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Mallu Magalhães e outros fenômenos

O Barizon já havia dito que o fenômeno Mallu Magalhães tem de ser cuidadosamente analisado e pensado. Para dizer o mínimo: aos dezesseis anos, a moça goza de toda a popularidade possível, é chamada “revelação” e “gênio”, é celebridade consolidada, já é tema de papo em todas as mesas de bar. É certo que há alguns exageros aí, que merecem reflexão – e essa fica para outro dia.

Mas a precoce Mallu é mote para uma outra discussão: na coluna de Ronaldo Lemos, da Revista Trip, há uma comparação interessante entre a moça-fenômeno-internet e o Fantasmão, “banda de pagode eletrônico”, segundo o colunista (não acho esse rótulo muito adequado, mas vá lá: rótulos são um mal necessário para apresentar as novidades). Assista ao vídeo do Fantasmão, citado por Lemos no texto:

Há muitas hipóteses que nos provocam a inteligência e que são fundamentais para a análise do mercado de “música da internet”: segundo o colunista, artistas que vêm da periferia, como o Fantasmão, obtêm tanto ou mais sucesso que Mallu, mesmo sem se utilizar das mesmas ferramentas que ela, como o Myspace.  Outro detalhe importante: eles também não caíram nas graças da grande mídia (ao menos, ainda não), ao contrário do que aconteceu com ela. É certo que há um mundo de obras que o grande público admira – e essas obras não chegam nem perto do Myspace ou das grandes emissoras. Mas quem assistiu ao vídeo acima certamente sentiu um cheiro de Bahia e carnaval, percebeu uma roupagem de mercado fonográfico brasileiro na canção, ainda que o tal Kuduru do título seja um ritmo de origem angolana.

Segmentação de mercado por classe social? Gênero musical de origem nas classes populares que tomará de assalto a grande mídia? Ou mais um sucesso nos velhos moldes da indústria fonográfica? Que os leitores se manifestem.

Em tempo: o kuduru, segundo a Wikipedia é um “gênero musical e sobretudo um gênero de dança surgida em Angola. Hoje em dia, está também largamente disseminado pelas áreas suburbanas da cidade de Lisboa, Portugal. Também tem se popularizado muito no Brasil ultimamente, já existindo até alguns grupos e bandas de kuduro próprios do Brasil, em especial nos subúrbios das cidades do Rio de Janeiro e Salvador”. Por acaso, na semana passada, o Barizon me mandou o link do Buraka Som Sistema, kuduru de origem angolana, feito em Lisboa, mas com influências de música eletrônica: “Breakbeat / Club / Ghettotech”. Levando em consideração os diferentes contextos (de um lado, Lisboa; de outro, Salvador, Bahia), permanecem as mesmas questões.

Posted in Cena e Mercado.

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2 Responses

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  1. Jó Capistrano says

    Mallu magalhães gênio??? ha ha ha ha essa é a maior piada q eu ja escutei em td minha vida…sinceramente NÃO ENTENDO como que uma garota de 16 com idade mental de 5 e composições fracas e sem nexo assim como as teorias dela sobre a vida fazem tanto sucesso..:o. qto ao fantasmão…meu eles fazem sucesso pq é povão é o tipo de música q o povo gosta pra curtir pra dançar e não posam de pseudo-intelecutuais não fazem tipo são o que eles são e pronto…ja tá + q na hora q esse menina sumir e a grande midia deixar de dar espaço a esse lixo chamado MALLU MAGALHÃES

  2. Carlos Rogério says

    Jó: nós aqui da Identidade Musical agradecemos a visita e o comentário – porque sentimos falta de polêmica no blog. Então vamos a ela: sobre a Mallu, também me parece que é bastante exagero chamá-la de gênio. Tenho a impressão de que a Mallu entrou na música pela porta dos fundos (a independência), mas, quando entrou, já estava planejada para fazer sucesso. Sem pecados aí, cada um faz o som que bem entende, respeito o trabalho honesto de todo mundo – o que assusta é o exagero de quem elogia, os chamados formadores de opinião.

    Quanto ao Fantasmão… acho que a coisa não é tão simples assim. É claro: o som é feito para curtir, sem pose de pseudo-intelectuais, concordo. Mas tem algo nas origens africanas que não é mera curtição nem produto, até onde consigo ver. Preciso pesquisar mais, sem dúvida, mas acredito que tem muita coisa boa que a Indústria Cultural abocanha, dá um “banho de loja” e põe pra tocar. Sucesso garantido, mas não se pode deixar de ir atrás da origem, ver de onde a Indústria tirou aquilo.

    E assim vamos.

    Forte abraço!
    Rogério



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