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Documentário sobre Ozzy Osbourne sai em 2010 (reflexões sobre o rock brasileiro e o estrangeiro)

Acabei encontrando no Portal Rock Press, via Twitter, o trailer do documentário sobre Ozzy Osbourne:

WRECKAGE OF MY PAST from MIKE PISCITELLI on Vimeo.

Os leitores aqui da Identidade Musical hão de ter percebido que praticamente não veiculamos informações a respeito de música estrangeira. Nosso foco é mesmo o Brasil, a cena independente que tem ganhado força nos últimos anos. Não sei se meu parceiro de blog concorda, mas acredito que, depois de Bossa-nova e Tropicalismo, a música brasileira anda com as próprias pernas no que diz respeito à identidade; temos um mercado nacional popular de música que procura mais artistas nacionais do que internacionais; no rock, faz bastante tempo que ganhamos autonomia criativa, sem precisar repetir cegamente o que se faz lá fora. Já escrevi mais de uma vez aqui no blog que é nos países da periferia do capitalismo que o rock ganha vida nova, porque, pela sua permeabilidade a outros gêneros, acaba se misturando com ritmos e sonoridades regionais. É o que se ouve na Nação Zumbi, da década de 90, ou no Madame Saatan, agora recentemente, só para citar dois exemplos. Mas eu teria muitos mais.

Mas por que o título deste texto aponta para o documentário sobre Ozzy Osbourne? Primeiramente porque, apesar de já termos um rock todo nosso, bem diferente do americano ou do inglês, que teoricamente seriam as referências primordiais, não precisamos deixar de ouvir as coisas boas que vêm de fora. Ozzy é uma delas. No Youtube já foi difícil de escolher qual vídeo colocar aqui para ilustrar. Escolhi “I just want you”:

O segundo motivo para chamar a atenção para o Ozzy é a notícia que li no Portal Rock Press: “Foi divulgado o trailer de Wreckage of My Past, documentário sobre Ozzy Osbourne produzido por Jack, filho do músico. (…) A previsão é de que filme chegue às telas em 2010. (…) Em 2008, Jack declarou que pretende “limpar” a imagem deixada por Ozzy na série The Osbournes. Além de apresentar a fase negativa do cantor, o documentário trará uma visão otimista do futuro do “príncipe das trevas”“. “Limpar” a imagem de Ozzy? Acho difícil. Depois que submeteu a própria vida familiar à exposição total, num reality show, Ozzy caiu na vala comum das celebridades (decadentes, na minha opinião). O suposto “príncipe das trevas” tornou-se uma caricatura do que era, cheio de sensualidade, agudos e drogas. Hoje, sua figura mais deprime do que inspira.

Há lições a aprender com o ex-demônio dos palcos. A primeira é óbvia, e já deveríamos ter aprendido faz tempo, com os mitos gregos – o de Ícaro, por exemplo – e com os do rock: se não morrer de overdose, ou afogado no próprio vômito, ou numa banheira em Paris, em condições suspeitas, ou de acidente de carro ou avião, você vai ter de enfrentar a maturidade e a velhice. Melhor seria poder fazê-lo com alguma dignidade. E reality shows sempre soam como fim da linha, último recurso de celebridades em decadência.

A segunda lição a aprender com Ozzy é a seguinte: para envelhecer com dignidade, é preciso renovar-se. E aí voltamos à conversa do início do texto: a impressão que tenho dos rocks norte-americano e inglês é a de que eles se repetem infinitamente. Mesmo o Radiohead, que parece ser a grande banda deste momento, diz pouco em termos de inovação – no plano musical, quero dizer. E antes que eu seja apedrejado: isso não significa que eu não goste de Radiohead; só quer dizer que não vejo na banda alguma grande novidade em termos sonoros. É a velha conversa a respeito de rock gringo: no fundo, no fundo mesmo, tudo já estava, potencialmente, na obra dos Beatles – esses, de fato, grandes criadores. O que as bandas, de modo geral, fizeram ao longo dos últimos quarenta anos foi explorar elementos que já estavam nas canções dos Quatro de Liverpool. Claro: podemos excluir a essa outra vala comum as guitarras de Hendrix e Clapton; algumas canções dos Doors (algumas e não todas: aprendamos a ir além da trilha do filme de Oliver Stone); a santíssima trindade de Deep Purple, Led Zepellin e Black Sabbath tem coisas únicas; Janis, Patti Smith, a flauta de Jethro Tull… mas, no fundo, nos últimos quarenta anos, o que tivemos eram e são variações sobre o mesmo tema.

O contrário acontece no rock brasileiro – e nos rocks dos países periféricos como o nosso: aqui temos potencial criativo, porque associamos o rock a outros universos culturais. Tropicália não é rock, é Tropicália: ouçamos os dois primeiros trabalhos dos Mutantes para entendermos, definitivamente, o que diz o professo Luiz Tatit no seu livro O século da canção: “somente o tropicalismo conseguiu de fato explicitar o óbvio: a música estrangeira, em graus diversos, é parte integrante da brasileira”. Já assimilamos as sonoridades (e a cultura) alienígenas, já as ouvimos, já as deglutimos e já as transformamos em força própria, para usar uma imagem antropofágica, tão ao gosto dos tropicalistas. É exatamente por isso que nosso rock já tem história e identidade próprias. Só falta, agora, o público reconhecê-las e entendê-las.

Abaixo, “Mr. Crowley” – porque os estrangeiros também fazem coisas boas. E porque, no vídeo, pode-se observar Ozzy Osbourne numa versão menos sóbria do que a atual, mas, curiosamente, um pouco mais íntegra do que a do rock star de reality show:

Posted in Máquina do Tempo.

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10 Responses

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  1. luísa says

    rá, parei de ler quando você veio com esse papo de que radiohead não inova.
    cumassim Rogério, não vi-a-ja! mais atenção ao falar da MAIOR banda da atualidade!

    ou o quê, você achou que ia poder falar assim de *radiohead* e sair incólume???
    :P pra você!

    beijos de uma fã revoltada ;)

  2. Carlos Rogério says

    Luísa:

    Obrigado por ser a (primeira) voz discordante deste blog. Estamos aqui para isso!

    E diga lá: o que é que o Radiohead tem (além de ser a maior banda atual)?

    beijão, com um puta respeito.

  3. luísa says

    cara, eu sei lá, mas que o som deles é inovador, é notório – tanto que é difícil classificar, em nenhum rótulo encaixam bem (falo do segundo radiohead, claro). radiohead é radiohead. é foda.
    e beatles não é mais inovador do que quaisquer outros inovadores (pronto, agora pode me xingar houhouhou).
    beijos.

  4. Phil says

    Ozzy decadente?? Radiohead não inova??

    Na boa o que vc anda fazendo da vida??

    Um tem quase 70 anos a acabou de lançar um cd com uma linha musical bem diferente, sem deixar de ser ozzy,,,o outra já foi dito….

  5. Corante says

    Eu quero ver se o escritor dessa merda de artigo com 60 anos vai ta tomano sopa ainda… pq eu acho q nem for;a pra joga uma biribinha o cara num vai ter…. Se toca cara se num sabe nada de rock le alguma coisa por ae e sai escreendo merda como a maioria dos escritores de artigos…. juntao um rumor aki outro ali e se acham no direito de jugar um cara q revolucionou o rock.

  6. OZZYFÃ says

    O Z Z Y D E C A D E N T E ?????

    DECADENTE É VC QUE NINGUEM SABE QUE EXISTE E PASSA O TEMPO DA SUA VIDA ESCREVENDO SOBRE A VIDA DE QUEM FEZ HISTORIA E É UMA LENDA VIVA!!

    RESPEITE O OZZY.

  7. OZZYFÃ says

    CONCORDDOOOOO COM O CORANTE!! VC COM A IDADE DO OZZY NAO CONSEGUIRIA LEVAR UM SHOW POR 2 HORAS, TURNES PELO MUNDO INTEIRO, GRAVAR PROGRAMAS DE TV E ETC… VC SE QUERER CONSEGUIRIA GRAVAR UM VIDEOZINHO PRO YOUTUBE!

    GO TO THE HELLLLLL

  8. garapa says

    Não é justo pensarmos que só porque as coisas se tornam “antigas” estão em decadência. Agora já que música é manifestação cultural que por si reflete a sociedade, tenho me preocupado com que ouço de novo em todos os gêneros muita coisa sem “sal” e “açucar’”. Pode ser que queirão inovar muito em pouco tempo e a angustia e a frustação resultam por pessímos trabalhos e esquecem que só se renovam com o passar natural do tempo. Talvez nãoseja tão mal se inspirar ou observar o trabalho dos velhinhos do rock ao invéz de julga-los pela aparência atual.

  9. Leonel Donovan says

    Não sei se decadente seria a palavra exata em relação ao Ozzy atual.Mas vendo a coisa mais prática e real da situação,o Ozzy está em uma idade que qualquer pessoa “normal” já adquiriu expêriencia suficiente para ser dona de seu próprio nariz e ter consciência como,sem precisar dar satisfação aos outros.Mas também é a fase da vida que fisicamente as reações do corpo já não tem tanta as habilidades motoras e funcionais como antes.É a fase que relaxar e fluir com o tempo é mais prazeiroso do que ficar correndo adoidadamente como um jovem em busca de novas emoções.Então nisso o Ozzy está apenas obedecendo a natureza e inteligentemente envelhecendo(é,muitos ídolos conseguem envelhecerem) e dentro de um padrão cristão digno de viver,ele ainda continua na mídia.É a vida mano!

  10. Leonel Donovan says

    Não adianta,música é um acontecimento muito pessoal,cada um tem suas preferências,ou através de influências ou emoções interiores próprias.Tenho todos(menos os 3 últimos) vinis/cds do Sabbath(que não é minha preferência musical) e pessoalmente prá mim os melhores deles são o Master of Reality(73) e Black Sabbath(70).Não adianta,o tripé metal precussor do estilo são o Black Sabbath,Led Zeppelin e o Deep Purple.E fechando a porta o Rush.



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