
Por Thiago Giglio
Até onde vai a nossa busca por novidades de bandas que já se foram e acabaram ao longo do tempo? A resposta é fácil: até onde os antigos registros e gravações perdidas nos permitirem. Digo isso, porque hoje mergulhei novamente num universo que deixei guardado por um tempo, uma dimensão sem volta, mas que aprendi suas portas de saída para a realidade. Esse plano maior se chama The Doors.
Não, não vou ficar falando do Jim, das loucuras, das letras profundas ou dos tribunais extensos que marcaram a carreira da banda. Quero contar sobre uma descoberta que fiz agora a pouco na net e que me arrepiou com seu conteúdo. É um site chamado Bright Midnight Archive. Talvez alguns já conheçam, como eu conhecia, porém, por preguiça ou sei lá o quê, só acessei hoje.
O interessante do site é uma rádio online que fica tocando músicas de uma variedade de shows perdidos e gravações esquecidas do Doors. E para a minha felicidade, quando acessei a página, a rádio estava tocando o show no Matrix, de 1967.
Matrix foi um dos primeiros bares que o Doors se apresentou. Local onde The End teve sua primeira apresentação com a parte edipiana. Um dos primeiros registros ao vivo da banda, tocando os hits que integraram o primeiro cd deles. Morrison soa jovem, ainda inseguro com algumas partes das músicas e libertário em outras, soltando a raiva, a volúpia e instabilidade que trazia na alma. Para quem é fã como eu, um prato cheio.
Em Light my Fire veio a surpresa: a música começa sem a intro de teclado que se tornou tão conhecida. Robbie Krieger puxa apenas os acordes dos versos e dá um tom mais “bossa nova” ao início dela. A intro só entra no meio, como marcação e sem a melodia que todos adoram. Pelo que tudo indica, o show foi feito antes de gravarem o primeiro disco. Bem bacana!
A abertura do show fica por conta de Break on Through, cantada com o mesmo feeling do disco. Interessante. Pois quem já ouviu algumas versões ao vivo desta canção, já percebeu que nos refrões o Morrison cantarolava uma oitava a baixo, enquanto Ray Manzarek fazia os vocais originais. Mas nesta versão do Matrix, Jim canta como a concebeu. Voraz.
A lista de preciosidades se estende, trazendo Cristal Ship, Backdoor Man, Alabama Song e outras da época, incluindo King Bee, cantada por Manzarek e Morrison juntos. Gravação boa, com sonzinho da fita ao fundo. Se você fechar os olhos conseguirá enxergar os quatro no palco, jovens, ansiosos pela carreira que começavam. Ainda tímidos, porém gênios.
Enfim, nossa busca por gravações perdidas das bandas que amamos não pára nunca. Enquanto existirem ouvidos e corações, ela continuará. Fica aí a dica para os amantes de Doors e de blues: http://www.brightmidnightarchives.com/
Thiago Giglio é musico, vocalista e compositor das músicas de sua antiga banda SÉ7IMA, a qual trazia uma pitada de Doors em seu estilo.

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