No post anterior, ficou sugerida uma relação entre a chamada Poesia Marginal dos anos 70 e a cena independente atual, devido às forma alternativas de divulgação – que levavam e levam, sobretudo, à liberdade de expressão artística, desligada das amarras da indústria cultural.
Há também bandas que foram precursoras do que se chama “cena independente” hoje. Uma delas é o Mickey Junkies, uma das referências do rock alternativo no Brasil dos anos 90, com Rodrigo Carneiro na voz, Érico Birds na guitarra, André Satoshi no baixo e Alexandre Carvalho, depois substituído por Ricardo Mix, na bateria.
Eis o que afirma o release dos caras no Myspace: “Ainda em 1992, gravaram a 2ª demo ao vivo numa das casas noturnas mais famosas da época, o Espaço Retrô. Sem tocar na rádio, sem gravadora por trás (na época existiam pouquíssimas gravadoras independentes, a maioria eram selos distribuídos por multinacionais) e numa época pré-internet, o máximo que qualquer banda conseguia eram citações em matérias sobre o udigrudi nacional e ter o Jello Biafra, ex-Dead Kennedys, na platéia de um de seus shows, no Der Tempel em 1992. Com toda esta bagagem, ainda em 92, o MJ faz seu grande show, no Aeroanta em SP, abrindo a noite para um show do DeFalla.
Aparecer na imprensa não era problema para o Mickey Junkies: em 1º de janeiro de 1993 o jornal O Estado de S.Paulo estampava na capa de seu caderno cultural uma matéria com Dave Grohl, na época ainda baterista do Nirvana, elogiando os discos de bandas brasileiras. A respeito da demo Mickey Junkies, Grohl comentou: “Tem influências de punk antigo, é cool !” Em fevereiro de 93 eles gravam a 3ª demo, desta vez ao vivo no programa Clip Independente, que colocava bandas brasileiras ao vivo na Brasil 2000 FM durante 1 hora semanalmente.
Ainda em 1993, os críticos da revista Bizz elegeram o Mickey Junkies como 4ª colocada no quesito revelação de 1992. À frente deles, Skank e Daniela Mercury, com um honroso 1º lugar para o Second Come. Mas o melhor de 1993 ainda estava por vir: o Mickey Junkies participou do 1º Juntatribo, festival alternativo que aconteceu na UNICAMP naquele ano e reuniu as melhores bandas do underground brasileiro. O jornalista Felipe Christ escreveu num jornal da época: “Mickey Junkies foi um dos destaques da noite. O vocalista ensandecido ganhou a atenção do público apoiado por uma banda competente…”
Depois de anos sem tocar, os Mickey Junkies voltaram à ativa recentemente – e gravaram o vídeo abaixo no programa Poploaded do iG, apresentado por Lucio Ribeiro e Fabio Massari.
Não dá para escrever a história da canção independente do Brasil sem falar de Mickey Junkies.

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