Num blog destinado à canção, é inevitável comentar, de alguma maneira, a morte de Michael Jackson, embora eu particularmente evite veicular por aqui notícias que já estão largamente alardeadas pela grande mídia. Em termos bem objetivos, não é necessário noticiar via blog o desaparecimento do maior ícone pop da história. Mas acredito que analisar, de alguma forma, o alcance que Michael Jackson obteve em vida pode ter alguma utilidade.
Comecemos fugindo aos clichês – berço da carreira de Michael Jackson, a trajetória dos Jackson 5, por exemplo, está largamente divulgada nos grandes sites. É inegável perceber, contudo, que Michael, aos cinco anos de idade, se destacava, chamava a atenção, pela voz, pela dança, pelo carisma:
Não foi à toa, portanto, que se transformou no maior mito da história pop. E a palavra mito, no caso de Michael Jackson, é a mais que adequada. Um mito é uma narrativa, trajetória de um herói, destinado à fama, entendida pelos clássicos como a capacidade de superar a lei da morte, que é o esquecimento.
Ora, Michael Jackson era talentoso desde a infância e parecia fadado (palavra, em língua portuguesa, também sintomática, porque fado quer dizer destino) ao sucesso. Foi, com efeito, o que ocorreu. Rumo à vida adulta – que, como veremos, talvez nunca tenha experimentado de fato – Michael Jackson tomou as rédeas de uma carreira solo estrondosa que todos conhecemos, mesmo que não gostemos das suas canções. Alcançar tal celebridade é meio de superar o esquecimento a que a morte nos destina. Mas, ao contrário do que parece, a obtenção dessa fama é um processo sofrido e – para retomar os clássicos, de novo – trágico.
Fazer sucesso e trabalhar aos cinco anos de idade é, para dizer o mínimo, um abuso. Criança, acredito eu, tem de brincar bastante, divertir-se, estar acompanhada por pais, parentes e professores que lhe agucem a criatividade e o gosto pela vida. Acontece que, muitas vezes, prodígios como Michael Jackson acabam por tirar suas famílias da penúria. Não faltam exemplos de jogadores de futebol adolescentes cuja renda sustenta pais e irmãos. Trata-se de um corolário da desigualdade social, que faz crianças tornarem-se adultas cada vez mais cedo. E o pior é que a lógica da sobrevivência faz todo o discurso dos direitos da criança virarem fumaça, e dá-lhe Sílvio Santos (no mais, outro mito) humilhando menininha em cadeia nacional.
A coisa se complica ainda mais quando percebemos que a trajetória do mito moderno está intrinsecamente associada à ascensão social. No caso de Michael Jackson, há ainda o agravante de ele ser negro, nos Estados Unidos. Está montado o enredo da vida real que talvez mais encante o público norte-americano, cujos valores estão espraiados pelo mundo afora: o mito moderno, o herói de nosso tempo, é aquele que supera, por meio do talento pessoal, do carisma, as dificuldades de classe e etnia, ascendendo socialmente e sendo aceito pelo público em geral. Some-se a essa receita o fato de o garoto ter começado a carreira com apenas cinco anos e de ter um pai violento. Aos olhos do público norte-americano, Michael Jackson é um grande vencedor porque superou duas das grandes máculas da “maior democracia do globo”: o preconceito da sociedade e a violência doméstica. Está montado o herói, um mito norte-americano de primeira grandeza.
Alguns leitores assíduos do blog hão de estar estranhando este texto. Mais de uma vez propus que analisássemos a obra dos artistas, não suas vidas. O ponto de vista que pretendo defender hoje é o seguinte: o mito Michael Jackson talvez seja ideal para percebermos o quão associada está a carreira do artista a elementos que nada têm que ver com seu talento. Em palavras bem simples: talvez grande parte do sucesso incomparável de Michael Jackson não esteja associado a seu talento artístico inegável, seja como dançarino, seja como criador de grandes hits, mas ao fato de ele encarnar uma versão do mito norte-americano de ascensão social e de superação dos preconceitos. Talvez as pessoas tenham depositado em Michael Jackson as esperanças e as ideologias que lhes habitam o imaginário. Ou pior: talvez Michael Jackson tenha caído como uma luva, há mais de vinte anos, para fazer parecer que a sociedade norte-americana tolerava minorias, exatamente em um de seus governos mais conservadores, o de Reagan. Lembremos, finalmente, que o primeiro presidente norte-americano oriundo das minorias acabou de ser eleito.
Mas todo mito, para ser mito de fato, tem de diferenciar-se dos humanos comuns. Talvez a morte seja, no caso do mito moderno, a melhor alternativa. Como tornar-se um mito – ser sobre-humano por natureza – e permanecer vivo, entre os humanos? Na melhor das hipóteses, a celebridade dos nossos tempos faz besteira, é flagrada em alguma situação embaraçosa pelos papparazzi, retrata-se perante o público, ou não, e acaba por se aproximar do mundo dos mortais. E mais uma vez Michael Jackson foge à regra. O dinheiro que ganhou foi capaz de comprar-lhe uma “terra do nunca”, uma neverland que pode ser interpretada basicamente de duas maneiras.
A primeira é a mais fácil: o rancho de Michael Jackson talvez seja uma tentativa de recuperar a infância perdida, toda ela consumida em obter a subsistência pessoal e familiar, além de cumprir o ritual para tornar-se um exemplo flagrante do self made man norte-americano. Viver na terra do nunca é uma forma de brincar o dia todo na montanha-russa, na roda-gigante, brinquedos de que boa parte das crianças desfrutou, menos Michael, confinado em estúdios e palcos. O fato de estar destinado ao sucesso tem preço: na infância, experimentou as responsabilidades da vida adulta; na maturidade, tentou ser criança de novo. E, de certa forma, os dois projetos acabam malogrados.
Vem dessa falência da vida pessoal a segunda interpretação que se pode dar ao rancho Neverland, certamente mais sombria: trata-se de um refúgio fora do tempo e do espaço, um espécie de limbo, talvez uma morte antecipada (que o dinheiro, o Deus moderno, pode pagar), instância que os mitos têm de habitar para permanecerem mitos. Em vida, Michael Jackson não pertence ao universo dos seres comuns. Recolhe-se, pois, a um mundo fora do mundo, espécie de morte em vida – no mais, uma repetição das situações paradoxais que viveu, como a vida adulta em plena infância.
Todo herói trágico tem de cumprir seu destino, a que não se pode escapar. Para Michael Jackson, o preço de ser a maior celebridade de todos os tempos apressou-lhe a morte, ainda que estivesse vivo. Conhecido em todos os cantos do mundo, restou-lhe o isolamento.
Mas nem Michael Jackson escapou aos fotógrafos insistentes, aos processos por molestar crianças sexualmente, aos casamentos que tinham toda pinta de terem sido arranjados para escamotear… o quê? Quem é Michael Jackson, de fato, talvez seja uma pergunta que o público faça a si diariamente. É pena, porque, como insisto sempre aqui no blog, essa é a pergunta menos importante a fazer. O culto ao mito Michael Jackson deixou, cada vez mais, de lado a obra de Michael Jackson – o que é lamentável, embora os trabalhos posteriores a Thriller jamais tenham superado esse álbum, em termos de qualidade.
Neverland talvez seja mesmo o espaço da infância perdida e da morte em vida. Mas o destino trágico do mito não para na tentativa malograda de recuperar os tempos de criança. A ascensão social e a superação do preconceito foram acompanhadas, na vida de Michael Jackson, por um processo nefasto de branqueamento e deformação. E não interessam as causas desse processo: o fato é que o mito foi assumindo uma forma assustadora, monstruosa, que parecia expressar sua degradação, motivada pelo culto a ele devotado. O processo era cruel: quanto mais Michael Jackson se mutilava – não encontro outra palavra – mais o público ia ao delírio, mais especulações eram feitas, mais os fotógrafos o perseguiam. Tratava-se de um processo de auto-sacrifício, em que o mito se entregava lentamente à aniquilação de si mesmo, à anulação completa da própria identidade, em nome da aparência, diretamente asociada ao culto à celebridade. Por trás daquela máscara de horror, de certa forma pressagiada na deformação pela qual Michael Jackson passava no clipe de “Thriller”…

por trás dessa máscara estava o vazio ou o mistério completo – a morte, portanto, única experiência que acabou lembrando ao público que Michael Jackson, no final de todas as contas, era humano. A morte iguala-nos a todos – e parece ter devolvido a humanidade a Michael Jackson, ele que já estava tão confundido com a própria máscara, exageradamente pálida, com o objeto de idolatria e desejo, objeto precioso, produto de consumo, na lógica da sociedade em que vivemos. Além disso, a morte conferiu-lhe definitivamente a distância necessária para que ganhasse a forma definitiva do mito.
Qual o preço de ser um mito moderno? Para responder, roubo as palavras ao Editor-Chefe do Showlivre, Rodrigo Carneiro, no blog Eu, ela o cão e o affair redivivo: “Ao que me parece, o tormento foi o parceiro mais constante da alma de Michael Jackson, artista completo. Deve encontrar a paz agora”.
No vídeo abaixo, a minha preferida: “Beat it”.

Belo texto, CR. Além de tudo que aconteceu a Michael Jackson, creio que ele seja o primeiro artista da música a sofrer as mais pesadas consequências do culto à celebridade, muito mais que Elvis. Por ter vivido numa época de enorme expansão tecnológica, do começo da cultura do videoclipe e da internet, sua vida pessoal foi colocada em primeiro plano, o que obscureceu seu real valor. Prefiro considerar que a música, a dança e o groove de Michael são suas mais belas contribuições ao mundo. RIP, Michael.
beijos, Carlos. Muito bom o blog, voltarei.
“Maria Fernanda”!
De fato, o que guardo de Michael Jackson são as canções, a dança e o groove.
Obrigado pela leitura. E volte sim, que será sempre querida por aqui.
beijão!
Excelente reportagem Rogério!
Ainda não havia pensado em o quanto algumas celebridades deixam de viver e acabam se tornando mitos.
Abraço
Obrigado, Rodolfo!
Miichaeel te amoo Muiiito??
LOVE LOVE LOVE LOVE…iinfiinitamente
Arrasou, rapaz!
Também escrevi sobre o Michael:
http://interdependente.blogspot.com/2009/06/meu-broder-jacko-e-hiperracionalizacao.html
abração
Você é que arrasou, AD! Valeu pela leitura! Abraço!
beijoss xau michael jacksan
king of pop te love michael jackson
eu so pude te ver com 5 anos te encontro no `céu
você sempre vai ser o meu
rei………………..
……………………….
………………………….
O que as pessoas deveriam enchergar, era o homem por trás do mito, o que só aconteceu agora com sua morte, e sua transformação em “LENDA”, para mim foi mais que um mito, mas uma pessoa que viveu como um homem digno.
Michael Jackon.
Michael Jackson era O CARA, merece todo carinho e respeito… coloquei homenagens no meu blog a ele.
oi
Michael Jackson era O CARA, merece todo carinho e respeito… coloquei homenagens nos meus sites
e massa
eu gosto
eu amo michael mais q tudo nessaa vida
maicom vc é uma pessoa especial vc morou no meu coração vc foi especial para
todos nós eu te amo muito eu sepre ligava a tv e dançava com o meu primo agente pulava brincava e pulava no sofá e nossa mãe brigava com a gente e eu e ele recomesava tudo de novo…………………………………………………………………..
oi, sou uma menina de 11 anos e sou muito fa de Michael Jackson.
eu sei que a morte foi uma tragedia e que Michael sempre vai ficar quardado em nossos coraçoes.
I LOVE YOU MICHAEL…
meu filho de 02 aninhos e meio se amarra na dança e musicas do michael sem falar no gritinho,pois é agora mesmo to procurando alguma coisa do michael pra ele.
SAUDADS ETERNAS MICHAEL JACKSON!!
bom o que eu posso dizer eu amo michael jackson mesmo ele morto sempre estara vivo pra mim
ok beijossss
xauxau
eu amo michael . mas ele não morreu por morrer … foi tudo culpa do medico . sabe por que ? porque o medico não ajudou michael quando ele estava mal . mas depois que michael tinha morrido ( na mansão) dai ele fez massagem cardioca para fingir que ajudou algo . tenho certeza que o medico queria ver michael morto.
Tributo ao Michael Jackson
Só mesmo a morte poderia juntar os pés mágicos de MJ, que com eles andou para traz, porém, indo para frente, onde ninguém nunca chegará. A música e show business ficaram órfãos perderam: a criatividade e a irreverência.
O que nos restou? – Plagiadores somente plagiadores; o extraordinário morreu.
A propósito qual diferença entre: extraordinário e ordinário e o prefixo: EXTRA e, foi isso que Michael Jackson foi EXTRA. E será onipresente.
Sinceramente.
Júnio Eduardo
oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
que foto e essssssssssssssssssssaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
bjsssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss
ksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksksks
eu so muito fa do michael jackson desde de 1984 ate hoje ?
o michael ja faz parte da minha vida? nois que somos fas dele sofremos com a morte dele? michael sera eterno em meu coraçao ? michael sera sempre o rei ele jamais perdera a majestade
I LOVE YOU MICHAEL JACKSON
que foto maneiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa tó com medo !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Muito bom o texto, eu ainda não me conformo, e quase impocivel acreditar que ele se foi, e levou junto todo o seu talento q me encanta e vai me encantar sempre que eu lembrar q existio um cara se tornou o rei, quando olhos os os videos nossa ele realmente foi o cara, apesar das injustiças cometidas ao seu respeito. Ele estara sempre em meus pensamentos nunka me esquecerei
estas real sou uma das tuas fas
d +, meu n sô muuuuuuuuuuuuuuuito fã do Mickon + esse txto é massa, foi 1 pna o mike tr morrido!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! BJS…………………………….. pro 6
Nunca uma morte me comoveu tanto…
uma trexo que eu escrevi e gostaria de passar para todos q estão lendo o blog
” Ele só queria ser criança e amar e ser amado como tal, e a mídia, e até nós mesmos matamos não apenas a figura ” o Rei do POP ” mais o homem Michael Jackson, e a alma Michael Jackson” com acusações sobre suas mudanças física, acusações de pedofilia e outras, Michael Jackson foi o homem que marcou minha vida, mostrou a inocência de uma criança em homem homem de 50 anos…”
Michael Jackson eu te amo, não importa aonde e como estás sempre vamos amá-lo eternamente ?
Fique muito tristo com a morte de Michael, ano estou querendo ouvir novidades com outras músicas POP, mais não tem outro que o substitua, gostria de saber se vocês podem tocar na GLOBO FM, a música Triller gosto muito. THAU!
Corrija a palavra fique por fiquei triste
michael é o rei do pop pois ele não sera esquecido ele é uma lenda
ele era um grande cantor
i can say that i miss jacko so much coz i am one of his die hard fans`-*
Fico muito feliz que existem, pessoas que realmente gostem e admiram o trabalho de um menino homem que transformou as nossas vidas de uma maneira especial. Eu realmente fico feliz e gostaria que vc ´s publicassem mais reportagem de Michael
que foi assassinado por um grupo extremamente perigoso que muito cantores se veem ameaçados e acuados sem poder pedi socorro.
ESTE GRUPO É FORTE E TEM PODER E
INFLUENCIA QUE ASSUSTA E SE FOR NECESSARIO, MATA.
CUIDADO! MADONNA
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CUIDADO! MADONNA …
Fico muito feliz que existem,
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de um menino homem que transformou as nossas vidas de uma maneira especial.
Eu realmente fico feliz e
gostaria que vc ´s publicassem mais reportagem de
Michael que foi assassinado por um grupo extremamente
perigoso que muito cantores se veem
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que foi assassinado por um grupo extremamente perigoso que muito
CANTORES SE VEEM AMEAÇADOS E ACUADOS SEM PODE PEDI SOCORRO.
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CUIDADO! MADONNA
every fan of Jacko will miss him, he is still the best pop artist to roam the earth ..
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Parabéns pelo texto! Não preciso dizer o que já sabem mas, desde os 5 anos Michael já encantava e tinha nos olhos o brilho da esperança. Cresceu e tornou-se o mito, o incomparável, com seus pés mágicos e performances inigualáveis. Mas, o mundo estranho o qual teve que conviver com pessoas cruéis que fizeram ele perder o brilho em seu olhar!
Michael, obrigada por todo legado que vc deixou…
Obrigada por ter existido!
REI DO POP! O INESQUECÍVEL!!!
oii tudo meu nome e shmuel
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