As Vozes Di Cavalcanti ao fundo

Na esquina da Martin Fontes com a Avenida São Luiz, com o painel de Di Cavalcanti, “Imprensa” ao fundo, os vocalistas do Projeto Mais Massa, da esquerda para a direita: Diogo Soares (Los Porongas), Bruno Souto (Volver), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Daniel Groove (O Sonso) e Saulo Duarte (Saulo Duarte e a Unidade)

A foto acima diz muito a respeito da integração do Projeto Mais Massa com a cidade de São Paulo. Aproveitamos para lembrar que nesta quinta-feira, na Livraria da Esquina, a Volver recebe a banda Anacrônica, que vai abrir o show do Franz Ferdinand em São Paulo.

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Volver recebe a banda Anacrônica, de Curitiba, dia 18/03, na Livraria da Esquina

No dia 18 de março, quinta-feira, a partir das 22h, na Livraria da Esquina, acontece mais uma edição do Projeto Mais Massa, em que a banda Volver recebe a Anacrônica, de Curitiba.

Volver (www.myspace.com/volverbrasil)

A pernambucana Volver, que a partir de junho passou a residir em São Paulo, já vem conseguindo espaços importantes na capital paulista e no Brasil. Formada por Bruno Souto (vocal e guitarras), Fernando Barreto (baixo e vocais), Zeca Viana (bateria e vocais) e Kleber Croccia (guitarra e vocais), a banda vem viajando o país, viabilizando melhor a carreira e também conquistando a simpatia de um novo público.

O grupo, que lançou no ano em 2008 o seu segundo disco, o elogiado “Acima da Chuva” (Senhor F Discos), consolidou sua carreira no Recife, tendo participado de importantes festivais na cidade como Abril pro Rock e No Ar: Coquetel Molotov. Lançado virtualmente através do MySpace, o disco atingiu a marca de 60 mil downloads no período de 30 dias, em que ficou disponível integralmente. Hoje essa marca se aproxima dos 100 mil downloads.

Anacrônica (www.myspace.com/bandaanacronica)

O cineasta François Truffaut (1932-1984) esperava duas coisas de um diretor: que fosse, de fato, um artista, e que tivesse ambição. “Deus e os loucos” (Independente, 2009), álbum de estréia do Anacrônica, cumpre as duas expectativas. Morda ou assopre, o rock muitíssimo bem tocado – e nunca diluído – pelo quarteto curitibano ainda vai além. O fim da década tem, enfim, sua trilha sonora urbana, graças a Sandra Piola (voz), Bruno Sguissardi (guitarra e voz), Marcelinho (baixo) e Marcelo Bezerra “Gordo” (bateria).

Em setembro passado, o primeiro single “Eles me querem assim” foi indicado pela Revista Rolling Stone na sessão “Ouça Também”, que decretou: “A faixa é guiada pela voz marcante de Sandra Piola em uma levada meio blues e cheia de camadas instrumentais. No meio vira uma bossinha maliciosa que logo desemboca numa catarse sonora.” A música entrou no Hotlist do site da revista e vem sendo executada em várias rádios do país. O videoclipe do single já está sendo veiculado na MTV Brasil. As viagens para Sul e Sudeste são rotina para a Anacrônica. “Está acontecendo como a gente sempre imaginou, aos poucos, e em função do empenho da banda e da força dos nossos sonhos”, comenta Sandra. Os sonhos têm nomes. São as canções de “Deus e os loucos”, como “O que será”, “Um Adeus” e “Vestígios”, além da já clássica faixa-título.

Serviço
Projeto Mais Massa: bandas Volver e Anacrônica
Quinta-feira, 18/03/10
Livraria da Esquina – Rua do Bosque, 1254 – Barra Funda, São Paulo
Abertura da casa às 22h – Shows depois das 23h
Entrada: R$ 15 ou R$ 10 com nome na lista (lista@maismassa.com.br)

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Novo canal SMS do projeto Mais Massa

Glauber Rocha, assim como tantos outros fantasmas que marcaram presença no Mais Massa, aprova e recomenda o uso do SMS

Glauber Rocha, assim como tantos outros fantasmas que marcaram presença no Mais Massa, aprova e recomenda o uso do SMS

O Mais Massa nasceu de uma vontade de unir e ver, mostrar trabalhos e se conectar. Então mais do que somente pela tecnologia em si, o Mais Massa quer usar seu novo canal SMS para distribuir música, organizar encontros, interligar os amigos. O ano de 2009 está acabando mas 2010 nem chegou e já tem promessas de muita coisa para rolar.

Usar o canal SMS do Mais Massa é fácil. Basta enviar “assinar maismassa” para o número 49523. Mais Massa assim mesmo, tudo juntinho. Depois confirma a assinatura e pronto. No máximo três mensagens por semana que podem dar entradas VIP, downloads de faixas exclusivas, marcar encontros com os amigos, CDs das bandas. Atente que o serviço tem um custo por mensagem de R$0,31, menos que um chiclete, afinal a gente é bonito e perfumado mas ainda não temos nossa própria operadora de celular. E deixar o serviço é fácil, a qualquer momento é só enviar “sair” para 49523 e não mandaremos mais nossas preciosas dicas!

E a partir de hoje já tá valendo! Quem assinar já pode levar um par de ingressos para o show do Volver e d’O Sonso no Zé Presidente!

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No Acesso MTV, Volver apresenta canção nova

No vídeo, a banda Volver apresenta, no programa Acesso MTV, a canção “Próxima Estação” – que já é conhecida do público que tem frequentado as noites Mais Massa e já pode ser ouvida no Myspace da banda. Quem aparecer no Zé Presidente, terá a chance de conferir a canção ao vivo.

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Zé Presidente, quinta, dia 26: O Sonso e Volver, com abertura de Gleisson Jones e participação de Gerson Conrad, dos Secos e Molhados

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O Projeto Mais Massa não desacelera, nem para podermos começar a pensar na ceia de natal e na viagem de ano novo! Na temporada do Zé Presidente quem se apresenta nesta quinta é o Volver, que participou ontem do Acesso MTV, e o Sonso.

gleisson_myspace_releaseDando continuidade às participações especiais e à tentativa de ressignificar o trânsito  da cidade, o show de quinta-feira será aberto por Gleisson Jones (na foto à esquerda), compositor recifense “urbano, demasiado urbano”, nas palavras dele próprio. Gleisson promete abrir a noite com canções fortes como “Lolita na Rua Amparo”, cuja letra impressiona pela crueza, e “Todo Mundo”, uma ode ao erro. gerson_conrad

Além do show de abertura de Gleisson, contaremos também com a participação mais que especial do paulistano Gerson Conrad (na foto à direita), um dos membros dos históricos Secos & Molhados, banda de apenas dois anos de existência (1972 a 1974), mas que deixou marcas profundas na canção brasileira. Hoje, Conrad segue carreira com a Gerson Conrad e Trupi, com novo repertório e antigos sucessos com uma nova roupagem. Ele fará participação especial no show d’O Sonso – que promete fazer um espetáculo imperdível.

Mais Massa com Volver e O Sonso. Abertura de Gleisson Jones e participação especial de Gerson Conrad
Quinta, 26/11, às 21h
Espaço Zé Presidente
Rua Cardeal Arcoverde, 1545 – Vl. Madalena
Entrada: R$10,00

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Do Cidadão do Mundo para o mundo – Imagens de sábado

Na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo, a banda Assoma abriu a noite e na sequência, deu entrevistas ao vivo pela rádioweb da casa.

$SC07639Marcelo, do Cidadão do Mundo, coloca as canções e as palavras de Rato e Kb$$a, da banda Assoma, pra todo mundo ouvir (Foto de Xande, do Assoma)

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A banda Assoma quebra as Redomas na primeira noite do Projeto Mais Massa no Cidadão do Mundo

Barizon_apresenta_VolverDa esquerda para a direita: Kleber (Volver); Robson (Cidadão do Mundo) e Tiago Barizon (Identidade Musical) fazem a apresentação oficial da banda, transmitida via radioweb; Fernando Barreto (Volver). Foto de Gigi Grasso

 $SC07655Na foto, da esquerda para a direita: Tiago Barizon e Rogério Duarte (Identidade Musical), Diogo Soares (Los Porongas), Xande, Paulinha  Balduíno, Kb$$a e Rato (agachado), da banda Assoma, a primeira a dividir os palcos com as bandas do Projeto Mais Massa.

IMG_2172 Volver conta com a participação do sempre irreverente Daniel Groove (Foto de Tiago Barizon)

 ZecaZeca Viana, do Volver, faz vibrarem os corações atonais (Foto de Gigi Grasso)

IMG_2206Los Porongas, com a participação de Bruno Souto, do Volver, fazem “Come Togheter”, dos Beatles, que vem ganhando um arranjo cada vez mais épico e experimental, a cada espetáculo Mais Massa (Foto de Tiago Barizon)

dupla_bruno_diogoBruno Souto (Volver) e Diogo Soares (Los Porongas) soltam a voz (Foto de Gigi Grasso)

joao_arrebentaA interpretação febril e intensa de João Eduardo, dos Los Porongas

 

Enquanto uns dormiam, nós cantávamos, até acabar a voz: aceitamos a cicatriz como perdão. De São Caetano do Sul para onde for tão perto ou tão certo.

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Essas imagens e novas temporadas – Volver, Los Porongas e Assoma

Para quem não foi à Livraria da Esquina ontem, Gigi Grasso, uma das maiores entusiastas e faz-tudo do Projeto Mais Massa, avisa que disponibilizará ao longo do dia, no Youtube, os vídeos dos shows. Ela própria subiu ao palco, com o pessoal do Volver:

E o Projeto Mais Massa não pára. Já divulgamos aqui as duas próximas temporadas do Projeto: uma no Cidadão do Mundo, em São Caetano, outra no Zé Presidente, na Vila Madalena.

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O primeiro show da temporada de São Caetano acontece já neste sábado, dia 14, com shows de Volver e Los Porongas. A data do dia 14 será histórica: pela primeira vez, uma banda paulista, em sua formação completa, sobe ao palco com duas bandas do Mais Massa: trata-se da Assoma, banda cuja canção “Redoma” já foi analisada no blog da Identidade Musical.

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A banda Assoma recebe o Projeto Mais Massa no próximo sábado, 14 de novembro, no Cidadão do Mundo, em São Caetano

O evento será importante por uma série de motivos. O primeiro deles diz respeito à postura do Projeto Mais Massa: embora seja formado por bandas de fora do Estado de São Paulo, o projeto tem espaço aberto para as bandas daqui. Em outras palavras, o Projeto Mais Massa tem como princípios o trânsito e o diálogo, sintetizados no conceito de geografia lendária da canção, em que se elimina a regionalidade (que, muitas vezes, infelizmente, exclui), substituída pelo conceito de integração:

Se o século XX tivesse proporcionado ao Brasil apenas a configuração de sua canção popular, poderia talvez ser criticado por sovinice, mas nunca por mediocridade. Os cem anos foram suficientes para a criação, consolidação e e disseminação de uma prática artística que, além de construir a identidade sonora do país, se pôs em sintonia com a tendência mundial de traduzir os conteúdos humanos relevantes em pequenas peças formadas de melodia e letra.

Luiz Tatit, O Século da Canção

O Projeto Mais Massa tem o sonho de contribuir, direta ou indiretamente, com a construção da identidade sonora do país – e não apenas com a das cidades de origem de cada uma das bandas. Abusando das palavras de Luiz Tatit, professor de Semiótica da Canção da USP, compositor e precursor da cena independente, as canções das bandas do Projeto Mais Massa - e as composições que seus integrantes têm feito conjuntamente - traduzem em melodia e letra conteúdos humanos relevantes, tendência mundial que se potencializa em cada noite do projeto. Assim, a participação do Assoma e a pequena viagem de São Paulo a São Caetano – cidades vizinhas e afins, mas ao mesmo tempo tão distantes – faz que o projeto dê mais um passo na geografia lendária da canção.

Não é só isso. Quem consultar os arredores do Cidadão do Mundo no Google Maps perceberá que o bairro exala a Brasil – estaremos na Rua Rio Grande do Sul, quase esquina com a Pará, próximos da João Pessoa, Amazonas e Niterói. Acaso? Provavelmente não. É a integração nacional, já proposta por Mário de Andrade na forma literária da rapsódia Macunaíma, alcançada pelo Mais Massa por meio da canção. 

Outro detalhe: o Cidadão do Mundo lançou recentemente a coletânea ABC do Som - de que a Assoma faz parte – e, no texto de apresentação do projeto, Mao, dos Garotos Podres, afirma que a região do ABC paulista está tradicionalmente ligada ao rock devido ao desenraizamento de sua população de migrantes, livres das amarras do conservadorismo e propensa à urbanidade e ao cosmpolitismo. Não há, portanto, espaço melhor para fazer espetáculos do Mais Massa, já que as bandas que integram o projeto vieram de diferentes pontos do Brasil, para se integrar, por meio das curvas melódicas da canção, a ele.

Finalmente: os fãs que não puderem ir ao espetáculo podem ouvi-lo por meio da Webrádio Cidadão do Mundo, que, além de transmitir o evento, fará entrevistas com as bandas. De São Caetano do Sul para a geografia lendária da canção brasileira.  

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Essas canções

A primeira temporada do Projeto Mais Massa na Livraria da Esquina terminou ontem, com o esperado Show Coletivo: Volver, Madame Saatan, O Sonso, Saulo Duarte e a Unidade, O Jardim das Horas e Los Porongas, nessa ordem, seguidos pelo projeto Oldcats, fizeram a festa, partilharam palco e canções, homenagens e lágrimas.

O curioso foi que, na segunda-feira, recebi um email com o endereço eletrônico fantasmadomario@gmail.com e com o título “Carta pros Mais Massas” que dizia o seguinte:

Ao mui querido cronista do Projeto Mais Massa:

Não lhe terá surpreendido pouco receber esta mensagem – por este meio que os homens de seu tempo chamam de virtual – de um autor já defunto. Tenho certeza de que hei de surpreendê-lo ainda mais quando afirmar que lhe escrevo para confirmar presença nesse seu evento Mais Massa.

Chamei Manu Bandeira, mas ele acostumou-se à pensãozinha burguesa do céu e não quer ir. Chamei Machado, mas ele disse que tinha medo de se deixar tomar pelas canções e perder a compostura. Chamei Alencar, mas ele já tinha ido visitar Iracema, em Mecejana, inspirado pelas canções d’O Jardim das Horas. Chamei Oswaldo, mas ele disse que deixava pra uma próxima.

Ora, a falta de companhia não me arranha as convicções do espírito não. Vou nesse show coletivo e, se eu não fosse ectoplasma, gravava tudo que acontece nesses espetáculos e incluía nos registros da Missão de Pesquisas Folclóricas. Ou não. Na verdade, nunca pesquisei canções que não fossem folclóricas – e esses Mais Massas é que foram me acordar lá céu, com essas melodias, essas letras, esses arranjos, essas canções, toda essa arte. E esses Mais Massas demostraram um troço que eu já tinha escrito no Ensaio sobre a Música Brasileira: música brasileira – me corrijo, e escrevo canção brasileira - não precisa ser exótica pra ser boa e brasileira.

Aviso já: prepara os Mais Massas para um poema que vou ler, no palco, dedicado a esse Tiago Barizon, que dizem que entende mais de música do que eu. Aqui no além os manda-chuvas nos deixam aparecer entre os vivos umas poucas vezes ao longo de toda a eternidade. Vou gastar meu tempo aí com vocês. Não vão me decepcionar.

Ci, a Mãe do Mato, protege todos vocês!

O Ectoplasma Literário, Mário de Andrade“ 

Os organizadores do Projeto Mais Massa não puderam dizer não, e abriram espaço para o fantasma, que apareceu antes do show dos Los Porongas. Algumas imagens da noite e o poema escrito pelo ectoplasma seguem abaixo:

Show_coletivo05Show_coletivo01

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na foto à esquerda: Laya Lopes, (O Jardim das Horas), Sammliz (Madame Saatan), Diogo Soares (Los Porongas) e Gigi Grasso, de volta aos palcos. À direita: nem o gesso consegue fazer Daniel Groove parar de compor e de emocionar o público

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Daniel Groove e Saulo Duarte são dupla garantida nos palcos do Projeto Mais Massa. 

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Bruno, do Volver, toca com Los Porongas. Abaixo, o poema declamado pelo fantasma de Mário de Andrade.

Canção daqui 

É o comportamento físico que materializa as contradições entre indivíduo e massa. E é claro que o indivíduo só pode ser alcançado por meio da massa.

Adaptado do primeiro texto do livro Introdução ao teatro dialético – experimentos da Companhia do Latão, de Sérgio de Carvalho

Para Tiago Barizon

Na geografia lendária da canção
não há Rio Branco, Belém do Pará,
Recife ou Fortaleza
                                               Há beleza

Gosto do sabor adocicado das areias, das ondas do mar sagrado,
de onde quer que seja,
e me recuso à procura aqui ou acolá – eu sei lá! –
do exílio exuberante de quem está de fora.

Aqui não tem exílio, bizarria gritante ou
luneta européia que inverte o cruzeiro
numa bandeira às avessas.

Na geografia lendária da canção
nada precisa dar certo –
aqui é o bate-centro do igarapé
Tietê, Amazonas, Capibaribe, São Francisco
Rio Vermelho ou azul, rio escuro,
que me importa?
O fumacê da marginal e do poeta marginal recendem a poesia
Sintonia fina em que iracemas
                                               Vivam todas elas!
Assumem formas disformes de etnia obscura
tarjada de povos que já não são senão estes aqui!

A geografia lendária da canção
faz curvas melódicas na estrada de Santos
porque não precisa dar em lugar nenhum
e aí alcança todos os lugares, de trem ou de avião.

Mas não tem luz mais aqui – onde?
– eu nunca fui sócio da light – eu pago não pago minhas contas –
E as estrelas ficam querendo brilhar
– bruxuleia um céu vermelho no ABC, é o que dizem os desesperados,
e vibra musical o horizonte do João em Jundiaí, é o que me noticia o pai –

E aqui as estrelas insistem em brilhar – só eu vejo?
Não apareceu na Veja?

(E o Rio Tietê, onde me leva?
Sarcástico, ele me proíbe as praias e o mar,
me leva pra Itaipu e Furnas mortas, desligadas
é insistente turrão paulista que me leva pras tempestades humanas.

Na geografia lendária da canção, onde vai desaguar esse rio?
Eu não sei
Talvez na fremente celebração do Universal?
Talvez leve à breca o destino do poeta?
Talvez aos tempos de antes de eu nascer?
Talvez num tiquinho de fatalidade do progresso?
Talvez num sentimento pachorrento de ganhar dinheiro, de comer e de dormir?)

Eu não sei, ninguém não sabe.
E o futuro talvez seja mesmo o refrigerante plástico com gosto de cola
que nos deixa a todos melancólicos histéricos.

                É mentira!
Não faltam aqui os estimulantes afetivos de ordem moral
Nem os de atividade mental.

Na geografia lendária da canção não tem guerra ou paz
                                               Tem amor – e o amor aconteceu
Não tem tempo, tudo está escuro
porque existe um ser sensível por trás de toda voz que entoa, querida
– e eu preciso te contar da minha vida, do meu amor de piração –
aqui tem ebós, matintas, cruzes.
A cidade – que cidade é esta? – que
só dança quando passa a última vela
e no aqui completo, escuro, vejo a claridade do que é real
Eu sei lá!
Tão perto, por onde for tão certo
Sigo rumo ao Cruzeiro.

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À esquerda: Mário de Andrade, na época em que ainda não tinha virado estrelinha lá no céu. À direita: o fantasma do escritor, declamando a “Canção daqui”, escrita especialmente para o Projeto Mais Massa.

Todas as fotos de Bernie Walbenny, exceto a de Mário de Andrade, à esquerda. Veja outras fotos da noite clicando aqui. Logo mais, a fotógrafa Ezyê Moleda publicará outras fotos no blog de fotos do Projeto Mais Massa: www.maismassa.wordpress.com

 

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Quarta Noite Mais Massa: Show Coletivo e próximas datas

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O Projeto Mais Massa chega ao final de sua primeira temporada mais embalado do que nunca. As seis bandas que participam do projeto consagram o início de um sonho, na próxima quarta-feira, dia 11 de novembro, com um show coletivo, cheio de surpresas para o público que vem acompanhando fielmente as apresentações, além do agendamento de novos shows.

Uma característica marcante do Mais Massa são as participações especiais, em que as bandas que tocam na noite recebem convidados, integrantes de outros conjuntos, do projeto ou de fora dele. Afinal, o objetivo é muito claro: fazer mais barulho, formar público em São Paulo e acentuar o potencial criativo das bandas.

Na primeira noite, que aconteceu em 21 de outubro, na Livraria da Esquina, tocaram os acreanos dos Los Porongas e os cearenses da banda O Sonso – e a noite foi do conceito de urbanidade amazônica, proposto pelos Porongas, às fusões de MPB, rock e música brega do Sonso. O clima foi de festa inaugural, que prometia e já conseguiu continuidade: a agenda de novembro e dezembro já está cheia (veja calendário no fim deste texto) e a de 2010 já começa a ser preenchida.

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 Sammliz (Madame Saatan) e Laya (O Jardim das Horas): as vocalistas fizeram “Summertime”, de Gershwin, na terceira noite do Projeto Mais Massa

Na segunda noite, em 28 de outubro, apresentaram-se O Jardim das Horas e Saulo Duarte e a Unidade. Mais uma vez, sonoridades e propostas diversas – mas que não se excluem, ao contrário, se completam – dialogaram no palco: o público dançou com a fusão da moderna música eletrônica com as raízes musicais brasileiras, proposta pelos cearenses d’O Jardim das Horas, e com as canções do paraense Saulo Duarte e a banda A Unidade.

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 Daniel Groove (O Sonso), Bruno Souto (Volver), Diogo Soares (Los Porongas) e Saulo Duarte (Saulo Duarte e a Unidade): os vocalistas compõem e se divertem juntos. É a integração proposta no Projeto Mais Massa

Na terceira noite, em 04 de novembro, os pernambucanos do Volver arrepiaram a platéia com as canções do álbum Acima da chuva, de 2008, sucesso de público e de crítica. O projeto foi concluído com a sonoridade pesada dos paraenses do Madame Saatan, banda também consagrada no cenário da atual música independente brasileira. Mais uma vez, o clima foi de confraternização: as bandas, a Livraria da Esquina e a Identidade Musical apostam no sucesso do projeto, pela qualidade das propostas e pelo empenho de todos os envolvidos.

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Foto histórica: a proposta do Mais Massa é integrar, circular, compor e fazer barulho em São Paulo.

Em pé: Bernie Walbenny (produtor do Madame Saatan), Zeca Viana (Volver), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Klaus Sena (O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade), Heitor (da Livraria da Esquina, entusiasta do projeto; sem ele, tudo seria mais difícil), Sammliz (Madame Saatan), Ivan Vanzar (Madame Saatan), Jorge Anzol (Los Porongas), Tiago Barizon (Identidade Musical), Tatá Muniz e Jully Pop (da banda Julia Car, que marcou presença na última quarta).  

Sentados: Ícaro Suzuki (Madame Saatan), Bruno Souto (Volver), Ed Guerreiro (Madame Saatan), Rogério Duarte (Identidade Musical) e Fernando Barreto (Volver)

Assim, a quarta e última noite, que acontecerá em 11 de novembro, promete ser uma grande festa, com o palco recebendo ectoplasmas literários (autores-defuntos?) que prometem aparecer e declamar seus trabalhos, encontros inusitados e inesquecíveis e o repertório surpreendendo e arrepiando, como aconteceu em todas as noites do Projeto Mais Massa.

Todos

Em pé: Bernie Walbenny (produtor do Madame Saatan), Ivan Vanzar (Madame Saatan), Zeca Viana (Volver), Diogo Soares (Los Porongas), Laya Lopes (O Jardim das Horas), Klaus Sena (O Sonso e Saulo Duarte e a Unidade), Daniel Groove (O Sonso), Bruno Souto (Volver), João Leão (Saulo Duarte e a Unidade), Saulo Duarte e Jorge Anzol (Los Porongas)

Sentados: Ed Guerreiro, Sammliz, Ícaro Suzuki (Madame Saatan), Tiago Barizon, Rogério Duarte (Identidade Musical), Fernando Barreto (Volver), Fábio Cardelli (da banda paulistana Visitantes, que ruma neste momento para uma tour pelo nordeste) e João Eduardo (Los Porongas)

A grande novidade é que o Projeto Mais Massa, com poucos meses de existência, já deu frutos: temos datas marcadas para apresentações no Cidadão do Mundo, no centro de  São Caetano do Sul, e no Zé Presidente, na Vila Madalena, em São Paulo. Além disso, a equipe de produção também conta agora com o pessoal da Punksaravá, que engrossa o caldo da geografia lendária da canção brasileira: o Projeto deve a eles as datas no Zé Presidente.

Calendário do Projeto Mais Massa: Novembro e Dezembro

Cidadão do Mundo – Rua Rio Grande do Sul,  73 - centro de São Caetano do Sul
14/11 – Volver + Los Porongas
21/11 – O Sonso + Saulo Duarte e a Unidade
28/11 – Madame Saatan + O Jardim das Horas
 
Zé Presidente – Rua Cardeal Arcoverde, 1545, Vila Madalena, São Paulo
19/11 – Madame Saatan + Saulo Duarte e a Unidade
26/11 – Sonso + Volver
03/12 – O Jardim das Horas + Los Porongas

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Volver significa, acelera e suspende o tempo

Se pesquisarmos os significados do verbo “volver” no Dicionário Houais, encontraremos várias acepções, quase todas elas relacionadas à ideia de movimento. Gosto de “revolver-se, revirar-se, rolar, voltar-se”, porque mostra exatamente o que a banda Volver fez com o público na última quarta: todos se reviraram, envolvidos pelas melodias e letras da banda.

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Acontece que se nos deixarmos envolver a partir de um determinado ponto, assumiremos que Volver é “dirigir-se para outra direção, virar-se, voltar-se”, e perceberemos que a banda nos faz olhar além da vida cotidiana e medíocre, além da sina vulgar do trabalho: “Vamos em frente que a sorte ainda está por vir / Se era pra sempre / Sempre mais”. Sempre Mais Massa, devem ter pensado os participantes do projeto, que também estavam presentes – todos com o mesmo sentido, orientados pela mesma finalidade e pela finalidade mesma de ir em frente, de carona no trem e no avião.

E quanto mais ouvimos, mais mergulhamos em nós mesmos, verificamos que Volver também é “mexer ou cavoucar repetidas vezes; remexer, voltar”. Trata-se dos efeitos das canções da banda sobre o público, que dançava, e se emocionava, e mergulhava em si, revolvendo as sensações que as melodias acordavam e irradivam pela casa.

Quando o público se deu conta, era hora de acabar. Uma pena! Já sabemos que as noites do Projeto + Massa na Livraria da Esquina são o espaço lendário da canção, cujo tempo é permanente e suspenso. O que nos leva ao verbo latino que deu origem a Volver, em português: volvo,is,vólvi,volútum,ère  que significava, entre outras coisas “fazer decorrer o tempo”; “meditar, refletir”.

Fomos para casa todos espantados e meditativos, porque na última quarta-feira parecia não haver mais tempo, ou parecia que ele enlouquecera, às vezes acelerado, outras suspenso nas melodias. Hora de Volver.

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