Para quem não foi à Livraria da Esquina ontem, Gigi Grasso, uma das maiores entusiastas e faz-tudo do Projeto Mais Massa, avisa que disponibilizará ao longo do dia, no Youtube, os vídeos dos shows. Ela própria subiu ao palco, com o pessoal do Volver:
E o Projeto Mais Massa não pára. Já divulgamos aqui as duas próximas temporadas do Projeto: uma no Cidadão do Mundo, em São Caetano, outra no Zé Presidente, na Vila Madalena.

O primeiro show da temporada de São Caetano acontece já neste sábado, dia 14, com shows de Volver e Los Porongas. A data do dia 14 será histórica: pela primeira vez, uma banda paulista, em sua formação completa, sobe ao palco com duas bandas do Mais Massa: trata-se da Assoma, banda cuja canção “Redoma” já foi analisada no blog da Identidade Musical.

A banda Assoma recebe o Projeto Mais Massa no próximo sábado, 14 de novembro, no Cidadão do Mundo, em São Caetano
O evento será importante por uma série de motivos. O primeiro deles diz respeito à postura do Projeto Mais Massa: embora seja formado por bandas de fora do Estado de São Paulo, o projeto tem espaço aberto para as bandas daqui. Em outras palavras, o Projeto Mais Massa tem como princípios o trânsito e o diálogo, sintetizados no conceito de geografia lendária da canção, em que se elimina a regionalidade (que, muitas vezes, infelizmente, exclui), substituída pelo conceito de integração:
Se o século XX tivesse proporcionado ao Brasil apenas a configuração de sua canção popular, poderia talvez ser criticado por sovinice, mas nunca por mediocridade. Os cem anos foram suficientes para a criação, consolidação e e disseminação de uma prática artística que, além de construir a identidade sonora do país, se pôs em sintonia com a tendência mundial de traduzir os conteúdos humanos relevantes em pequenas peças formadas de melodia e letra.
Luiz Tatit, O Século da Canção
O Projeto Mais Massa tem o sonho de contribuir, direta ou indiretamente, com a construção da identidade sonora do país – e não apenas com a das cidades de origem de cada uma das bandas. Abusando das palavras de Luiz Tatit, professor de Semiótica da Canção da USP, compositor e precursor da cena independente, as canções das bandas do Projeto Mais Massa - e as composições que seus integrantes têm feito conjuntamente - traduzem em melodia e letra conteúdos humanos relevantes, tendência mundial que se potencializa em cada noite do projeto. Assim, a participação do Assoma e a pequena viagem de São Paulo a São Caetano – cidades vizinhas e afins, mas ao mesmo tempo tão distantes – faz que o projeto dê mais um passo na geografia lendária da canção.
Não é só isso. Quem consultar os arredores do Cidadão do Mundo no Google Maps perceberá que o bairro exala a Brasil – estaremos na Rua Rio Grande do Sul, quase esquina com a Pará, próximos da João Pessoa, Amazonas e Niterói. Acaso? Provavelmente não. É a integração nacional, já proposta por Mário de Andrade na forma literária da rapsódia Macunaíma, alcançada pelo Mais Massa por meio da canção.
Outro detalhe: o Cidadão do Mundo lançou recentemente a coletânea ABC do Som - de que a Assoma faz parte – e, no texto de apresentação do projeto, Mao, dos Garotos Podres, afirma que a região do ABC paulista está tradicionalmente ligada ao rock devido ao desenraizamento de sua população de migrantes, livres das amarras do conservadorismo e propensa à urbanidade e ao cosmpolitismo. Não há, portanto, espaço melhor para fazer espetáculos do Mais Massa, já que as bandas que integram o projeto vieram de diferentes pontos do Brasil, para se integrar, por meio das curvas melódicas da canção, a ele.
Finalmente: os fãs que não puderem ir ao espetáculo podem ouvi-lo por meio da Webrádio Cidadão do Mundo, que, além de transmitir o evento, fará entrevistas com as bandas. De São Caetano do Sul para a geografia lendária da canção brasileira.