As imagens que guardei pra mim

Sempre da esquerda para a direita, ao fundo, as vozes: Diogo Soares (Los Porongas), Bruno Souto (Volver), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Daniel Groove (O Sonso) e Saulo Duarte (Saulo Duarte e a Unidade).

Os três sentados no muro: Carlos Gadelha (O Jardim das Horas), Raphael Haluli (O Jardim das Horas) e Luka Schwab (O Sonso)

Os dois sentados no chão, nos cantos inferiores do retrato: João Leão (da banda Unidade, o único músico paulistano das bandas do Projeto Mais Massa) e João Eduardo (Los Porongas)

Lembramos a todos que nesta quinta-feira, na Livraria da Esquina, a Volver recebe a banda Anacrônica, que vai abrir o show do Franz Ferdinand em São Paulo.

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As Vozes Di Cavalcanti ao fundo

Na esquina da Martin Fontes com a Avenida São Luiz, com o painel de Di Cavalcanti, “Imprensa” ao fundo, os vocalistas do Projeto Mais Massa, da esquerda para a direita: Diogo Soares (Los Porongas), Bruno Souto (Volver), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Daniel Groove (O Sonso) e Saulo Duarte (Saulo Duarte e a Unidade)

A foto acima diz muito a respeito da integração do Projeto Mais Massa com a cidade de São Paulo. Aproveitamos para lembrar que nesta quinta-feira, na Livraria da Esquina, a Volver recebe a banda Anacrônica, que vai abrir o show do Franz Ferdinand em São Paulo.

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Mais Massa começa 2010 com o argentino Simja Dujov e O Jardim das Horas

O Projeto Mais Massa retoma as atividades no dia 14 de janeiro, em mais uma temporada na Livraria da Esquina, a todo vapor. Na próxima quinta-feira, o projeto recebe mais uma atração internacional, o argentino Simja Dujov, que dedica uma noite de sua passagem pelo Brasil ao Mais Massa. Com sua latin jewish balcan cumbia, Simja Dujov chega voando e promete agitar a primeira noite de 2010 do Projeto Mais Massa. No vídeo abaixo, confira a turnê européia de Simja Dujov, em 2009:

Quem fecha a noite com ele é O Jardim das Horas que se prepara para o lançamento do CD O Quarto das Cinzas, no fim deste mês, no Centro Cultural São Paulo. O Jardim das Horas promete mais um espetáculo energético e sensível, como tradicionalmente tem feito nas noites do Projeto Mais Massa. Assista ao vídeo de “Expansão”, na temporada 2009 do projeto na Livraria da Esquina, com participação de Diogo Soares, dos Los Porongas:

Serviço

Projeto Mais Massa – Temporada 2010 – 14 de janeiro, quinta
Simja Dujov e O Jardim das Horas na Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 – Estacionamento conveniado ao lado da casa. Clique aqui para ver o mapa
Abertura da casa: 22h. Primeiro show: 23h. Segundo show: 00h30
R$ 10,00

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Mais Massa no CCRV: imagens de uma noite mágica

No último dia 09, três bandas do Projeto Mais MassaO Jardim das Horas, Los Porongas e O Sonso – se apresentaram no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena. Muitas atividades aconteceram naquela noite, além dos shows das três bandas: os artistas do projeto Nadiagonal fizeram uma intervenção e o Professor Mauro, figura lendária da cena musical paulistana, declamou poemas e contou histórias da canção brasileira, na primeira atividade da noite, intimista, com cara de sarau – o Centro Cultural Rio Verde propicia esse tipo de atividade, pois o espaço é confortável, harmônico e cercado de árvores. Confira as imagens de Ezyê Moleda clicando aqui.

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-59

O Jardim das Horas: Carlos Gadelha, Beto Gibbs, Rapahel Haluli e Laya Lopes, no circo, um dos espaços aconchegantes e diferentes do Centro Cultural Rio Verde. (Foto de Ezyê Moleda)

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-15O Sonso: Luka Schwab, o único homem vivo que consegue roubar, no palco, a cena de Daniel Groove, o próprio Daniel e Klaus Sena, no coreto do Centro Cultural Rio Verde (Foto de Ezyê Moleda)

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-42No palco do estúdio, os Los Porongas: Márcio Magrão, Diogo Soares, Jorge Anzol e João Eduardo. (Foto de Ezyê Moleda)

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Do Cidadão do Mundo para o mundo – Imagens de sábado

Na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo, a banda Assoma abriu a noite e na sequência, deu entrevistas ao vivo pela rádioweb da casa.

$SC07639Marcelo, do Cidadão do Mundo, coloca as canções e as palavras de Rato e Kb$$a, da banda Assoma, pra todo mundo ouvir (Foto de Xande, do Assoma)

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A banda Assoma quebra as Redomas na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo

Barizon_apresenta_VolverDa esquerda para a direita: Kleber (Volver); Robson (Cidadão do Mundo) e Tiago Barizon (Identidade Musical) fazem a apresentação oficial da banda, transmitida via radioweb; Fernando Barreto (Volver). Foto de Gigi Grasso

 $SC07655Na foto, da esquerda para a direita: Tiago Barizon e Rogério Duarte (Identidade Musical), Diogo Soares (Los Porongas), Xande, Paulinha  Balduíno, Kb$$a e Rato (agachado), da banda Assoma, a primeira a dividir os palcos com as bandas do Projeto Mais Massa.

IMG_2172 Volver conta com a participação do sempre irreverente Daniel Groove (Foto de Tiago Barizon)

 ZecaZeca Viana, do Volver, faz vibrarem os corações atonais (Foto de Gigi Grasso)

IMG_2206Los Porongas, com a participação de Bruno Souto, do Volver, fazem “Come Togheter”, dos Beatles, que vem ganhando um arranjo cada vez mais épico e experimental, a cada espetáculo Mais Massa (Foto de Tiago Barizon)

dupla_bruno_diogoBruno Souto (Volver) e Diogo Soares (Los Porongas) soltam a voz (Foto de Gigi Grasso)

joao_arrebentaA interpretação febril e intensa de João Eduardo, dos Los Porongas

 

Enquanto uns dormiam, nós cantávamos, até acabar a voz: aceitamos a cicatriz como perdão. De São Caetano do Sul para onde for tão perto ou tão certo.

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Quarta Noite Mais Massa: Show Coletivo e próximas datas

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O Projeto Mais Massa chega ao final de sua primeira temporada mais embalado do que nunca. As seis bandas que participam do projeto consagram o início de um sonho, na próxima quarta-feira, dia 11 de novembro, com um show coletivo, cheio de surpresas para o público que vem acompanhando fielmente as apresentações, além do agendamento de novos shows.

Uma característica marcante do Mais Massa são as participações especiais, em que as bandas que tocam na noite recebem convidados, integrantes de outros conjuntos, do projeto ou de fora dele. Afinal, o objetivo é muito claro: fazer mais barulho, formar público em São Paulo e acentuar o potencial criativo das bandas.

Na primeira noite, que aconteceu em 21 de outubro, na Livraria da Esquina, tocaram os acreanos dos Los Porongas e os cearenses da banda O Sonso – e a noite foi do conceito de urbanidade amazônica, proposto pelos Porongas, às fusões de MPB, rock e música brega do Sonso. O clima foi de festa inaugural, que prometia e já conseguiu continuidade: a agenda de novembro e dezembro já está cheia (veja calendário no fim deste texto) e a de 2010 já começa a ser preenchida.

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 Sammliz (Madame Saatan) e Laya (O Jardim das Horas): as vocalistas fizeram “Summertime”, de Gershwin, na terceira noite do Projeto Mais Massa

Na segunda noite, em 28 de outubro, apresentaram-se O Jardim das Horas e Saulo Duarte e a Unidade. Mais uma vez, sonoridades e propostas diversas – mas que não se excluem, ao contrário, se completam – dialogaram no palco: o público dançou com a fusão da moderna música eletrônica com as raízes musicais brasileiras, proposta pelos cearenses d’O Jardim das Horas, e com as canções do paraense Saulo Duarte e a banda A Unidade.

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 Daniel Groove (O Sonso), Bruno Souto (Volver), Diogo Soares (Los Porongas) e Saulo Duarte (Saulo Duarte e a Unidade): os vocalistas compõem e se divertem juntos. É a integração proposta no Projeto Mais Massa

Na terceira noite, em 04 de novembro, os pernambucanos do Volver arrepiaram a platéia com as canções do álbum Acima da chuva, de 2008, sucesso de público e de crítica. O projeto foi concluído com a sonoridade pesada dos paraenses do Madame Saatan, banda também consagrada no cenário da atual música independente brasileira. Mais uma vez, o clima foi de confraternização: as bandas, a Livraria da Esquina e a Identidade Musical apostam no sucesso do projeto, pela qualidade das propostas e pelo empenho de todos os envolvidos.

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Foto histórica: a proposta do Mais Massa é integrar, circular, compor e fazer barulho em São Paulo.

Em pé: Bernie Walbenny (produtor do Madame Saatan), Zeca Viana (Volver), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Klaus Sena (O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade), Heitor (da Livraria da Esquina, entusiasta do projeto; sem ele, tudo seria mais difícil), Sammliz (Madame Saatan), Ivan Vanzar (Madame Saatan), Jorge Anzol (Los Porongas), Tiago Barizon (Identidade Musical), Tatá Muniz e Jully Pop (da banda Julia Car, que marcou presença na última quarta).  

Sentados: Ícaro Suzuki (Madame Saatan), Bruno Souto (Volver), Ed Guerreiro (Madame Saatan), Rogério Duarte (Identidade Musical) e Fernando Barreto (Volver)

Assim, a quarta e última noite, que acontecerá em 11 de novembro, promete ser uma grande festa, com o palco recebendo ectoplasmas literários (autores-defuntos?) que prometem aparecer e declamar seus trabalhos, encontros inusitados e inesquecíveis e o repertório surpreendendo e arrepiando, como aconteceu em todas as noites do Projeto Mais Massa.

Todos

Em pé: Bernie Walbenny (produtor do Madame Saatan), Ivan Vanzar (Madame Saatan), Zeca Viana (Volver), Diogo Soares (Los Porongas), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Klaus Sena (O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade), Daniel Groove (O Sonso), Bruno Souto (Volver), João Leão (Saulo Duarte e a Unidade), Saulo Duarte e Jorge Anzol (Los Porongas)

Sentados: Ed Guerreiro, Sammliz, Ícaro Suzuki (Madame Saatan), Tiago Barizon, Rogério Duarte (Identidade Musical), Fernando Barreto (Volver), Fábio Cardelli (da banda paulistana Visitantes, que ruma neste momento para uma tour pelo nordeste) e João Eduardo (Los Porongas)

A grande novidade é que o Projeto Mais Massa, com poucos meses de existência, já deu frutos: temos datas marcadas para apresentações no Cidadão do Mundo, no centro de  São Caetano do Sul, e no Zé Presidente, na Vila Madalena, em São Paulo. Além disso, a equipe de produção também conta agora com o pessoal da Punksaravá, que engrossa o caldo da geografia lendária da canção brasileira: o Projeto deve a eles as datas no Zé Presidente.

Calendário do Projeto Mais Massa: Novembro e Dezembro

Cidadão do Mundo – Rua Rio Grande do Sul,  73 - centro de São Caetano do Sul
14/11 – Volver + Los Porongas
21/11 – O Sonso + Saulo Duarte e a Unidade
28/11 – Madame Saatan + O Jardim das Horas
 
Zé Presidente – Rua Cardeal Arcoverde, 1545, Vila Madalena, São Paulo
19/11 – Madame Saatan + Saulo Duarte e a Unidade
26/11 – Sonso + Volver
03/12 – O Jardim das Horas + Los Porongas

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Terceira Noite: Summertime e She’s so heavy

Numa das noites mais quentes do ano em São Paulo, o Madame Saatan subiu no palco do + Massa e levou a temperatura a níveis jamais sentidos, com “Summertime”, composição de George Gershwin, na versão de Janis Joplin – com a participação de Laya Lopes. Era o tão esperado encontro das duas vocalistas das bandas do + Massa:

Diogo Soares fez “I Want You (She’s so heavy)”, dos Beatles, com o Madame:

Logo mais, estarão disponíveis por aqui vídeos da apresentação do Volver, que abriu a noite.

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Terceira Noite + Massa: Madame Saatan e Volver

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Na terceira noite do Projeto + Massa teremos as apresentações de Madame Saatan, de Belém do Pará, e Volver, de Recife, Pernambuco.

A banda Madame Saatan, que tem Sammliz na voz, Ed Guerreiro na guitarra, Ícaro Suzuki no baixo e Ivan Vanzar na bateria já fez história na cena independente e em São Paulo, com passagens pela MTV, Rede Globo, Multishow, Play TV, Estúdio Show Livre, Poploaded Sessions do portal IG, Território Livre da Rede 21, Alto-Falante da Rede Minas, e Radiola na Cultura entre outros.

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O som do Madame Saatan é o mais pesado das bandas que integram o Projeto + Massa – e também dialoga com ritmos nacionais e regionais. Confira a apresentação da banda em Boa Vista, capital de Roraima, encerrando a programação do Festival Tomarrock, em outubro de 2009:

A banda Volver tem Bruno Souto no vocal e nas guitarras, Fernando Barreto no baixo e nos vocais, Zeca Viana na bateria e vocais e Kleber Croccia na guitarra e nos vocais.

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Os caras também têm estrada. Seus dois discos foram aclamadíssimos: Canções perdidas num canto qualquer, de 2005, alcançou respeito e repercussão nacional e internacional, considerado o disco do ano pelo site Power Pop Action; Acima da chuva, de 2008, já teve mais de 60 mil downloads e foi eleito o segundo melhor disco nacional do ano pelo Correio Braziliense. Assista ao clipe de “Dia Azul”, do segundo trabalho:

A noite promete. Mais uma vez, as bandas contarão com convidados, que fazem os shows ficarem Mais Massa: Daniel Groove, d’O Sonso, Diogo Soares, dos Los Porongas, Laya Lopes d’O Jardim das Horas e Saulo Duarte.

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Os mares, os ares e os sóis que sopram e fazem Mais Massa

Na semana passada, a estréia do Projeto + Massa acabou despertando o fantasma do poeta modernista Mário de Andrade, que visitou a Livraria da Esquina e acabou revendo e renovando o Brasil que conhecia, lá das primeiras décadas do século XX – que já ficou velhinho, já completou cem anos, já virou “século passado” faz tempo. Ainda bem.

Acontece que não dá pra fazer canção no Brasil sem dialogar com as estrelinhas que hoje moram lá no céu, mas que já foram gente que nem nós. E o projeto + Massa tem mesmo essa capacidade de ficar retomando, e despertando, e ressignificando a música e a literatura brasileira. Foi assim na primeira noite e foi assim também na segunda, cada uma à sua maneira, mas ambas fazendo correrem livremente os tempos e as épocas, as regiões e as geografias. Quem esteve na Livraria da Esquina na quarta à noite teve a chance de sentir o clima encantado que se estabeleceu por lá. Não é à toa: as seis bandas estão realizando sonhos e vivendo a arte naquele palco. 

prévia-104O Jardim das Horas: Beto Gibbs (bateria), Laya Lopes (voz), Carlos Gadelha (guitarra e programação) e Raphael Haluli (baixo) 

Tudo começou com a apresentação d’O Jardim das Horas, com a presença do mais novo integrante – e o único que não saiu do palco ao longo dos dois espetáculos da noite: Beto Gibbs. Quem conhece as composições e os espetáculos da banda sabe que O Jardim das Horas chama aos sentidos do público: além da música, que ocupa energeticamente o ambiente inteiro, recheando-o das vibrações positivas das letras e das sonoridades, as luzes incidem sobre os integrantes, fazendo que a energia que arde no palco irradie longe. E a expressão o show ferve pode ser tomada no sentido literal, sem metáforas. Audição, visão, tato: O Jardim das Horas faz um dos mais sensíveis espetáculos do + Massa.

E as vibrações vão tão longe, e as canções dialogam com tantas  referências – rock, trip-hop, reggae, música popular brasileira, música para meditação -, que O Jardim das Horas, banda cearense, acabou acordando o espectro de seu conterrâneo literário mais célebre: José de Alencar, que vagou um pouco tenso pela Livraria da Esquina, sem entender bem, no início, o que se passava por ali.

A sorte - sorte mesmo – é que o fastasma de Mário de Andrade também apareceu e explicou a Alencar o que acontecia, dispensando Tiago Barizon da tarefa. Todo mundo sabe que Barizon conhece tudo de música – mas daí a explicar a um fantasma do século XIX o que aconteceu desde a ópera O Guarani, de  Carlos Gomes, até O Quarto das Cinzas d’O Jardim das Horas ia ser meio trabalhoso. Tarefa de escritor para escritor, de crítico musical e ex-diretor de departamento de cultura para ex-Ministro da Justiça. Alencar e Mário sentaram no canto, pediram uma cachaça cada e o modernista atualizou o romântico.

prévia-086  Ícaro Suzuki, baixista do Madame Saatan, banda que se apresentará na próxima quarta-feira, e Tiago Barizon, DJ e produtor musical, se livraram da árdua tarefa de explicar o que é um metaleiro ao fantasma do escritor José de Alencar

E Mário de Andrade explicou assim a José de Alencar: que a palavra “Barizon” não significa “metaleiro maltrapilho e embriagado”, como explicara Daniel Groove na porta da Livraria da Esquina. José de Alencar não acreditou. Depois: o poeta paulista explicou ao romancista cearense que o livro Iracema tinha, de certa forma, envelhecido, porque, nessa obra, o país e o povo novo que surgem são filhos da dor. E que naquele Projeto Mais Massa não tinha nem sangue, nem dor, nem dominação de um povo sobre outro, muito menos animosidades entre o sudeste e os estados do norte e do nordeste. Nada disso nem não  havia, falou desse jeito, com essas tantas exatas palavras, o espectro de Mário de Andrade. E como Alencar ficou assim muito sarapantado, o paulistano disse a ele que prestasse atenção ao espetáculo: 

prévia-130Diogo Soares, dos Los Porongas, e Laya Lopes, d’O Jardim das Horas, fazem a Livraria da Esquina recender a poesia e a Brasil. “É um espetáculo sinestésico”, declarou o fantasma de Mário de Andrade. No + Massa cabe o Brasil inteiro, porque é espaço lendário da canção brasileira.

E Alencar perguntou como era isso, que história era essa de um moço se chamando Diogo Soares cantar nos shows de todas as bandas, se ele era de um lugar que o próprio Alencar sequer imaginava que existia. E Mário de Andrade respondeu que o estado do Acre praticamente brigara para ser brasileiro – mais ou menos o que todos os artistas estavam fazendo ali, naquele exato momento.

E nessa hora Alencar começou a acreditar em tudo que o paulistano dizia, porque as vibrações que vinham do palco começaram a tomá-lo de assalto – e ele se lembrou dos “verdes mares bravios” de sua terra natal, mas percebeu que não precisava chamá-los de uma forma assim tão empolada, bastava que fosse respeitosa, como “Ondas do mar sagrado”, que ele estava doido pra visitar. 

Quando senão quando o fantasma de Mário de Andrade deu uma grande gargalhada: e era porque José de Alencar, todo na estica, de terno e gravata, estava dançando, no mei0 das pessoas do século XXI. Alencar estava nostálgico, lembrando do mar sagrado, dos ares e do sol quente do Ceará, cujo hálito ele poderia sentir ali. E Mário lhe explicou que era porque o show d’O Jardim das Horas era sinestésico. Mário de Andrade era feiticeiro.    

prévia-085O público da Livraria da Esquina e o fantasma de José de Alencar dançam no ritmo d’O Jardim das Horas. O espectro do escritor está à direita, de terno, gravata e barba longa.

Mas não foi só isso. Alencar se divertiu com O Jardim das Horas, com a participação de Bruno Souto, que cantou “Viciante”, e se impressionou.

E era porque ele Alencar, estrelinha já brilhante no céu, Bruno Souto e Daniel Groove, de certa forma, se pareciam. E era como se os meninos do Volver e d’O Sonso prestassem uma homenagem a um dos pais da identidade brasileira, que o + Massa também quer ajudar a construir:

Alencar

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José de Alencar, Daniel Groove, d’O Sonso, e Bruno Souto, que fez “Viciante” com O Jardim das Horas: barbas austeras de quem fez e faz a história da cultura brasileira

 Alencar já estava embriagado de cachaça e de Brasil do século XXI, quando Saulo Duarte e a Unidade subiram no palco. E aí foi aquela festa: Alencar dançou com as meninas que estavam lá, ao som da banda, tomou uma câmera das mãos de Diogo Soares, que por sua vez a havia tomado de Gigi Grasso e descobriu que o amor do século XXI não era de perdição, mas de piração:

E foi bonito ver aquele fantasma pular, e cantar, e se empolgar. Alencar disse a Tiago Barizon que tinha gostado da letra da canção de Saulo Duarte porque via nela um traço dos sonhos amorosos que ele próprio, ectoplasma literário, havia sonhado na época do Romantismo. Alencar aprendeu que “Amor de piração é veneno / corre na veia solto e quando foi já viu / nem percebeu” e concluiu, todo pensamentoso: que no século XXI o amor era veneno, mas que não era nocivo, e que uma das capacidades estéticas do moço jovem que cantava era a ressignificação do amor

E o fantasma cearense perguntou ao poeta tinhoso e jornalista gonzo Pedro Pracchia, do coletivo Escárnio e Osso, se o Brasil e o mundo tinham mudado pra melhor, se dava pra contar às estrelinhas lá do céu que havia esperança. Pedro respondeu que Saulo já tinha respondido: “apesar da crise do mal-estar e do momento / não podemos esquecer que ainda há muito o que correr / e que sonhar acalma o peito e me faz ver você sorrindo”, versos em que as imagens da mulher amada estão amalgamadas às da ressignificação do Brasil e do mundo.

Nessa hora, Alencar deu uma grande gargalhada e percebeu, então, que o amor continua inspirando os sonhos das ações concretas na realidade, que continuam inspirando mais amor. E que, portanto, Iracema e ele próprio não tinham envelhecido tanto assim. Porque as letras e as composições de Saulo Duarte e a Unidade são todas iluminadas pelo amor, que orienta os mares, os ares – e principalmente o sol: ”De que lado que o sol nasce / na praça do pôr do sol? / Não me pergunto mais / Ele vem quando você começa a sorrir”.

E na parte do ”chalalalaialailaiá”, no final, os ectoplasmas literários, agora mais visíveis devido ao calor que emanava das pingas que haviam tomado e das vibrações sonoras que haviam absorvido, cantaram junto com o público, porque haviam percebido que mais uma paisagem, antes paulistana, depois cearense e paraense, agora brasileira, se inscrevia na geografia lendária da nossa canção: a Praça do Pôr do Sol, que nasce de todos os lados, pra todas as gentes, percorrendo as curvas da estrada de Santos:

E como Alencar estava assim muito marupiara, afogado num porre mãe, o paulistano Mário apontou Fábio Cardelli, também catimbozeiro, paulista e vocalista dos Visitantes, que fazia participação histórica: ela significava que, da mesma forma que nas canções sinestésicas d’O Jardim das Horas e nas canções de amor de Saulo Duarte, havia espaço para todos os sotaques brasileiros no Projeto + Massa.

Todas as imagens de Ezyê Moleda; todos os vídeos de Gigi Grasso, um deles com a contribuição de Diogo Soares e do fantasma de José de Alencar.

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Primeira noite, primeiras repercussões: a geografia lendária do Projeto + Massa

Ninguém vai se esquecer da noite de abertura do + Massa, seja por tudo que ela representa na história das bandas e das pessoas envolvidas no projeto, seja pela pela qualidade dos espetáculos. Tudo conspirou para que a noite fosse perfeita, como de fato foi: os convidados e os amigos compareceram e tiveram participação mais que especial; o som tinha qualidade; os shows foram intensos – shows que, em todos os sentidos, fizeram o barulho necessário para mostrar a que vieram e o que pretendem as bandas envolvidas no Projeto + Massa.

Talvez não seja vão, portanto, redigir este post tentando reproduzir em palavras a energia criativa que irradiava da Livraria da Esquina na noite de quarta-feira. Arrisco dizer, em primeiro lugar, que a força que ardia no palco era tão poderosa que as vozes e os versos de Diogo Soares e Daniel Groove, bem como os arranjos dos Los Porongas e do Sonso, acabaram acordando o fantasma do escritor Mário de Andrade, que vaga solitário até hoje pelas bandas da Barra Funda, mais especificamente na Rua Lopes Chaves. Ele ouviu a bateria de Jorge Anzol, a guitarra de João, o baixo de Magrão e ficou se perguntando que canção era aquela, que vinha de uma livraria, mas que lembrava a amazônia e era tão urbana e paulista, tudo a um só tempo:

 

Pude ver o fantasma do poeta de relance, no espelhamento das portas de vidro, na entrada da Livraria da Esquina, em que se misturam grandes autores (como o próprio Mário de Andrade e Fernando Pessoa) outros fantasmas famosos (como Freddy Krueger), os integrantes das bandas do + Massa e o público que fuma do lado de fora:

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Tentei pedir à fotógrafa Ezyê Moleda, colaboradora do projeto, que faz a cobertura fotográfica dos eventos, que tentasse registrar a visagem e a presença do poeta modernista. Em vão. Ele apagara o cigarro – estava apressado para entrar – e fora assistir ao show dos Los Porongas. Mário de Andrade não pôde acreditar, inicialmente, que um conjunto do Acre poderia fazer música urbana. Perdoei o escritor, porque ele não conhecia o conceito de urbanidade amazônica, explicado pelos Los Porongas no encarte do primeiro CD. Mais do que isso: Mário de Andrade ficou meio pirado quando descobriu (depois de perguntar a Ícaro, do Madame Saatan) que o moço de cabelo desarrumado que cantava com os Porongas não era paulistano. Mário de Andrade encantou-se com “Nada Além” – porque achou que aquela canção falava sobre São Paulo – e se deslumbrou com a participação de Hélio Flanders, do Vanguart:

E o poeta paulistano pensou assim: ao escrever Macunaíma, imaginou que as viagens desse herói pelo Brasil eram, no contexto do livro, uma forma de integrar e unificar a nossa “pátria tão despatriada”. Na obra prima de Mário de Andrade, Macunaíma voa pelo país com a ajuda de um tuiuiu, correndo distâncias enormes num bater de asas, numa geografia lendária que liberta o Brasil das contigências regionais e o integra de fato (interpretação que roubei da estudiosa Gilda de Mello e Souza). E o escritor ficou um pouco enciumado, porque percebeu que as bandas e os convidados do Projeto + Massa faziam exatamente isso, naquele momento: integravam o Brasil todo, em todas sonoridades e sotaques, na geografia lendária da canção, que está em todos os lugares.

Mas os ciúmes de Mário de Andrade não duraram nem num átimo de segundo, porque logo depois entrou O Sonso no palco, e Daniel Groove foi logo abrindo o jogo:

O Projeto + Massa é um bate-centro, aprendeu Mário de Andrade. Não é um projeto fechado, nem limita os participantes a proposta estéticas ou mercadológicas: a diversidade é o núcleo do + Massa. E o fantasma do poeta modernista ficou feliz, porque ele sempre soube que a vocação de São Paulo foi fazer fluir – vocação que estava perdida com as máquinas fordes chevrolés dodges, que deveriam fazer circular, mas que faziam a cidade parar. Mas brilhou a estrela de Daniel Groove, e o fantasma do poeta dançou e se emocionou com os “Retalhos de Cetim”, de Benito di Paula, na versão do Sonso, com Luka Schwab na guitarra, Klaus Sena no baixo, Felipe Maia na bateria e a participação de Marcelo Vourakis, tudo no vídeo acima.

O fantasma de Mário de Andrade cantou, riu, saiu pra fumar lá fora, bebeu, riu muito mais com as tiradas de Daniel Groove, e dançou animado com a participação de Saulo Duarte no show do Sonso:

E finalmente o fantasma do modernista se impressionou com o número coletivo, ao final, com Bruno Souto, do Volver, O Sonso e Los Porongas, no palco, na geografia lendária da canção:

Posso jurar que vi o fantasma de Mário de Andrade subir no palco e entoar, junto com Diogo Soares e Bruno Souto, os versos “Nada / Vai fazer com que eu / me desfaça de tudo…” – mas nossa tecnologia e nossa ciência ainda não conseguem captar de forma completa as vibrações e encontros dessa magnitude. Era preciso estar lá para ver.

Mário de Andrade abraçou os músicos e, antes de ir embora, acenou para Tiago Barizon, que lhe pediu que voltasse. O poeta sorriu e afirmou que numa noite como aquela, cada uma daquelas pessoas era uma estrela no céu, como ele e Macunaíma. O que se confirmou, quando vimos a nota que saiu no site do Cesar Giobbi:

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Os registros e a divulgação da primeira noite do Projeto + Massa seriam impossíveis sem a contribuição inestimável de Aline Ridolfi, da Punksaravá, Camila Comte, Gigi Grasso, Fábio Cardelli, do Escárnio e Osso, e todos os funcionários da Livraria da Esquina, além da já citada fotógrafa Ezyê Moleda. As seis bandas e a Identidade Musical agradecem a todas essas pessoas, pois somente com elas o sonho do Projeto + Massa pode decolar.

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