Ok, todo mundo já viu a divulgação das principais espetáculos da Virada Cultural, que vai rolar nos dias 02 e 03 de maio, nos grandes canais de notícias. E todo mundo também se perguntou: “Cadê o palco independente?” – e temeu, porque houve corte das verbas disponíveis para o evento. Enquanto ninguém tem a resposta para a pergunta sobre o destino das bandas independentes (afinal o site oficial da Virada afirma que a programação completa só sai amanhã, dia 15), comemoremos as seguintes atrações:
Na Avenida Ipiranga, Cordel do Fogo Encantado (leia texto sobre a banda na Métrica do Grito). No Teatro Municipal: Arrigo Barnabé e banda Sabor de Veneno tocam “Clara Crocodilo”; Tom Zé faz ”Grande Liquidação”; Beto Guedes, “Alma de Borracha”. Palco Estação da Luz, na rua Cásper Líbero: “Toca Raul!” com homenagem aos 20 anos de morte de Raul Seixas, com show dos Panteras, participações de Marcelo Nova e Nasi. No Largo Santa Efigênia, apresenta-se nosso querido Curumim. Na Praça da República, rock and roll: Camisa de Vênus (leia texto sobre a banda na Métrica do Grito), Velhas Virgens, Vanguart, Nação Zumbi e Ike Willis.
É claro que a lista acima, por si só, já vai valer. Omiti artistas de que não gosto ou que desconheço. Mas retomo: falta muita coisa do universo independente aí; e as apresentações no palco do Pátio do Colégio, no ano passado, foram antológicas. Enquanto São Paulo não tem um festival independente, a Virada Cultural serve aos paulistanos como prêmio de consolação. Será lamentável se não houver algo equivalente neste ano. A impressão que o espetáculo do ano passado foi tão forte que escrevi um texto todo cheio de fantasmagorias e alienígenas, na Métrica do Grito - mas tem lá, também, uma reflexão sobre a cena e o mercado independentes, que continua atual.
Enquanto a programação completa não vem, contentemo-nos com uma notícia que encontrei no Showlivre: “o Ultraje a Rigor disponibilizou três novas músicas para dowload gratuito e/ou audição na página da banda no site ReverbNation(www.reverbnation.com/ultrajearigor)”. A reportagem de Nathalia Bikholz (cujo blog é bem bacana, recomendo) ainda informa que a ideia de Roger e sua banda “é gravar nossas músicas conforme elas forem sendo feitas e disponibilizá-las gratuitamente para download na internet pelos sites ReverbNation e MySpace”; ele diz ainda que “Assim que tivermos um número suficiente de faixas gravadas, daí lançaremos um CD, provavelmente com novas versões dessas faixas”.
E eu aqui pensando:
01. Pinta aí mais um site de divulgação de músicas, o ReverbNation, que eu particularmente ainda não conhecia. Investiguemos;
02. Divulgar as músicas pela internet, verificar a reação do público e depois lançar um trabalho mais completo e acabado pode ser a resposta àqueles que vaticinavam o fim de formatos equivalentes ao CD ou ao antigo, mas hoje incensado, vinil. Li na Rolling Stone desse mês algo similar, que o Leoni, que era do Kid Abelha, está fazendo.
Enquanto a programação completa da Virada Cultural não vem, imaginemos que “Nós vamos invadir sua praia”, do Ultraje, é o hino dos independentes, na canção brasileira de hoje:

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