Skip to content


Pesquisa personalizada

Os anos 90 estão de volta: Nirvana, Chico Science e Sepultura

Retomando o post de ontem: os anos 90 estão de volta – é o que se pode constatar andando na rua. As camisas de flanela e os cabelos longos, parcialmente raspados, voltaram a aparecer. Na TV, nos jornais, na internet, só se fala dos quinze anos da morte de Kurt Cobain e da importância do movimento grunge e das bandas de Seattle – o vocalista do Nirvana é capa da Rolling Stone, com texto interessante de André Barcinski; é o protagonista de um dos episódios do seriado Seven Ages of Rock, da BBC.

O que é que se faz quando um disco da sua adolescência está prestes a completar vinte anos de lançamento? Lembre-se de que Nevermind foi lançado em 1991. Não me sinto velho – exatamente por causa da energia daquela época, que de certa forma ainda pulsa um pouco em mim. Por isso, digo sem medo: que venham de volta os anos 90 – com tudo o que eles tinham de bom. Mas não superestimo aqueles tempos: no Brasil, vivia-se, de certa forma, uma ressaca do rock dos anos 80, e as rádios tocavam axé music demais; o movimento grunge (se é que se pode falar em movimento nesse caso), sejamos francos, passava longe de qualquer análise mais aprofundada da realidade – era um pouco alienado, se não fosse muito.

Mais que isso: evitemos exageros – os grunges não propuseram, em termos musicais, nenhuma grande novidade. Trouxeram, isso sim, o universo alternativo para o grande público (como diz Barcinski, no texto linkado acima), o que já não é pouca coisa.

No vídeo, “Rape Me”, a que mais gosto, com tudo que a época tinha: Cobain de mau-humor por estar tocando na MTV; Dave Grohl arrebentando a bateria; câmera sobrevoando o público, que pula o tempo todo e bate cabeça, sustentando um cara com as mãos, meio que voando por cima de todos; as roupas. Era legal:


 
Mas, quando penso nos anos 90, penso mais em Chico Science e Nação Zumbi. Esses caras sim, esses tinham uma proposta musical ousada, um híbrido de elementos regionais (maracatu, coco, ciranda, baião) com música eletrônica e rock. A década de 90 também contemplou o lançamento de Roots, do Sepultura (banda que influenciou a sonoridade de CSNZ e que foi influenciada por eles), disco que mudou rumos da música pesada mundial.  

Ora, que venham de volta os anos 90, aceito, fico até feliz que novas gerações tomem contato com o tempo que foi meu - mas que essas gerações aprendam as coisas que os anos 90 tentaram ensinar: podemos ouvir o que vem de fora, claro está, as bandas de Seattle eram mesmo um barato; mas o Brasil é potência musical há muito tempo, sobretudo no que diz respeito a rock and roll. Para provar, “Da lama ao caos”, com a Nação Zumbi, em apresentação recente (aindo prometo garimpar mais a net à cata de vídeos da época):

Posted in Máquina do Tempo.

Tagged with , , .


3 Responses

Stay in touch with the conversation, subscribe to the RSS feed for comments on this post.

  1. Renato says

    Assim se confirma a regra de que sempre se percebe que há vinte anos se fazia coisas legais. Estamos perto da segunda década do século e com ela vem junto os 90, como os 80 vieram junto com a primeira década.

    Como disse um velho compositor baiano: Eu vi o futuro, baby, ele é passado.

    Abrax

  2. Carlos Rogério says

    Renato: de fato, Marcelo Nova sempre tem razão. Particularmente, não acho que os “retornos” aos vinte anos anteriores sejam ruins, pelo contrário. Quando os oitentas voltaram, vieram com eles coisas boas que haviam caído no esquecimento – o próprio Camisa de Vênus é um bom exemplo, quiséramos nós ter muito mais bandas como essa; o problema é o lixo da época que vem junto com os “revivals”.

    Mas é aí que entram os blogs, principalmente o seu – ajudamos a pensar, fora da lógica da grande imprensa, a cena dos anos anteriores. E a cena atual.

    Abração!

Continuing the Discussion

  1. Blog da Identidade Musical » O gosto antigo da novidade e o ativismo necessário do público linked to this post on 11/04/2009

    [...] refletindo sobre passado, presente e futuro (provocado pelo comentário do Renato, do blog Rock Brasília): durante quase todos os anos 90, fiquei na expectativa de que [...]



Some HTML is OK

or, reply to this post via trackback.