Skip to content


Pesquisa personalizada

Um dia vai rolar. Oh, yeah!

banda

por Thiago Giglio

Qualquer músico que tenha ou já teve uma banda, costuma reclamar da estrutura do cenário independente. Bares com equipamentos caindo aos pedaços, acústica das casas nada planejadas, palcos improvisados, nenhum camarim, cachês baixos, técnicos de som que não sabem ver as horas e valorização zero das bandas.

Raras são as casas que incluem em seus projetos arquitetônicos um orçamento para construir um local ideal para as bandas. E raros são os músicos que cobram uma real valorização por seus trabalhos. Existem casos de casas (não vou citar nomes) que pagam uma bagatela de apenas R$ 300,00 para bandas que vêm de outras cidades só pra tocar em São Paulo. Um descaso tão grande, que faz qualquer pessoa pensar 37 vezes antes de encarar a realidade do cenário rock brasileiro.

Mas é  claro que cada um cumpre o seu papel. O dono do bar quer a bufunfa entrando, o cara da programação quer as bandas famosinhas e tem que ter público. Ou seja, bandas novas acabam se submetendo a condições ridículas para tocar seus 50 minutos de show, para um público que tem a estranha dificuldade de comprar discos demos bacanas por míseros cinco ou dez reais (até porque, pra que serve a net?).

Porém, o problema não é muito no topo da pirâmide, mas em nós mesmos, a camada proletária e genial dos músicos. Aposto que qualquer músico já fez a grande cagada de desencanar de certos detalhes antes de um show: set-list impresso pra todos da banda, águas no palco, instrumentos pré-afinados, passagem de som (como assim?) e o pior, desconfiômetro alcoólico. Cansei de ver shows por aí em que os bêbados da banda pagavam de estrelas do rock, mas desafinavam mais que a Mallu Magalhães.

É o amadorismo dos músicos que permite posições indulgentes e desclassificatórias de alguns bares para com as bandas. Não tem como cobrar profissionalismo e valorização se nem as bandas se dão tal trabalho. Por isso eu digo e relembro comigo mesmo: profissional é aquele que aprende a tocar direito, cantar bem, se portar num palco e faz o show com a segurança de que está dando seu máximo. Depois disso, há argumentos de sobra pra exigir das casas e principalmente cair nos braços da galera.

Rock no Brasil ainda é tosco. Falta ensaio, talento, oportunidades, jornalismo especializado (e com bom ouvido), grana e boa produção. Mas esperança é a última que morre. Nosso rock há de ter jeito!

Thiago Giglio é musico, compositor, vocalista e gosta de assistir e fazer bons shows.

por Thiago Giglio
Qualquer músico que tenha ou já teve uma banda, costuma reclamar da estrutura do cenário independente. Bares com equipamentos caindo aos pedaços, acústica das casas nada planejadas, palcos improvisados, nenhum camarim, cachês baixos, técnicos de som que não sabem ver as horas e valorização zero das bandas.
Raras são as casas que incluem em seus projetos arquitetônicos um orçamento para construir um local ideal para as bandas. E raros são os músicos que cobram uma real valorização por seus trabalhos. Existem casos de casas (não vou citar nomes) que pagam uma bagatela de apenas R$ 300,00 para bandas que vêm de outras cidades só pra tocar em São Paulo. Um descaso tão grande, que faz qualquer pessoa pensar 37 vezes antes de encarar a realidade do cenário rock brasileiro.
Mas é  claro que cada um cumpre o seu papel. O dono do bar quer a bufunfa entrando, o cara da programação quer as bandas famosinhas e tem que ter público. Ou seja, bandas novas acabam se submetendo a condições ridículas para tocar seus 50 minutos de show, para um público que tem a estranha dificuldade de comprar discos demos bacanas por míseros cinco ou dez reais (até porque, pra que serve a net?).
Porém, o problema não é muito no topo da pirâmide, mas em nós mesmos, a camada proletária e genial dos músicos. Aposto que qualquer músico já fez a grande cagada de desencanar de certos detalhes antes de um show: set-list impresso pra todos da banda, águas no palco, instrumentos pré-afinados, passagem de som (como assim?) e o pior, desconfiômetro alcoólico. Cansei de ver shows por aí em que os bêbados da banda pagavam de estrelas do rock, mas desafinavam mais que a Mallu Magalhães.
É o amadorismo dos músicos que permite posições indulgentes e desclassificatórias de alguns bares para com as bandas. Não tem como cobrar profissionalismo e valorização se nem as bandas se dão tal trabalho. Por isso eu digo e relembro comigo mesmo: profissional é aquele que aprende a tocar direito, cantar bem, se portar num palco e faz o show com a segurança de que está dando seu máximo. Depois disso, há argumentos de sobra pra exigir das casas e principalmente cair nos braços da galera.
Rock no Brasil ainda é tosco. Falta ensaio, talento, oportunidades, jornalismo especializado (e com bom ouvido), grana e boa produção. Mas esperança é a última que morre. Nosso rock há de ter jeito!
Thiago Giglio é musico, compositor, vocalista e gosta de assistir e fazer bons shows.

Posted in Cena e Mercado.

Tagged with .


2 Responses

Stay in touch with the conversation, subscribe to the RSS feed for comments on this post.

  1. Alex Olyvera says

    Gostei muito do texto.. eu tenho banda e entendo o seu raciocínio. Paz e bem, Sempre!!!

  2. Marcia says

    Falou e disse cara!!!

    Os aspectos precisam ser corrigidos dos dois lados…



Some HTML is OK

or, reply to this post via trackback.