Los Porongas recebem Neguedmundo na Livraria da Esquina

No dia 03 de junho, quinta-feira, a partir das 22h, na Livraria da Esquina (http://www.livrariadaesquina.com.br/), acontece mais uma edição do Projeto Mais Massa, em que Los Porongas (http://www.myspace.com/losporongas) recebem Neguedmundo (http://www.myspace.com/neguedmundo), de São Paulo.

Serviço
Projeto Mais Massa – Los Porongas e Neguedmundo
03/06/2010 – a partir das 22h
Na Livraria da Esquina – Rua do Bosque, 1254
R$ 15 na porta
R$ 10 com nome na lista: lista@maismassa.com.br

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O Jardim das Horas, Volver e Los Porongas no Clube Outs, sexta-feira, dia 28

E a chegada do Mais Massa à região do Centro de São Paulo continua! As bandas O Jardim das Horas, Volver e Los Porongas dão continuidade ao Projeto no Clube Outs, na sexta-feira, dia 28 de maio.

Serviço
Projeto Mais Massa
Clube Outs – Rua Augusta, 486 –
http://www.clubeouts.com.br/
Dia 28/05 – Sexta-feira
Abertura da casa: 21h
Entrada na faixa e bebidas com preço de boteco. Discotecagem lado B.
Preços promocionais de bebidas até 1h da manhã. Abertura da pista piso superior à 1h da manhã.
Após às 23h a entrada é de R$ 13

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Dia 15 de abril, Los Porongas recebem Jair Naves, na Livraria da Esquina

No dia 15 de abril, quinta-feira, a partir das 22h, na Livraria da Esquina, acontece mais uma edição do Projeto Mais Massa (www.maismassa.com.br), em que a banda Los Porongas recebe Jair Naves, de São Paulo.

Los Porongas (www.myspace.com/losporongas)

A banda que colocou o Acre no mapa da música brasileira começou sua trajetória em 2003, quando Diogo Soares (letras e voz), João Eduardo (guitarra, teclado, efeitos), Márcio Magrão (baixo) e Jorge Anzol (bateria) passaram a tocar juntos. O grupo logo chamou atenção da crítica especializada e se firmou como um dos mais talentosos e promissores nomes da nova safra do rock independente nacional. O CD de estréia, lançado em 2007 pelo selo Senhor F, foi gravado e produzido por Philippe Seabra (Plebe Rude) e reproduz em cada faixa a intensidade da banda. O CD figurou em dezenas de listas dos grandes lançamentos do ano, com destaque para a indicação entre os 25 melhores álbums de 2007, da revista Rolling Stone.

Em 2008, lançaram seu primeiro DVD, que faz parte da coleção Toca Brasil do Itaú Cultural. O trabalho mostra a trajetória da banda, suas influências e sua visão da cena musical independente através de depoimentos dos integrantes e de pessoas que fazem parte de sua história, como Philippe Seabra. O DVD também traz versões ao vivo de “Nada Além”, “Enquanto Uns Dormem”, “Suspeito de Si”, “O Escudo”, entre outras. O DVD foi lançado no programa “Altas Horas”, da Rede Globo.

Há quase três anos residindo em são Paulo, a banda prepara o lançamento de seu aguardado segundo álbum, depois de ter sido contemplada pelo Projeto Pixinguinha em 2009.

Jair Naves (www.myspace.com/jairnaves)

Araguari, primeiro trabalho solo de Jair Naves, chega ao público na forma de EP em janeiro de 2010. Na primeira audição e na passada de olhos pelos títulos das canções, percebe-se a homenagem à cidade que dá título ao trabalho e que fica ao norte do Triângulo Mineiro, celebrizada no cinema nacional pelo filme O Caso dos Irmãos Naves, sobre a prisão, tortura e morte de dois irmãos que confessaram um crime que jamais cometeram. Mas Araguari é também e principalmente um mergulho na memória do compositor, que passou parte da infância na cidade. As lembranças e experiências do compositor conduzem as canções, por vezes, ao lirismo das modas de viola e à nostalgia invertida das lacunas de quem se viu à margem; em outras, à volubilidade de quem não acredita mais no amor, mas que se vê surpreendido pela paixão; finalmente, ao travo da injustiça e do desajuste que Jair parece ter herdado da história da cidade.

Há uma gota de Álvaro de Campos, heterônimo do português Fernando Pessoa, especialmente na última canção do trabalho, como se o sujeito poético de Jair relesse a Tabacaria e as duas Lisbon Revisited e compusesse, à sua moda, de viola ou de guitarra elétrica, o imaginário pessoal cujo espelho é sempre uma Araguari, ao mesmo tempo, distante e presente, da infância e da vida madura, da falta e da completude. Finalmente: a Araguari deste mesmo Jair Naves da São Paulo de 2010 e de um outro, o que deixou a inocência na cidade mineira e que recupera, apresenta e confessa os fragmentos e desajustes de si próprio nas canções de Araguari.

Projeto Mais Massa
Jair Naves e Los Porongas
15/04/2010 – a partir das 22h
Na Livraria da Esquina – Rua do Bosque, 1254
R$ 15 ou R$ 10 com nome na lista: lista@maismassa.com.br

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O Sonso, no Centro Cultural Rio Verde, por DJ Pardal

O vídeo acima foi postado no Youtube pelo DJ Pardal, um dos maiores entusiastas da cena independente e um grande parceiro do Mais Massa e da Identidade Musical. Olha o que ele falou sobre o Mais Massa:

As apresentações destes grupos [do Mais Massa] são uma forma de expressão máxima de um coletivo plural, energético e sintomático. Novamente em um quarto grande reencontro das bandas dos meus queridos: Los Porongas (AC) e O Jardim das Horas (CE) em “Encontro de volta pro mar friends”, estavam de parabéns em suas apresentações, únicas, que são um deleite para os fãs de carteirinha que nem eu (risos). Aliado a tudo isso, O Sonso (CE), que me encantou em todas as músicas, e quem não iria também cantar junto e falar de amor não é pra qualquer banda, eles “o Sonso” são especiais, tocantes.

Sem contar as canjas e as participações misturadas e invertidas entre as bandas e seus convidados especiais como: Saulo Duarte (da Unidade) entre outros. Uma noite pra poucos amigos admito, mas sinceros, como numa família: todos estavam felizes com o resultado da noite que foi sensacional“.

Para ver outros vídeos que o mesmo Pardal postou no canal dele do Youtube, clique aqui: http://www.youtube.com/user/djpardalpatati

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Mais Massa no CCRV: imagens de uma noite mágica

No último dia 09, três bandas do Projeto Mais MassaO Jardim das Horas, Los Porongas e O Sonso – se apresentaram no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena. Muitas atividades aconteceram naquela noite, além dos shows das três bandas: os artistas do projeto Nadiagonal fizeram uma intervenção e o Professor Mauro, figura lendária da cena musical paulistana, declamou poemas e contou histórias da canção brasileira, na primeira atividade da noite, intimista, com cara de sarau – o Centro Cultural Rio Verde propicia esse tipo de atividade, pois o espaço é confortável, harmônico e cercado de árvores. Confira as imagens de Ezyê Moleda clicando aqui.

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-59

O Jardim das Horas: Carlos Gadelha, Beto Gibbs, Rapahel Haluli e Laya Lopes, no circo, um dos espaços aconchegantes e diferentes do Centro Cultural Rio Verde. (Foto de Ezyê Moleda)

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-15O Sonso: Luka Schwab, o único homem vivo que consegue roubar, no palco, a cena de Daniel Groove, o próprio Daniel e Klaus Sena, no coreto do Centro Cultural Rio Verde (Foto de Ezyê Moleda)

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-42No palco do estúdio, os Los Porongas: Márcio Magrão, Diogo Soares, Jorge Anzol e João Eduardo. (Foto de Ezyê Moleda)

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Mais Massa, no Centro Cultural Rio Verde, dia 09/12, participa do evento “Pelota e Violão: uma tabelinha com o professor”

flyer_CCRV_Mais_massa“Pelota e violão – Uma tabelinha com o professor” apresenta Projeto Mais Massa em Coletivo Música Plural Brasileira

Uma noite para cantar o brasil. Artistas do novo rock fazem um bate-bola com a música plural brasileria. As bandas Los Porongas (AC), O Sonso (CE) e o Jardim das Horas (CE), com participações de Saulo Duarte (da Unidade), Sammliz (Madame Saatan) e mais um time de convidados, fazem um sarau em homenagem a grandes compositores da música brasileira que os influenciaram: Belchior, Benito di Paula, Milton Nascimento, Chico Buarque e outros grandes nomes numa noite sob a batuta do Professor Mauro David Cukierkorn.

Serviço

Centro Cultural Rio Verde (http://www.centroculturalrioverde.com.br/)
Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena
Dia 09/12 – Quarta-feira
Abertura da casa: 19h30
Início: 20h30
Shows: Los Porongas(AC), O Sonso(CE), O Jardim das Horas (CE)
Entrada: 15 inteira / 10 com nome na lista(lista@maismassa.com.br)
Convênio com estacionamento em frente: R$ 13,00

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O Jardim das Horas e Los Porongas, no Zé Presidente, 03 de dezembro, com participação do Julia Says

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O projeto Mais Massa entra, nesta quinta-feira, dia 3 de dezembro, em sua terceira semana no palco da casa Zé Presidente, na Vila Madalena, em São Paulo. Amanhã, a partir das 21h, se apresentam no espaço paulistano voltado à música independente as bandas O Jardim das Horas (http://www.myspace.com/ojardimdashoras) e Los Porongas (http://www.myspace.com/losporongas).

Para dar continuidade às participações especiais – e também à tentativa de ressignificar o trânsito da cidade – o show terá participação de Julia Says. O duo recifense, que foi formado em 2007, é composto Anthony Diego e Pauliño e tem como conceito a “música livre”, passeando por pelas diversas vertentes sonoras. No vídeo abaixo, a banda toca “Salto Alto” na session do programa Poploaded do iG, apresentado por Lucio Ribeiro e Fabio Massari:

Serviço
Mais Massa, com O Jardim das Horas e Los Porongas
Quinta-feira, 3 de dezembro, 21h
Espaço Zé Presidente
Rua Cardeal Arcoverde, 1545, Vila Madalena, São Paulo
Entrada, R$10

 

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Do Cidadão do Mundo para o mundo – Imagens de sábado

Na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo, a banda Assoma abriu a noite e na sequência, deu entrevistas ao vivo pela rádioweb da casa.

$SC07639Marcelo, do Cidadão do Mundo, coloca as canções e as palavras de Rato e Kb$$a, da banda Assoma, pra todo mundo ouvir (Foto de Xande, do Assoma)

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A banda Assoma quebra as Redomas na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo

Barizon_apresenta_VolverDa esquerda para a direita: Kleber (Volver); Robson (Cidadão do Mundo) e Tiago Barizon (Identidade Musical) fazem a apresentação oficial da banda, transmitida via radioweb; Fernando Barreto (Volver). Foto de Gigi Grasso

 $SC07655Na foto, da esquerda para a direita: Tiago Barizon e Rogério Duarte (Identidade Musical), Diogo Soares (Los Porongas), Xande, Paulinha  Balduíno, Kb$$a e Rato (agachado), da banda Assoma, a primeira a dividir os palcos com as bandas do Projeto Mais Massa.

IMG_2172 Volver conta com a participação do sempre irreverente Daniel Groove (Foto de Tiago Barizon)

 ZecaZeca Viana, do Volver, faz vibrarem os corações atonais (Foto de Gigi Grasso)

IMG_2206Los Porongas, com a participação de Bruno Souto, do Volver, fazem “Come Togheter”, dos Beatles, que vem ganhando um arranjo cada vez mais épico e experimental, a cada espetáculo Mais Massa (Foto de Tiago Barizon)

dupla_bruno_diogoBruno Souto (Volver) e Diogo Soares (Los Porongas) soltam a voz (Foto de Gigi Grasso)

joao_arrebentaA interpretação febril e intensa de João Eduardo, dos Los Porongas

 

Enquanto uns dormiam, nós cantávamos, até acabar a voz: aceitamos a cicatriz como perdão. De São Caetano do Sul para onde for tão perto ou tão certo.

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Essas imagens e novas temporadas – Volver, Los Porongas e Assoma

Para quem não foi à Livraria da Esquina ontem, Gigi Grasso, uma das maiores entusiastas e faz-tudo do Projeto Mais Massa, avisa que disponibilizará ao longo do dia, no Youtube, os vídeos dos shows. Ela própria subiu ao palco, com o pessoal do Volver:

E o Projeto Mais Massa não pára. Já divulgamos aqui as duas próximas temporadas do Projeto: uma no Cidadão do Mundo, em São Caetano, outra no Zé Presidente, na Vila Madalena.

01_cidadao_do_mundo_losporongas_volver

O primeiro show da temporada de São Caetano acontece já neste sábado, dia 14, com shows de Volver e Los Porongas. A data do dia 14 será histórica: pela primeira vez, uma banda paulista, em sua formação completa, sobe ao palco com duas bandas do Mais Massa: trata-se da Assoma, banda cuja canção “Redoma” já foi analisada no blog da Identidade Musical.

assoma

A banda Assoma recebe o Projeto Mais Massa no próximo sábado, 14 de novembro, no Cidadão do Mundo, em São Caetano

O evento será importante por uma série de motivos. O primeiro deles diz respeito à postura do Projeto Mais Massa: embora seja formado por bandas de fora do Estado de São Paulo, o projeto tem espaço aberto para as bandas daqui. Em outras palavras, o Projeto Mais Massa tem como princípios o trânsito e o diálogo, sintetizados no conceito de geografia lendária da canção, em que se elimina a regionalidade (que, muitas vezes, infelizmente, exclui), substituída pelo conceito de integração:

Se o século XX tivesse proporcionado ao Brasil apenas a configuração de sua canção popular, poderia talvez ser criticado por sovinice, mas nunca por mediocridade. Os cem anos foram suficientes para a criação, consolidação e e disseminação de uma prática artística que, além de construir a identidade sonora do país, se pôs em sintonia com a tendência mundial de traduzir os conteúdos humanos relevantes em pequenas peças formadas de melodia e letra.

Luiz Tatit, O Século da Canção

O Projeto Mais Massa tem o sonho de contribuir, direta ou indiretamente, com a construção da identidade sonora do país – e não apenas com a das cidades de origem de cada uma das bandas. Abusando das palavras de Luiz Tatit, professor de Semiótica da Canção da USP, compositor e precursor da cena independente, as canções das bandas do Projeto Mais Massa - e as composições que seus integrantes têm feito conjuntamente - traduzem em melodia e letra conteúdos humanos relevantes, tendência mundial que se potencializa em cada noite do projeto. Assim, a participação do Assoma e a pequena viagem de São Paulo a São Caetano – cidades vizinhas e afins, mas ao mesmo tempo tão distantes – faz que o projeto dê mais um passo na geografia lendária da canção.

Não é só isso. Quem consultar os arredores do Cidadão do Mundo no Google Maps perceberá que o bairro exala a Brasil – estaremos na Rua Rio Grande do Sul, quase esquina com a Pará, próximos da João Pessoa, Amazonas e Niterói. Acaso? Provavelmente não. É a integração nacional, já proposta por Mário de Andrade na forma literária da rapsódia Macunaíma, alcançada pelo Mais Massa por meio da canção. 

Outro detalhe: o Cidadão do Mundo lançou recentemente a coletânea ABC do Som - de que a Assoma faz parte – e, no texto de apresentação do projeto, Mao, dos Garotos Podres, afirma que a região do ABC paulista está tradicionalmente ligada ao rock devido ao desenraizamento de sua população de migrantes, livres das amarras do conservadorismo e propensa à urbanidade e ao cosmpolitismo. Não há, portanto, espaço melhor para fazer espetáculos do Mais Massa, já que as bandas que integram o projeto vieram de diferentes pontos do Brasil, para se integrar, por meio das curvas melódicas da canção, a ele.

Finalmente: os fãs que não puderem ir ao espetáculo podem ouvi-lo por meio da Webrádio Cidadão do Mundo, que, além de transmitir o evento, fará entrevistas com as bandas. De São Caetano do Sul para a geografia lendária da canção brasileira.  

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Essas canções

A primeira temporada do Projeto Mais Massa na Livraria da Esquina terminou ontem, com o esperado Show Coletivo: Volver, Madame Saatan, O Sonso, Saulo Duarte e a Unidade, O Jardim das Horas e Los Porongas, nessa ordem, seguidos pelo projeto Oldcats, fizeram a festa, partilharam palco e canções, homenagens e lágrimas.

O curioso foi que, na segunda-feira, recebi um email com o endereço eletrônico fantasmadomario@gmail.com e com o título “Carta pros Mais Massas” que dizia o seguinte:

Ao mui querido cronista do Projeto Mais Massa:

Não lhe terá surpreendido pouco receber esta mensagem – por este meio que os homens de seu tempo chamam de virtual – de um autor já defunto. Tenho certeza de que hei de surpreendê-lo ainda mais quando afirmar que lhe escrevo para confirmar presença nesse seu evento Mais Massa.

Chamei Manu Bandeira, mas ele acostumou-se à pensãozinha burguesa do céu e não quer ir. Chamei Machado, mas ele disse que tinha medo de se deixar tomar pelas canções e perder a compostura. Chamei Alencar, mas ele já tinha ido visitar Iracema, em Mecejana, inspirado pelas canções d’O Jardim das Horas. Chamei Oswaldo, mas ele disse que deixava pra uma próxima.

Ora, a falta de companhia não me arranha as convicções do espírito não. Vou nesse show coletivo e, se eu não fosse ectoplasma, gravava tudo que acontece nesses espetáculos e incluía nos registros da Missão de Pesquisas Folclóricas. Ou não. Na verdade, nunca pesquisei canções que não fossem folclóricas – e esses Mais Massas é que foram me acordar lá céu, com essas melodias, essas letras, esses arranjos, essas canções, toda essa arte. E esses Mais Massas demostraram um troço que eu já tinha escrito no Ensaio sobre a Música Brasileira: música brasileira – me corrijo, e escrevo canção brasileira - não precisa ser exótica pra ser boa e brasileira.

Aviso já: prepara os Mais Massas para um poema que vou ler, no palco, dedicado a esse Tiago Barizon, que dizem que entende mais de música do que eu. Aqui no além os manda-chuvas nos deixam aparecer entre os vivos umas poucas vezes ao longo de toda a eternidade. Vou gastar meu tempo aí com vocês. Não vão me decepcionar.

Ci, a Mãe do Mato, protege todos vocês!

O Ectoplasma Literário, Mário de Andrade“ 

Os organizadores do Projeto Mais Massa não puderam dizer não, e abriram espaço para o fantasma, que apareceu antes do show dos Los Porongas. Algumas imagens da noite e o poema escrito pelo ectoplasma seguem abaixo:

Show_coletivo05Show_coletivo01

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na foto à esquerda: Laya Lopes, (O Jardim das Horas), Sammliz (Madame Saatan), Diogo Soares (Los Porongas) e Gigi Grasso, de volta aos palcos. À direita: nem o gesso consegue fazer Daniel Groove parar de compor e de emocionar o público

Show_coletivo06

Daniel Groove e Saulo Duarte são dupla garantida nos palcos do Projeto Mais Massa. 

Show_coletivo02

Bruno, do Volver, toca com Los Porongas. Abaixo, o poema declamado pelo fantasma de Mário de Andrade.

Canção daqui 

É o comportamento físico que materializa as contradições entre indivíduo e massa. E é claro que o indivíduo só pode ser alcançado por meio da massa.

Adaptado do primeiro texto do livro Introdução ao teatro dialético – experimentos da Companhia do Latão, de Sérgio de Carvalho

Para Tiago Barizon

Na geografia lendária da canção
não há Rio Branco, Belém do Pará,
Recife ou Fortaleza
                                               Há beleza

Gosto do sabor adocicado das areias, das ondas do mar sagrado,
de onde quer que seja,
e me recuso à procura aqui ou acolá – eu sei lá! –
do exílio exuberante de quem está de fora.

Aqui não tem exílio, bizarria gritante ou
luneta européia que inverte o cruzeiro
numa bandeira às avessas.

Na geografia lendária da canção
nada precisa dar certo –
aqui é o bate-centro do igarapé
Tietê, Amazonas, Capibaribe, São Francisco
Rio Vermelho ou azul, rio escuro,
que me importa?
O fumacê da marginal e do poeta marginal recendem a poesia
Sintonia fina em que iracemas
                                               Vivam todas elas!
Assumem formas disformes de etnia obscura
tarjada de povos que já não são senão estes aqui!

A geografia lendária da canção
faz curvas melódicas na estrada de Santos
porque não precisa dar em lugar nenhum
e aí alcança todos os lugares, de trem ou de avião.

Mas não tem luz mais aqui – onde?
– eu nunca fui sócio da light – eu pago não pago minhas contas –
E as estrelas ficam querendo brilhar
– bruxuleia um céu vermelho no ABC, é o que dizem os desesperados,
e vibra musical o horizonte do João em Jundiaí, é o que me noticia o pai –

E aqui as estrelas insistem em brilhar – só eu vejo?
Não apareceu na Veja?

(E o Rio Tietê, onde me leva?
Sarcástico, ele me proíbe as praias e o mar,
me leva pra Itaipu e Furnas mortas, desligadas
é insistente turrão paulista que me leva pras tempestades humanas.

Na geografia lendária da canção, onde vai desaguar esse rio?
Eu não sei
Talvez na fremente celebração do Universal?
Talvez leve à breca o destino do poeta?
Talvez aos tempos de antes de eu nascer?
Talvez num tiquinho de fatalidade do progresso?
Talvez num sentimento pachorrento de ganhar dinheiro, de comer e de dormir?)

Eu não sei, ninguém não sabe.
E o futuro talvez seja mesmo o refrigerante plástico com gosto de cola
que nos deixa a todos melancólicos histéricos.

                É mentira!
Não faltam aqui os estimulantes afetivos de ordem moral
Nem os de atividade mental.

Na geografia lendária da canção não tem guerra ou paz
                                               Tem amor – e o amor aconteceu
Não tem tempo, tudo está escuro
porque existe um ser sensível por trás de toda voz que entoa, querida
– e eu preciso te contar da minha vida, do meu amor de piração –
aqui tem ebós, matintas, cruzes.
A cidade – que cidade é esta? – que
só dança quando passa a última vela
e no aqui completo, escuro, vejo a claridade do que é real
Eu sei lá!
Tão perto, por onde for tão certo
Sigo rumo ao Cruzeiro.

mario_de_andrade_02Ectoplasma_01

 

 

 

 

 

 

 

 

À esquerda: Mário de Andrade, na época em que ainda não tinha virado estrelinha lá no céu. À direita: o fantasma do escritor, declamando a “Canção daqui”, escrita especialmente para o Projeto Mais Massa.

Todas as fotos de Bernie Walbenny, exceto a de Mário de Andrade, à esquerda. Veja outras fotos da noite clicando aqui. Logo mais, a fotógrafa Ezyê Moleda publicará outras fotos no blog de fotos do Projeto Mais Massa: www.maismassa.wordpress.com

 

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