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Rock Feminino ganha dia municipal: todo terceiro final de semana de março será Dia Municipal do Rock Feminino

Na sessão camarária do último dia 9 de março, foi aprovado por unanimidade o projeto de lei que oficializa junto ao calendário do município o Dia do Rock Feminino. O projeto torna Rio Claro a primeira cidade do país a ter um dia dedicado ao rock feito por mulheres.

O projeto foi proposto pela vereadora Maria do Carmo Guilherme que acredita que o Festival é uma forma de agregar os jovens e socializar o espaço público. A data fixada para as comemorações ficou sendo o terceiro final de semana de março, justamente quando ocorre o Festival há oito anos.

Para a idealizadora do festival, Vivian Guilherme, a criação de um dia para o Rock Feminino é o primeiro passo para colocar Rio Claro no calendário mundial de grandes eventos. “Já estamos no calendário nacional e já somos reconhecidos como um dos principais festivais independentes do Brasil, queremos agora promover trabalhos sociais de formação e capacitação de jovens para o mundo musical”, ressalta.

A programação do VIII Festival Rock Feminino continua a todo vapor e, além da mostra de artes plásticas com artistas do Brasil e América do Sul, que continua até o dia 20, no Casarão da Cultura. Desde o dia 7 de março a programação do festival vem se estendendo englobando atividades como a Mostra de Cinema e Mostra de Teatro.

Na próxima quinta-feira (18) acontece mesa redonda com produtores de Rio Claro e região, com debate aberto a interessados, no Centro Cultural Roberto Palmari, a partir das 19 horas. Na sexta-feira (19), tem palestra sobre divulgação, produção e composição musical com Tiago Barizon, da Baritone Records de São Paulo, a partir das 18 horas, no Centro Cultural. A entrada é franca.

Na mesma sexta-feira (19), as bandas Vulca e Unidade Imaginária se apresentam no Reppertório Bar em Santa Gertrudes, ãs 22 horas, na festa oficial de abertura. A banda Unidade Imaginária, do Rio de Janeiro, já se apresentou duas vezes em Rio Claro e atendendo aos pedidos dos inúmeros fãs está de volta, após ter obtido grande reconhecimento e visibilidade na mídia.

E, oficialmente, no Dia Municipal do Rock Feminino, 20 de março, às 12 horas, acontece a grande festa na antiga estação ferroviária de Rio Claro, com dois palcos, praça de alimentação, 15 bandas, Campeonato de Guitar Hero, Bluetooth Zone e mais de uma tonelada de som, a partir do meio dia. Acompanhe a programação no site: www.rockfeminino.org.

O encerramento acontece na cidade de Cordeirópolis, com apresentação de 6 bandas na praça central da cidade, ao lado da matriz.

O Rock Feminino tem apoio da Prefeitura Municipal de Rio Claro e Prefeitura de Cordeirópolis. Com patrocínio de Espetinhos do Robinho, Carvão Super Seco, Jog Music, AnimeX, M.Mitalli Som e Iluminação e Revista Rock Brigade.

Enviado por Vivian Guilherme
Assessoria de Imprensa/Produção
Email: rockfeminino@yahoo.com.br
Msn: fluidicaproducoes@hotmail.com
Site: www.rockfeminino.org

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Festival Fora do Eixo Rio-São Paulo 2010

Via Portal Nagulha: http://nagulha.com.br/programacao-do-festival-fora-do-eixo-em-sao-paulo/

O mês de abril será de muita atividade em São Paulo com a chegada do Festival Fora do Eixo que chega na sua segunda edição. A programação ainda rola no Rio de Janeiro e será confirmada em breve. Segue abaixo as datas do evento em São Paulo.

Programação SP

6 – Terça
Mini Box Lunar + Jardes Macalé – Itaú Cultural
20h – entrada gratuíta

7 – Quarta
Macaco Bong + Caldo de Piaba – Studio SP
23h – r$ 20/15

8 – Quinta
Burro Morto + Cabruêra – Tapas Club
23h – r$ 15/10

9 – Sexta
Nevilton – Espaço + Soma
19h – entrada gratuíta

Workshop “Teatro em Espaços Alternativos” – Espaço Oswald Andrade
9h as 13h – entrada gratuíta

Espetáculo Teatral “O Urso”– Espaço Oswald Andrade
16h – entrada gratuíta

Intervenção Teatral “Cena num Bar” – Espaço Oswald Andrade
23h – entrada gratuíta

10 – Sábado – 23h

Facas Voadoras + Canastra – CB
19h – r$10

Rinoceronte + Remove Silence – Livraria da Esquina
23h – r$10

Workshop e “Performance” – Espaço Oswald Andrade
9h as 13h – entrada gratuíta

Espetáculo Teatral “Coquitail Espoleta”– Espaço Oswald Andrade
16h – entrada gratuíta

Cardápio Cênico “Vendem-se Cenas” + “Performances em Casas Noturnas” – Espaço Oswald Andrade
23h – entrada gratuíta

11 – Domingo – 20h
Porcas Borboletas – Centro Cultural Rio Verde (Projeto Pelota e Violão)
14h – r$10

Festas de encerramento – Neu Club
22h – r$10

Workshop “Malabares: Teoria, Prática e Apresentação” – Espaço Oswald Andrade
9h as 13h – entrada gratuíta

Espetáculo Teatral “Marias de Deus”– Espaço Oswald Andrade
16h – entrada gratuíta

Intervenção de “Malabares” – Espaço Oswald Andrade
23h – entrada gratuíta

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Jair Naves na Outs, sexta-feira, dia 19 de março

Uma das chances mais significativas que tive desde que comecei a trabalhar com música independente foi escrever o release do novo EP de Jair Naves, Araguari - cidade que conheço bem, mas que já quase se me apagara da memória. Aí veio Jair, com as lembranças dele, trazendo as minhas à tona, num turbilhão que vivi na semana em que me perdi para escrever o texto, que segue abaixo:

Araguari, primeiro trabalho solo de Jair Naves, chega ao público na forma de EP em fevereiro de 2010. Na primeira audição e na passada de olhos pelos títulos das canções, percebe-se a homenagem à cidade que dá título ao trabalho e que fica ao norte do Triângulo Mineiro, celebrizada no cinema nacional pelo filme O Caso dos Irmãos Naves, sobre a prisão, tortura e morte de dois irmãos que confessaram um crime que jamais cometeram. Mas Araguari é também e principalmente um mergulho na memória do compositor, que passou parte da infância na cidade. As lembranças e experiências do músico conduzem as canções, por vezes, ao lirismo das modas de viola e à nostalgia invertida das lacunas de quem se viu à margem; em outras, à volubilidade de quem não acredita mais no amor, mas que se vê surpreendido pela paixão; finalmente, ao travo da injustiça e do desajuste que Jair parece ter herdado da história da cidade.

Em Araguari I (Meus Amores Inconfessos), primeira faixa do EP – em cuja introdução se ouvem, ao fundo, diálogos do supracitado O Caso dos Irmãos Naves – a linha de baixo e a da melodia vocal aludem à música sertaneja de raiz, conferindo à canção o lirismo típico da região. O arranjo como um todo, entretanto, renova o gênero e lhe confere atualidade, fazendo que Araguari I (Meus Amores Inconfessos) seja a ponte musical e temporal entre a inocência perdida na cidade, de um lado, e a avaliação presente que Jair faz das experiências vividas, de outro. Duas faces da mesma moeda, face e reflexo invertido no espelho: é por meio das brigas compradas, das canções entoadas e dos amores inconfessos do título que a vida de hoje é investigada, como se a Araguari da infância, no que lhe faltava ou sobrava, orientasse o sentido da vida presente.

Silenciosa é fortemente marcada pela parceria vocal com Júlia Frate e pelo arranjo simples, apenas com violão e piano. É a canção da fratura amorosa, mas sem os exageros da paixão. O que se ouve é um eu conformado, desacreditado do amor, mas que acaba por pacificar-se por constatar que “se não deu certo com a gente, acho que nunca vai dar”. Não é exatamente a separação que aflige, mas o fato de ela ter sido consensual, sem discussões, civilizada: o eu que canta não se reconhece ao experimentar uma crise sem arroubos extremos. Daí que a canção, além de lamentar o divórcio com o outro, evidencia o estranhamento do eu com ele próprio – e outra vez é o universo subjetivo e íntimo que orienta as avaliações da realidade objetiva.

Em De branquidão hospitalar, queimando em febre, eu me apaixonei, a desesperança da faixa anterior é substituída por uma paixão febril, em que o eu se confunde, em todos os níveis da canção, com o você. Com um arranjo à moda da década de oitenta, esse amálgama idealizado se manifesta no título, com a impressão de que quem tem febre – e delira – é o eu, ao contrário do que se observa nos primeiros versos, em que o você é que faz o papel de “demônio enfermo”. O espelhamento entre os amantes também se revela claramente em “O que em mim você reconhece, eu reconheço em você” e no backing vocal feminino repetindo ao fundo a frase “não estou só”.

Mas é em Araguari II (Meus Dias de Vândalo) que desponta largamente a entoação vocal de Jair Naves, equilibrando-se entre a canção e a declamação poética, para fazer perceber o ser sensível que está por trás da voz que canta. A letra retoma a sensação subjetiva do desajuste e da inaptidão, além da falência da relação amorosa que vimos nascer inusitada na canção anterior. E a conclusão não poderia ser diferente, já que a cidade que dá título ao trabalho parece ocupar todos os espaços e todos os tempos, ainda que de forma implícita: “Talvez fosse preferível / que eu nunca tivesse saído / de onde eu nasci, / de Araguari”, em que a cidade mineira da infância, ainda que distante, serve mais uma vez de ponto de fuga ou de perspectiva, delimitando as impressões no presente urbano do já decênio século vinte e um.

Há uma gota de Álvaro de Campos, heterônimo do português Fernando Pessoa, especialmente na última canção, como se o sujeito poético de Jair relesse a Tabacaria e as duas Lisbon Revisited e compusesse, à sua moda, de viola ou de guitarra elétrica, o imaginário pessoal cujo espelho é sempre uma Araguari, ao mesmo tempo, distante e presente, da infância e da vida madura, da falta e da completude. Finalmente: a Araguari deste mesmo Jair Naves da São Paulo de 2010 e de um outro, o que deixou a inocência na cidade mineira e que recupera, apresenta e confessa os fragmentos e desajustes de si próprio nas canções de Araguari.

Só não vou lá porque Barizon e eu vamos dar uma palestras no Festival Rock Feminino, no mesmo dia e horário. Por essa falta quase imperdoável, prometo, antes da apresentação do mesmo Jair Naves no Mais Massa, dia 18 de abril, um texto de análise de uma das quatro canções.

Serviço

Jair Naves na Outs, dia 19 de março, sexta-feira
Rua Augusta, 486 www.clubeouts.com.br
Abertura às 23h
R$ 13 de entrada

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Identidade Musical em semana de debates e palestras, na Escola de Sociologia e Política e no festival Rock Feminino

Sem que planejássemos, esta semana acabou se tornando uma espécie de "Semana de Pesquisa" aqui da Identidade Musical. Fomos convidados para participar de dois eventos em que vamos poder mostrar um lado da Identidade Musical que muita gente não vê: nosso investimento em pesquisas e reflexões sobre o mercado de música e as questões estéticas que o envolvem.

Amanhã, terça-feira, às 19h, Barizon e eu vamos à Escola de Sociologia e Política, para participar da aula "Produção Musical e Indústria Cultural: revisando Adorno", a convite do Professor Rafael Araújo, doutor em ciências sociais pela PUC de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte Mídia e Política (NEAMP). A ideia da aula é tentar associar, como já fazemos aqui no blog, a teoria acadêmica sobre a indústria fonográfica - especialmente a proposta por  Theodor Adorno no texto "O fetichismo na música e a regressão da audição" - e a prática do que tem rolado no início do século XXI, sobretudo na cena independente.

Segue abaixo a chamada no site da escola, que pode ser lida na íntegra clicando aqui.

Alunos do segundo ano do curso de Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) assistem na próxima terça-feira, dia 16/03, à aula especial "Produção Musical e Indústria Cultural: revisando Adorno", organizada pelo professor doutor, Rafael Araújo

A aula que acontece às 19h00, na sala 63, contará com a presença de dois convidados, o músico, DJ, produtor e comunicador, Tiago Barizon e o professor de literatura e gramática, Rogério Duarte. O evento integra o conteúdo da disciplina de Introdução à Sociologia Contemporânea.

Já na sexta-feira, participaremos das atividades do Festival Rock Feminino, em Rio Claro, com três palestras. Na primeira, que ocorrerá na Sala de Cinema do Centro Cultural Roberto Palmari, falarei de “Canção Popular, Rock nacional e Formação de Público”. Nas outras duas, no mesmo local, Barizon vai debater “Comunicação, Promoção e Divulgação Musical” e“Cenário Musical Independente e a Cadeia Produtiva”. Veja a programação completa clicando aqui.

Ao contrário de muita gente, tentamos conciliar teorias acadêmicas com o cotidiano das nossas atividades. Para nós, é fundamental beber das fontes de críticos, teóricos e pensadores para podermos traçar estratégias e pensar nas ações de curto, médio e longo prazos - que são esquadrinhadas não só com a influência das áreas da reflexão estética da canção, mas também (e às vezes principalmente, dependendo da atividade) com a de áreas como a administração e a publicidade. O mais importante: não vamos para ensinar, mas para promover debates que consideramos indispensáveis para que o mercado de música independente se consolide e se fortaleça.

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O show que não aconteceu, e o público que quer ouvir música

Confesso: eu era fã dos Guns n' Roses no fim dos anos 80 e início dos 90. Não que gostasse das palhaçadas do Axl Rose, que sempre me soaram estrelismos de um inseguro com o rei na barriga. Mas achava que o Appetite for Destruction era um álbum de primeira qualidade, que deveria figurar nas listas de melhores discos do século. O tempo passou, é claro, e minha tietagem pelo Guns também: aquele som é divertido, mas não era pra tanto. Fui ouvindo cada vez mais outras coisas, e Axl e seus asseclas foram ficando cada vez mais para trás. Ouvir Guns, para mim, hoje, é desfrutar daqueles momentos de nostalgia, em que eu beijava a namorada ao som de "Patience" ou "Don't Cry". Numa viagem com amigos do colegial, colocar "Paradise City", num churrasco pode ser uma boa pra animar, as pessoas se lembram dos tempos de escola, etc. O show do Guns em 92, no Anhembi, em que chovia torrencialmente, foi inesquecível: no dia seguinte, sem gripe, sem sono e sem ressaca, fiz recuperação de Física e passei de ano. Bons tempos em que eu estudava por apenas uma tarde, ia a um show à noite, tomava cerveja e chuva a noite toda e no dia seguinte não tinha ressaca e passava de ano - e a trilha sonora de tudo isso era Guns n' Roses. Mas não dá mais pra levar o Guns a sério. Hoje, pra uma noite de cervejada, tenho dois dias de ressaca. Se vou estudar para uma prova, preparar aula ou apresentar algum trabalho acadêmico, não bebo nada e durmo bem, pra ficar inteiro no dia seguinte.

O engraçado é que, hoje, as coisas deveriam ter mudado. Não fui ao último show do Metallica, mas os amigos do Madame Saatan foram e me contaram que a banda foi extremamente simpática com o público. Inacreditável, se lembrarmos que o Metallica, na minha mesma época de colegial, fazia shows protocolares, com o som baixo, tentando sabotar o Sepultura. Parece que até megastars como eles estão sentido na carne que a relação com o público é fundamental para uma carreira longeva. Dar uma de celebridade, socando a cara de jornalistas, jogando cadeiras pelos ares (lembram dessa que o Axl aprontou?), ofendendo a tudo e a todos, atrasando a entrada no palco em mais de uma hora - tudo isso parece soar como amadorismo e estrelismo. Até às maiores celebridades se pede que cumpram o horário e que evitem conflitos com a imprensa e o público. Amy Winehouse ainda existe e faz das suas, mas o estilo junkie parece um pouco fora do tempo e do espaço.

Aliás, desde a palhaçada de mais de doze horas de fila para não conseguir ingresso para o show do U2, não frequento megashows. Quem não se lembra das filas nas portas dos Pães de Açúcar pela cidade, com fãs espertinhos, no mais legítimo "brazilian way of life" (leia-se "jeitinho brasileiro", mas em inglês, porque gostamos de ser importantes), levando parentes idosos ou crianças de colo para furar a fila? E o Pão de Açúcar pedindo desculpas publicamente pela desorganização, enquanto todo mundo sabia que havia privilegiados (além dos espertinhos que burlavam as filas) que conseguiram ingressos sem problemas? E as reclamações das pessoas que foram ao show do Radiohead, levando mais de duas horas para conseguir sair da Chácara do Jóquei? E, pra acabar, os preços absurdos cobrados para ficar num local pouco privilegiado no estádio, depois de pegar trânsito para chegar, enfrentar filas, ter de urinar em banheiros químicos imundos? Tudo isso me encheu o saco e decidi: é trabalho demais, pra show de menos, de quem quer que seja. Nem Axl, nem Bono, nem ninguém vale o esforço.

Escrevo essa introdução enorme para me divertir um pouco às custas da última de Axl Rose, que não deu as caras num show fechado que foi motivo de notícia na net na semana passada. No blog do Guia da Folha, lia-se o seguinte:

Estava tudo preparado para o show secreto e intimista do Guns n' Roses no clube Disco, quinta à noite, em SP.

Palquinho montado com bateria, teclado e percussão; setlist com 17 músicas (com "Paradise City" encerrando); vários fãs verdadeiros da banda no local (Marcos Mion, Ana Beatriz Barros, Daniella Cicarelli, Isabelli Fontana etc.); produtores do grupo à espera.

Aí, por volta da 0h30, alguém diz: "O Axl vai deixar o hotel [Hyatt] à 1h".

À 1h, outro alguém avisa: "O Axl vai deixar o hotel às 2h".

Aí às 2h30 surge o rumor: Axl estaria com dor de garganta e teria sido levado a um hospital. Pouco depois, os equipamentos começam a ser desmontados.

Lá dentro, brigas. Endinheirados revoltados se socando; uma modelo tentando bater na outra com uma garrafa de champanhe... Do lado de fora, mais confusão, correria, xingamentos. Uma equipe do Pânico foi agredida; dois seguranças da casa pularam uma cerca e foram atrás de um rapaz.

Segundo o próprio Marcos Mion, um dos sócios da casa, outro dos donos da Disco, Marcos Maria, brigou com os seguranças da banda, que estavam levando os instrumentos que o clube havia locado. Que beleza.

E assim foi o "show secreto" do Guns na Disco.

"Show secreto": nada me soa mais "brazilian way of life" do que isso. Algo como "o povão curtirá apertado, fedendo a suor, a cerveja e a maconha ruim, o show do Guns; nós aqui teremos Axl fazendo um show intimista". Perfeito para uma pauta na revista Caras, perfeito para dizer em alguma balada ou restaurante caro, com ar blasé "estive no show secreto do Guns e...". A cultura do privilégio correndo solta, com garrafas de champanhe à vontade e celebridades correndo rumo aos flashes. Em suma: os escolhidos, os que não se misturam fazendo tudo que os pobres mortais não fazem.

Mas veja que curioso: celebridade também é gente. Não é só nas casas noturnas das classes médias ou baixas que rolam brigas: endinheirados também se socam. A diferença é que as meninas, em vez de puxarem os cabelos ou de se arranharem, ameaçam-se com garrafas de champanhe.

Escrevo este texto não só para me divertir às custas dos célebres e ricos (ou daqueles que querem estar entre eles), cuja pretensa "educação" é exatamente o que os faz evitar o contato com as pessoas comuns. Ora, leitores: ir ao show secreto, além de render status nas colunas sociais, também é uma forma de mostrar-se acima do público comum, para além dele.

Mas também escrevo este texto para apontar algo curioso: existe uma necessidade - e esta me parece real, genuína - de assistir a um show num ambiente menor, em que se possa aproveitá-lo de forma mais autêntica e menos estressante. É quase unânime o seguinte discurso: os shows menores - para quem vai ao show para poder ouvir a música, bem entendido - são melhores, porque o artista pode interagir de modo menos pasteurizado com a platéia, que pode concentrar-se exclusivamente na música - e, em última análise, num show, é ela que interessa.

Aliás, deixem-me lembrar aqui de outro show que deveria ser, supostamente, civilizado, e que me soou como ida ao zoológico: o show de Chico Buarque. Ora: trata-se do espetáculo em que não se esperava do público nada mais do que respeito ao artista, dada a unanimidade que é o compositor. Entre uma música e outra, ouviam-se gritos histéricos de "casa comigo, Chico", ou "Gostoso!", ou "Tesão!". Estávamos sentadinhos em mesas elegantes, servidos por garçons, tudo no melhor estilo "show civilizado". Mas, ao nosso lado, ao longo de toda a apresentação, uma pessoa falava insistentemente ao telefone, explicando aos parentes ou amigos que estava no show do Chico, que ele lhe parecia ainda mais bonito do que nas fotos, embora já um pouco velho...

Minha impressão: ir ao show do Chico Buarque, para aquelas pessoas, não era ouvir as canções do Chico, mas poder dizer aos outros (em tempo real, inclusive) que elas estiveram (estava) no show do Chico - uma réplica da cultura à celebridade que foi por água abaixo no show secreto do Guns. Trata-se de um tipo de público de que quero distância: aquele que lê nos guias de cultura "o que está pegando" e que vai pra dizer que foi. Para essas pessoas, a obra de arte ali apresentada é o pretexto, não é a finalidade do evento. Pena.

É claro que no show secreto do Guns havia fãs que queriam de fato ouvir as músicas. Mas a descrição feita no blog do Guia da Folha me deu a impressão de que a maioria das pessoas que estava lá apareceu pra poder dizer que... estava lá: reflexo nítido da cultura às celebridades, que ganha contornos especiais no Brasil, em que o nosso desejo de aparecer mais do que os outros vem carregado do desejo de esmagá-los. Não basta ter o privilégio de assistir a um show fechado do Guns, é preciso também, nessa mesma lógica, poder mostrar aos outros como eles são inferiores por não gozarem de tal privilégio.

Tudo isso fica ainda mais patético quando se trata de um show fechado do Guns n' Roses, banda que convenhamos, nem é tudo isso. Respeito todos os gostos, já disse aqui, mas não posso deixar de dizer que o vexame é maior quando uma confusão como essa acontece por causa de uma banda meia boca, de sucessos requentados e de um disco recente que não fede nem cheira.

Ora, se é pra brigar, melhor usarmos a cabeça e explorar cada vez mais espaços pequenos e médios para bandas de qualidade, de modo que possamos formar um público que vai aos lugares para assistir aos shows. Deixemos para lá os espetáculos fechados, para poucos privilegiados ou amigos de privilegiados: trabalhemos para que haja muitos shows pequenos ou médios em espaços para que boas bandas brasileiras possam mostrar seu trabalho; para que esses espaços possam receber adequadamente o público, com facilidade de acesso, com acessibilidade, a preços justos, com banheiros limpos, de preferência. Deixemos para lá a cultura às celebridades e mergulhemos nas canções. Já passou da hora de dar importância ao público que vai aos shows para ouvir música.

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Ouça no Domingo: Mutualista

Pra muita gente, domingo costuma ser dia de acordar tarde, almoçar com a família, cochilar, depois pegar um cinema e ir pra casa. A Identidade Musical propõe, assim, um post dominical, descompromissado, só para ouvir um barulhinho - ou barulhão, se for o caso - antes de a semana começar. Quem sabe, o som que você pode ouvir no carro na segunda pela manhã, ou no escritório, ao longo da semana: uma forma de estender o fim de semana semana adentro...

Ouça mais canções da banda Mutualista clicando aqui. Os caras vão estar no Centro Cultural Rio Verde, especialmente acompanhados pela Trupe Chá de Boldo, no sábado que vem, 20 de março.

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Baratos Afins e o Rock na Vitrine: Fóssil, Mama Gumbo e Onabix 1.3 Projekt

Quem fala de música independente no Brasil tem sempre de passar por Luis Calanca e a Baratos Afins, que convida para  shows do Rock na Vitrine neste próximo sábado dia  13 de março  às 18 horas, com as bandas Fóssil (CE), Mama Gumbo (SP) e Onabix 1.3 Projekt (SP),  todas ligadas à nova cena da musica instrumental brasileira,  com sons inventivos em diferentes experimentações de gêneros, texturas e timbres.

As bandas têm se apresentado com sucesso  nas principais casas de espetáculos pela capital paulista . Antecipando o evento, às 15 horas, no telão do Cine Baratos, será exibido o longa Metal – Uma jornada pelo mundo do heavy metal, com entrevistas dos grandes astros do  gênero revelando os bastidores do Rock. O filme foi gravado nos estados Unidos, Inglaterra, Alemanha Noruega e Canadá.

O ingresso custa um simbólico real, mas os shows com as 3 bandas são gratuitos. A Galeria Olido fica na Avenida São João 473 , Centro

Confiram mais detalhes clicando aqui: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/galeria_olido/noticias/?p=7533

Abaixo, a primeira parte da entrevista que Calanca deu para Thunderbird, com a história da Baratos Afins, pra quem não conhece:

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A Punksaravá avisa: neste fim de semana, Gil Duarte e Sistema Asimov de Som e a banda Cataia

Os parceiro da Punksaravá avisam que, "neste fim de semana, para os diurnos, a pedida é correr pra Casa do Mancha, na Vila Madalena, e curtir um show mais que especial de Gil Duarte e Sistema Asimov de Som! À tarde, cerveja gelada, amigos bons e muito trip-hop, afrobeat, alternativices e similares grooveados!

Para os que preferem a luz da lua, a dica é aproveitar o final de semana no Fidalga 33, onde teremos Cataia! Maracatu, MPB, samba, rock, regional, e garantia de não ficar parado!

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Sarau Cultura Coletiva nesse domingo no CCRV

Organizado por amigos nossos, o Sarau Cultura Coletiva reune a cada edição um número maior de pessoas que vão para conferir o que tem rolado na cena artística independente, não só música, mas teatro, artes plásticas, literatura, dança e a preocupação com o bem estar. A programação vai agradar pessoas de todas as idades, casais com filhos bebês até seus vozinhos e bisavozinhos.

Domingo, 14/03, entre 15h e 22h
Centro Cultural Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119 - Vila Madalena
R$ 11,00

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Visitantes no Cedo e Sentado do Studio SP

Os eternos camaradas dos Visitantes vão botar os pés no palco do Studio SP depois de suas andanças pelo Nordeste do país. Voltam carregados de experiências e vontades, mostrando que São Paulo também é terra de bom rock, aquele com personalidade.

Ainda na divulgação de seu primeiro cd, "Na Brasa Fugaz da Cana Queimando", a trupe formada por Cardelli (vocais e guitarras), Dods (baixo), Sabão (guitarra)  e Thiaguim (bateria), faz versões mais intimistas dentro do projeto Cedo e Sentado, que acontece mais cedo no Studio. A apresentação ainda conta com a participação de Laya Lopes, vocalista d'O Jardim das Horas, que também lançaram cd esse ano.

E para quem quiser uma prévia, além do MySpace do grupo vocês podem conferir a participação deles no programa Fazendo Hora, amanhã (quarta, dia 10, às 16h), na Rádio Levi's.

Serviço:

Visitantes no Cedo e Sentado
Studio SP - Rua Augusta, 591
Dia 17/03, 21h
Entrada franca

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