabalhando em projetos de shows por todo o Brasil.