O Sonso, no Centro Cultural Rio Verde, por DJ Pardal

O vídeo acima foi postado no Youtube pelo DJ Pardal, um dos maiores entusiastas da cena independente e um grande parceiro do Mais Massa e da Identidade Musical. Olha o que ele falou sobre o Mais Massa:

As apresentações destes grupos [do Mais Massa] são uma forma de expressão máxima de um coletivo plural, energético e sintomático. Novamente em um quarto grande reencontro das bandas dos meus queridos: Los Porongas (AC) e O Jardim das Horas (CE) em “Encontro de volta pro mar friends”, estavam de parabéns em suas apresentações, únicas, que são um deleite para os fãs de carteirinha que nem eu (risos). Aliado a tudo isso, O Sonso (CE), que me encantou em todas as músicas, e quem não iria também cantar junto e falar de amor não é pra qualquer banda, eles “o Sonso” são especiais, tocantes.

Sem contar as canjas e as participações misturadas e invertidas entre as bandas e seus convidados especiais como: Saulo Duarte (da Unidade) entre outros. Uma noite pra poucos amigos admito, mas sinceros, como numa família: todos estavam felizes com o resultado da noite que foi sensacional“.

Para ver outros vídeos que o mesmo Pardal postou no canal dele do Youtube, clique aqui: http://www.youtube.com/user/djpardalpatati

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Mais Massa no CCRV: imagens de uma noite mágica

No último dia 09, três bandas do Projeto Mais MassaO Jardim das Horas, Los Porongas e O Sonso – se apresentaram no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena. Muitas atividades aconteceram naquela noite, além dos shows das três bandas: os artistas do projeto Nadiagonal fizeram uma intervenção e o Professor Mauro, figura lendária da cena musical paulistana, declamou poemas e contou histórias da canção brasileira, na primeira atividade da noite, intimista, com cara de sarau – o Centro Cultural Rio Verde propicia esse tipo de atividade, pois o espaço é confortável, harmônico e cercado de árvores. Confira as imagens de Ezyê Moleda clicando aqui.

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-59

O Jardim das Horas: Carlos Gadelha, Beto Gibbs, Rapahel Haluli e Laya Lopes, no circo, um dos espaços aconchegantes e diferentes do Centro Cultural Rio Verde. (Foto de Ezyê Moleda)

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-15O Sonso: Luka Schwab, o único homem vivo que consegue roubar, no palco, a cena de Daniel Groove, o próprio Daniel e Klaus Sena, no coreto do Centro Cultural Rio Verde (Foto de Ezyê Moleda)

© Ezyê Moleda- Mais Massa 5 - CCRV-42No palco do estúdio, os Los Porongas: Márcio Magrão, Diogo Soares, Jorge Anzol e João Eduardo. (Foto de Ezyê Moleda)

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Mais Massa, no Centro Cultural Rio Verde, dia 09/12, participa do evento “Pelota e Violão: uma tabelinha com o professor”

flyer_CCRV_Mais_massa“Pelota e violão – Uma tabelinha com o professor” apresenta Projeto Mais Massa em Coletivo Música Plural Brasileira

Uma noite para cantar o brasil. Artistas do novo rock fazem um bate-bola com a música plural brasileria. As bandas Los Porongas (AC), O Sonso (CE) e o Jardim das Horas (CE), com participações de Saulo Duarte (da Unidade), Sammliz (Madame Saatan) e mais um time de convidados, fazem um sarau em homenagem a grandes compositores da música brasileira que os influenciaram: Belchior, Benito di Paula, Milton Nascimento, Chico Buarque e outros grandes nomes numa noite sob a batuta do Professor Mauro David Cukierkorn.

Serviço

Centro Cultural Rio Verde (http://www.centroculturalrioverde.com.br/)
Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena
Dia 09/12 – Quarta-feira
Abertura da casa: 19h30
Início: 20h30
Shows: Los Porongas(AC), O Sonso(CE), O Jardim das Horas (CE)
Entrada: 15 inteira / 10 com nome na lista(lista@maismassa.com.br)
Convênio com estacionamento em frente: R$ 13,00

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O Jardim das Horas e Los Porongas, no Zé Presidente, 03 de dezembro, com participação do Julia Says

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O projeto Mais Massa entra, nesta quinta-feira, dia 3 de dezembro, em sua terceira semana no palco da casa Zé Presidente, na Vila Madalena, em São Paulo. Amanhã, a partir das 21h, se apresentam no espaço paulistano voltado à música independente as bandas O Jardim das Horas (http://www.myspace.com/ojardimdashoras) e Los Porongas (http://www.myspace.com/losporongas).

Para dar continuidade às participações especiais – e também à tentativa de ressignificar o trânsito da cidade – o show terá participação de Julia Says. O duo recifense, que foi formado em 2007, é composto Anthony Diego e Pauliño e tem como conceito a “música livre”, passeando por pelas diversas vertentes sonoras. No vídeo abaixo, a banda toca “Salto Alto” na session do programa Poploaded do iG, apresentado por Lucio Ribeiro e Fabio Massari:

Serviço
Mais Massa, com O Jardim das Horas e Los Porongas
Quinta-feira, 3 de dezembro, 21h
Espaço Zé Presidente
Rua Cardeal Arcoverde, 1545, Vila Madalena, São Paulo
Entrada, R$10

 

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Do Cidadão do Mundo para o mundo – Imagens de sábado

Na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo, a banda Assoma abriu a noite e na sequência, deu entrevistas ao vivo pela rádioweb da casa.

$SC07639Marcelo, do Cidadão do Mundo, coloca as canções e as palavras de Rato e Kb$$a, da banda Assoma, pra todo mundo ouvir (Foto de Xande, do Assoma)

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A banda Assoma quebra as Redomas na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo

Barizon_apresenta_VolverDa esquerda para a direita: Kleber (Volver); Robson (Cidadão do Mundo) e Tiago Barizon (Identidade Musical) fazem a apresentação oficial da banda, transmitida via radioweb; Fernando Barreto (Volver). Foto de Gigi Grasso

 $SC07655Na foto, da esquerda para a direita: Tiago Barizon e Rogério Duarte (Identidade Musical), Diogo Soares (Los Porongas), Xande, Paulinha  Balduíno, Kb$$a e Rato (agachado), da banda Assoma, a primeira a dividir os palcos com as bandas do Projeto Mais Massa.

IMG_2172 Volver conta com a participação do sempre irreverente Daniel Groove (Foto de Tiago Barizon)

 ZecaZeca Viana, do Volver, faz vibrarem os corações atonais (Foto de Gigi Grasso)

IMG_2206Los Porongas, com a participação de Bruno Souto, do Volver, fazem “Come Togheter”, dos Beatles, que vem ganhando um arranjo cada vez mais épico e experimental, a cada espetáculo Mais Massa (Foto de Tiago Barizon)

dupla_bruno_diogoBruno Souto (Volver) e Diogo Soares (Los Porongas) soltam a voz (Foto de Gigi Grasso)

joao_arrebentaA interpretação febril e intensa de João Eduardo, dos Los Porongas

 

Enquanto uns dormiam, nós cantávamos, até acabar a voz: aceitamos a cicatriz como perdão. De São Caetano do Sul para onde for tão perto ou tão certo.

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Essas imagens e novas temporadas – Volver, Los Porongas e Assoma

Para quem não foi à Livraria da Esquina ontem, Gigi Grasso, uma das maiores entusiastas e faz-tudo do Projeto Mais Massa, avisa que disponibilizará ao longo do dia, no Youtube, os vídeos dos shows. Ela própria subiu ao palco, com o pessoal do Volver:

E o Projeto Mais Massa não pára. Já divulgamos aqui as duas próximas temporadas do Projeto: uma no Cidadão do Mundo, em São Caetano, outra no Zé Presidente, na Vila Madalena.

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O primeiro show da temporada de São Caetano acontece já neste sábado, dia 14, com shows de Volver e Los Porongas. A data do dia 14 será histórica: pela primeira vez, uma banda paulista, em sua formação completa, sobe ao palco com duas bandas do Mais Massa: trata-se da Assoma, banda cuja canção “Redoma” já foi analisada no blog da Identidade Musical.

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A banda Assoma recebe o Projeto Mais Massa no próximo sábado, 14 de novembro, no Cidadão do Mundo, em São Caetano

O evento será importante por uma série de motivos. O primeiro deles diz respeito à postura do Projeto Mais Massa: embora seja formado por bandas de fora do Estado de São Paulo, o projeto tem espaço aberto para as bandas daqui. Em outras palavras, o Projeto Mais Massa tem como princípios o trânsito e o diálogo, sintetizados no conceito de geografia lendária da canção, em que se elimina a regionalidade (que, muitas vezes, infelizmente, exclui), substituída pelo conceito de integração:

Se o século XX tivesse proporcionado ao Brasil apenas a configuração de sua canção popular, poderia talvez ser criticado por sovinice, mas nunca por mediocridade. Os cem anos foram suficientes para a criação, consolidação e e disseminação de uma prática artística que, além de construir a identidade sonora do país, se pôs em sintonia com a tendência mundial de traduzir os conteúdos humanos relevantes em pequenas peças formadas de melodia e letra.

Luiz Tatit, O Século da Canção

O Projeto Mais Massa tem o sonho de contribuir, direta ou indiretamente, com a construção da identidade sonora do país – e não apenas com a das cidades de origem de cada uma das bandas. Abusando das palavras de Luiz Tatit, professor de Semiótica da Canção da USP, compositor e precursor da cena independente, as canções das bandas do Projeto Mais Massa - e as composições que seus integrantes têm feito conjuntamente - traduzem em melodia e letra conteúdos humanos relevantes, tendência mundial que se potencializa em cada noite do projeto. Assim, a participação do Assoma e a pequena viagem de São Paulo a São Caetano – cidades vizinhas e afins, mas ao mesmo tempo tão distantes – faz que o projeto dê mais um passo na geografia lendária da canção.

Não é só isso. Quem consultar os arredores do Cidadão do Mundo no Google Maps perceberá que o bairro exala a Brasil – estaremos na Rua Rio Grande do Sul, quase esquina com a Pará, próximos da João Pessoa, Amazonas e Niterói. Acaso? Provavelmente não. É a integração nacional, já proposta por Mário de Andrade na forma literária da rapsódia Macunaíma, alcançada pelo Mais Massa por meio da canção. 

Outro detalhe: o Cidadão do Mundo lançou recentemente a coletânea ABC do Som - de que a Assoma faz parte – e, no texto de apresentação do projeto, Mao, dos Garotos Podres, afirma que a região do ABC paulista está tradicionalmente ligada ao rock devido ao desenraizamento de sua população de migrantes, livres das amarras do conservadorismo e propensa à urbanidade e ao cosmpolitismo. Não há, portanto, espaço melhor para fazer espetáculos do Mais Massa, já que as bandas que integram o projeto vieram de diferentes pontos do Brasil, para se integrar, por meio das curvas melódicas da canção, a ele.

Finalmente: os fãs que não puderem ir ao espetáculo podem ouvi-lo por meio da Webrádio Cidadão do Mundo, que, além de transmitir o evento, fará entrevistas com as bandas. De São Caetano do Sul para a geografia lendária da canção brasileira.  

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Essas canções

A primeira temporada do Projeto Mais Massa na Livraria da Esquina terminou ontem, com o esperado Show Coletivo: Volver, Madame Saatan, O Sonso, Saulo Duarte e a Unidade, O Jardim das Horas e Los Porongas, nessa ordem, seguidos pelo projeto Oldcats, fizeram a festa, partilharam palco e canções, homenagens e lágrimas.

O curioso foi que, na segunda-feira, recebi um email com o endereço eletrônico fantasmadomario@gmail.com e com o título “Carta pros Mais Massas” que dizia o seguinte:

Ao mui querido cronista do Projeto Mais Massa:

Não lhe terá surpreendido pouco receber esta mensagem – por este meio que os homens de seu tempo chamam de virtual – de um autor já defunto. Tenho certeza de que hei de surpreendê-lo ainda mais quando afirmar que lhe escrevo para confirmar presença nesse seu evento Mais Massa.

Chamei Manu Bandeira, mas ele acostumou-se à pensãozinha burguesa do céu e não quer ir. Chamei Machado, mas ele disse que tinha medo de se deixar tomar pelas canções e perder a compostura. Chamei Alencar, mas ele já tinha ido visitar Iracema, em Mecejana, inspirado pelas canções d’O Jardim das Horas. Chamei Oswaldo, mas ele disse que deixava pra uma próxima.

Ora, a falta de companhia não me arranha as convicções do espírito não. Vou nesse show coletivo e, se eu não fosse ectoplasma, gravava tudo que acontece nesses espetáculos e incluía nos registros da Missão de Pesquisas Folclóricas. Ou não. Na verdade, nunca pesquisei canções que não fossem folclóricas – e esses Mais Massas é que foram me acordar lá céu, com essas melodias, essas letras, esses arranjos, essas canções, toda essa arte. E esses Mais Massas demostraram um troço que eu já tinha escrito no Ensaio sobre a Música Brasileira: música brasileira – me corrijo, e escrevo canção brasileira - não precisa ser exótica pra ser boa e brasileira.

Aviso já: prepara os Mais Massas para um poema que vou ler, no palco, dedicado a esse Tiago Barizon, que dizem que entende mais de música do que eu. Aqui no além os manda-chuvas nos deixam aparecer entre os vivos umas poucas vezes ao longo de toda a eternidade. Vou gastar meu tempo aí com vocês. Não vão me decepcionar.

Ci, a Mãe do Mato, protege todos vocês!

O Ectoplasma Literário, Mário de Andrade“ 

Os organizadores do Projeto Mais Massa não puderam dizer não, e abriram espaço para o fantasma, que apareceu antes do show dos Los Porongas. Algumas imagens da noite e o poema escrito pelo ectoplasma seguem abaixo:

Show_coletivo05Show_coletivo01

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na foto à esquerda: Laya Lopes, (O Jardim das Horas), Sammliz (Madame Saatan), Diogo Soares (Los Porongas) e Gigi Grasso, de volta aos palcos. À direita: nem o gesso consegue fazer Daniel Groove parar de compor e de emocionar o público

Show_coletivo06

Daniel Groove e Saulo Duarte são dupla garantida nos palcos do Projeto Mais Massa. 

Show_coletivo02

Bruno, do Volver, toca com Los Porongas. Abaixo, o poema declamado pelo fantasma de Mário de Andrade.

Canção daqui 

É o comportamento físico que materializa as contradições entre indivíduo e massa. E é claro que o indivíduo só pode ser alcançado por meio da massa.

Adaptado do primeiro texto do livro Introdução ao teatro dialético – experimentos da Companhia do Latão, de Sérgio de Carvalho

Para Tiago Barizon

Na geografia lendária da canção
não há Rio Branco, Belém do Pará,
Recife ou Fortaleza
                                               Há beleza

Gosto do sabor adocicado das areias, das ondas do mar sagrado,
de onde quer que seja,
e me recuso à procura aqui ou acolá – eu sei lá! –
do exílio exuberante de quem está de fora.

Aqui não tem exílio, bizarria gritante ou
luneta européia que inverte o cruzeiro
numa bandeira às avessas.

Na geografia lendária da canção
nada precisa dar certo –
aqui é o bate-centro do igarapé
Tietê, Amazonas, Capibaribe, São Francisco
Rio Vermelho ou azul, rio escuro,
que me importa?
O fumacê da marginal e do poeta marginal recendem a poesia
Sintonia fina em que iracemas
                                               Vivam todas elas!
Assumem formas disformes de etnia obscura
tarjada de povos que já não são senão estes aqui!

A geografia lendária da canção
faz curvas melódicas na estrada de Santos
porque não precisa dar em lugar nenhum
e aí alcança todos os lugares, de trem ou de avião.

Mas não tem luz mais aqui – onde?
– eu nunca fui sócio da light – eu pago não pago minhas contas –
E as estrelas ficam querendo brilhar
– bruxuleia um céu vermelho no ABC, é o que dizem os desesperados,
e vibra musical o horizonte do João em Jundiaí, é o que me noticia o pai –

E aqui as estrelas insistem em brilhar – só eu vejo?
Não apareceu na Veja?

(E o Rio Tietê, onde me leva?
Sarcástico, ele me proíbe as praias e o mar,
me leva pra Itaipu e Furnas mortas, desligadas
é insistente turrão paulista que me leva pras tempestades humanas.

Na geografia lendária da canção, onde vai desaguar esse rio?
Eu não sei
Talvez na fremente celebração do Universal?
Talvez leve à breca o destino do poeta?
Talvez aos tempos de antes de eu nascer?
Talvez num tiquinho de fatalidade do progresso?
Talvez num sentimento pachorrento de ganhar dinheiro, de comer e de dormir?)

Eu não sei, ninguém não sabe.
E o futuro talvez seja mesmo o refrigerante plástico com gosto de cola
que nos deixa a todos melancólicos histéricos.

                É mentira!
Não faltam aqui os estimulantes afetivos de ordem moral
Nem os de atividade mental.

Na geografia lendária da canção não tem guerra ou paz
                                               Tem amor – e o amor aconteceu
Não tem tempo, tudo está escuro
porque existe um ser sensível por trás de toda voz que entoa, querida
– e eu preciso te contar da minha vida, do meu amor de piração –
aqui tem ebós, matintas, cruzes.
A cidade – que cidade é esta? – que
só dança quando passa a última vela
e no aqui completo, escuro, vejo a claridade do que é real
Eu sei lá!
Tão perto, por onde for tão certo
Sigo rumo ao Cruzeiro.

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À esquerda: Mário de Andrade, na época em que ainda não tinha virado estrelinha lá no céu. À direita: o fantasma do escritor, declamando a “Canção daqui”, escrita especialmente para o Projeto Mais Massa.

Todas as fotos de Bernie Walbenny, exceto a de Mário de Andrade, à esquerda. Veja outras fotos da noite clicando aqui. Logo mais, a fotógrafa Ezyê Moleda publicará outras fotos no blog de fotos do Projeto Mais Massa: www.maismassa.wordpress.com

 

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Quarta Noite Mais Massa: Show Coletivo e próximas datas

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O Projeto Mais Massa chega ao final de sua primeira temporada mais embalado do que nunca. As seis bandas que participam do projeto consagram o início de um sonho, na próxima quarta-feira, dia 11 de novembro, com um show coletivo, cheio de surpresas para o público que vem acompanhando fielmente as apresentações, além do agendamento de novos shows.

Uma característica marcante do Mais Massa são as participações especiais, em que as bandas que tocam na noite recebem convidados, integrantes de outros conjuntos, do projeto ou de fora dele. Afinal, o objetivo é muito claro: fazer mais barulho, formar público em São Paulo e acentuar o potencial criativo das bandas.

Na primeira noite, que aconteceu em 21 de outubro, na Livraria da Esquina, tocaram os acreanos dos Los Porongas e os cearenses da banda O Sonso – e a noite foi do conceito de urbanidade amazônica, proposto pelos Porongas, às fusões de MPB, rock e música brega do Sonso. O clima foi de festa inaugural, que prometia e já conseguiu continuidade: a agenda de novembro e dezembro já está cheia (veja calendário no fim deste texto) e a de 2010 já começa a ser preenchida.

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 Sammliz (Madame Saatan) e Laya (O Jardim das Horas): as vocalistas fizeram “Summertime”, de Gershwin, na terceira noite do Projeto Mais Massa

Na segunda noite, em 28 de outubro, apresentaram-se O Jardim das Horas e Saulo Duarte e a Unidade. Mais uma vez, sonoridades e propostas diversas – mas que não se excluem, ao contrário, se completam – dialogaram no palco: o público dançou com a fusão da moderna música eletrônica com as raízes musicais brasileiras, proposta pelos cearenses d’O Jardim das Horas, e com as canções do paraense Saulo Duarte e a banda A Unidade.

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 Daniel Groove (O Sonso), Bruno Souto (Volver), Diogo Soares (Los Porongas) e Saulo Duarte (Saulo Duarte e a Unidade): os vocalistas compõem e se divertem juntos. É a integração proposta no Projeto Mais Massa

Na terceira noite, em 04 de novembro, os pernambucanos do Volver arrepiaram a platéia com as canções do álbum Acima da chuva, de 2008, sucesso de público e de crítica. O projeto foi concluído com a sonoridade pesada dos paraenses do Madame Saatan, banda também consagrada no cenário da atual música independente brasileira. Mais uma vez, o clima foi de confraternização: as bandas, a Livraria da Esquina e a Identidade Musical apostam no sucesso do projeto, pela qualidade das propostas e pelo empenho de todos os envolvidos.

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Foto histórica: a proposta do Mais Massa é integrar, circular, compor e fazer barulho em São Paulo.

Em pé: Bernie Walbenny (produtor do Madame Saatan), Zeca Viana (Volver), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Klaus Sena (O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade), Heitor (da Livraria da Esquina, entusiasta do projeto; sem ele, tudo seria mais difícil), Sammliz (Madame Saatan), Ivan Vanzar (Madame Saatan), Jorge Anzol (Los Porongas), Tiago Barizon (Identidade Musical), Tatá Muniz e Jully Pop (da banda Julia Car, que marcou presença na última quarta).  

Sentados: Ícaro Suzuki (Madame Saatan), Bruno Souto (Volver), Ed Guerreiro (Madame Saatan), Rogério Duarte (Identidade Musical) e Fernando Barreto (Volver)

Assim, a quarta e última noite, que acontecerá em 11 de novembro, promete ser uma grande festa, com o palco recebendo ectoplasmas literários (autores-defuntos?) que prometem aparecer e declamar seus trabalhos, encontros inusitados e inesquecíveis e o repertório surpreendendo e arrepiando, como aconteceu em todas as noites do Projeto Mais Massa.

Todos

Em pé: Bernie Walbenny (produtor do Madame Saatan), Ivan Vanzar (Madame Saatan), Zeca Viana (Volver), Diogo Soares (Los Porongas), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Klaus Sena (O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade), Daniel Groove (O Sonso), Bruno Souto (Volver), João Leão (Saulo Duarte e a Unidade), Saulo Duarte e Jorge Anzol (Los Porongas)

Sentados: Ed Guerreiro, Sammliz, Ícaro Suzuki (Madame Saatan), Tiago Barizon, Rogério Duarte (Identidade Musical), Fernando Barreto (Volver), Fábio Cardelli (da banda paulistana Visitantes, que ruma neste momento para uma tour pelo nordeste) e João Eduardo (Los Porongas)

A grande novidade é que o Projeto Mais Massa, com poucos meses de existência, já deu frutos: temos datas marcadas para apresentações no Cidadão do Mundo, no centro de  São Caetano do Sul, e no Zé Presidente, na Vila Madalena, em São Paulo. Além disso, a equipe de produção também conta agora com o pessoal da Punksaravá, que engrossa o caldo da geografia lendária da canção brasileira: o Projeto deve a eles as datas no Zé Presidente.

Calendário do Projeto Mais Massa: Novembro e Dezembro

Cidadão do Mundo – Rua Rio Grande do Sul,  73 - centro de São Caetano do Sul
14/11 – Volver + Los Porongas
21/11 – O Sonso + Saulo Duarte e a Unidade
28/11 – Madame Saatan + O Jardim das Horas
 
Zé Presidente – Rua Cardeal Arcoverde, 1545, Vila Madalena, São Paulo
19/11 – Madame Saatan + Saulo Duarte e a Unidade
26/11 – Sonso + Volver
03/12 – O Jardim das Horas + Los Porongas

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Primeira noite, primeiras repercussões: a geografia lendária do Projeto + Massa

Ninguém vai se esquecer da noite de abertura do + Massa, seja por tudo que ela representa na história das bandas e das pessoas envolvidas no projeto, seja pela pela qualidade dos espetáculos. Tudo conspirou para que a noite fosse perfeita, como de fato foi: os convidados e os amigos compareceram e tiveram participação mais que especial; o som tinha qualidade; os shows foram intensos – shows que, em todos os sentidos, fizeram o barulho necessário para mostrar a que vieram e o que pretendem as bandas envolvidas no Projeto + Massa.

Talvez não seja vão, portanto, redigir este post tentando reproduzir em palavras a energia criativa que irradiava da Livraria da Esquina na noite de quarta-feira. Arrisco dizer, em primeiro lugar, que a força que ardia no palco era tão poderosa que as vozes e os versos de Diogo Soares e Daniel Groove, bem como os arranjos dos Los Porongas e do Sonso, acabaram acordando o fantasma do escritor Mário de Andrade, que vaga solitário até hoje pelas bandas da Barra Funda, mais especificamente na Rua Lopes Chaves. Ele ouviu a bateria de Jorge Anzol, a guitarra de João, o baixo de Magrão e ficou se perguntando que canção era aquela, que vinha de uma livraria, mas que lembrava a amazônia e era tão urbana e paulista, tudo a um só tempo:

 

Pude ver o fantasma do poeta de relance, no espelhamento das portas de vidro, na entrada da Livraria da Esquina, em que se misturam grandes autores (como o próprio Mário de Andrade e Fernando Pessoa) outros fantasmas famosos (como Freddy Krueger), os integrantes das bandas do + Massa e o público que fuma do lado de fora:

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Tentei pedir à fotógrafa Ezyê Moleda, colaboradora do projeto, que faz a cobertura fotográfica dos eventos, que tentasse registrar a visagem e a presença do poeta modernista. Em vão. Ele apagara o cigarro – estava apressado para entrar – e fora assistir ao show dos Los Porongas. Mário de Andrade não pôde acreditar, inicialmente, que um conjunto do Acre poderia fazer música urbana. Perdoei o escritor, porque ele não conhecia o conceito de urbanidade amazônica, explicado pelos Los Porongas no encarte do primeiro CD. Mais do que isso: Mário de Andrade ficou meio pirado quando descobriu (depois de perguntar a Ícaro, do Madame Saatan) que o moço de cabelo desarrumado que cantava com os Porongas não era paulistano. Mário de Andrade encantou-se com “Nada Além” – porque achou que aquela canção falava sobre São Paulo – e se deslumbrou com a participação de Hélio Flanders, do Vanguart:

E o poeta paulistano pensou assim: ao escrever Macunaíma, imaginou que as viagens desse herói pelo Brasil eram, no contexto do livro, uma forma de integrar e unificar a nossa “pátria tão despatriada”. Na obra prima de Mário de Andrade, Macunaíma voa pelo país com a ajuda de um tuiuiu, correndo distâncias enormes num bater de asas, numa geografia lendária que liberta o Brasil das contigências regionais e o integra de fato (interpretação que roubei da estudiosa Gilda de Mello e Souza). E o escritor ficou um pouco enciumado, porque percebeu que as bandas e os convidados do Projeto + Massa faziam exatamente isso, naquele momento: integravam o Brasil todo, em todas sonoridades e sotaques, na geografia lendária da canção, que está em todos os lugares.

Mas os ciúmes de Mário de Andrade não duraram nem num átimo de segundo, porque logo depois entrou O Sonso no palco, e Daniel Groove foi logo abrindo o jogo:

O Projeto + Massa é um bate-centro, aprendeu Mário de Andrade. Não é um projeto fechado, nem limita os participantes a proposta estéticas ou mercadológicas: a diversidade é o núcleo do + Massa. E o fantasma do poeta modernista ficou feliz, porque ele sempre soube que a vocação de São Paulo foi fazer fluir – vocação que estava perdida com as máquinas fordes chevrolés dodges, que deveriam fazer circular, mas que faziam a cidade parar. Mas brilhou a estrela de Daniel Groove, e o fantasma do poeta dançou e se emocionou com os “Retalhos de Cetim”, de Benito di Paula, na versão do Sonso, com Luka Schwab na guitarra, Klaus Sena no baixo, Felipe Maia na bateria e a participação de Marcelo Vourakis, tudo no vídeo acima.

O fantasma de Mário de Andrade cantou, riu, saiu pra fumar lá fora, bebeu, riu muito mais com as tiradas de Daniel Groove, e dançou animado com a participação de Saulo Duarte no show do Sonso:

E finalmente o fantasma do modernista se impressionou com o número coletivo, ao final, com Bruno Souto, do Volver, O Sonso e Los Porongas, no palco, na geografia lendária da canção:

Posso jurar que vi o fantasma de Mário de Andrade subir no palco e entoar, junto com Diogo Soares e Bruno Souto, os versos “Nada / Vai fazer com que eu / me desfaça de tudo…” – mas nossa tecnologia e nossa ciência ainda não conseguem captar de forma completa as vibrações e encontros dessa magnitude. Era preciso estar lá para ver.

Mário de Andrade abraçou os músicos e, antes de ir embora, acenou para Tiago Barizon, que lhe pediu que voltasse. O poeta sorriu e afirmou que numa noite como aquela, cada uma daquelas pessoas era uma estrela no céu, como ele e Macunaíma. O que se confirmou, quando vimos a nota que saiu no site do Cesar Giobbi:

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Os registros e a divulgação da primeira noite do Projeto + Massa seriam impossíveis sem a contribuição inestimável de Aline Ridolfi, da Punksaravá, Camila Comte, Gigi Grasso, Fábio Cardelli, do Escárnio e Osso, e todos os funcionários da Livraria da Esquina, além da já citada fotógrafa Ezyê Moleda. As seis bandas e a Identidade Musical agradecem a todas essas pessoas, pois somente com elas o sonho do Projeto + Massa pode decolar.

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Conheça os convidados da primeira noite do + Massa

Estão confirmadas as participações para amanhã, na primeira noite do Projeto + Massa na Livraria da Esquina: nos shows de O Sonso e Los Porongas, contaremos com as participações de Hélio Flanders, do Vanguart, Raphael Haluli, da banda O Jardim das Horas, Marcelo Vourakis, do Supergalo, e Saulo Duarte.

Hélio Flanders é vocalista do Vanguart – uma das bandas independentes que mais têm se destacado no cenário nacional, com a gravação recente do DVD Multishow ao vivo. No vídeo abaixo, em entrevista com Thunderbird, no programa Thunderview do site Showlivre, Hélio relata a experiência intensa de chegada a São Paulo:

Raphael Haluli, da banda O Jardim das Horas, é um dos idealizadores do Projeto + Massa e vai fazer, com os Los Porongas, a versão de “Asa Branca” já apresentada anteriormente no Estúdio Showlivre e no Festival Varadouro 2009:

A apresentação dessa canção é um bom exemplo do que vai rolar nos espetáculos do Projeto + Massa: referente ao ambiente iminentemente rural, sertanejo, “Asa Branca” tornou-se um dos clássicos da canção brasileira. Mas, agora, as aflições inscritas na letra e nos arranjos da canção são reatualizados pelos Los Porongas – que acabam por urbanizar a canção, conferindo-lhe novos sentidos.

Além de Hélio Flanders e Raphael Haluli, a primeira noite do Projeto + Massa contará também com a participação de Marcelo Vourakis, da banda Supergalo, no vídeo abaixo com a canção “Bombando em Bagdá”:

Saulo Duarte também é um dos idealizadores do + Massa e participou do show da banda O Sonso, na última quinta-feira, em que aconteceu o primeiro espetáculo do projeto. No vídeo abaixo, Saulo Duarte e Unidade fazem “Além da Fé”:

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