Skip to content


Pesquisa personalizada

Curumin lança videoclipe em Belém do Pará, a meca da canção independente

flyer_pri_curumim

Todo mundo sabe que a cena artística de Belém do Pará é uma das mais férteis de hoje – se não for a mais fértil. Isso se confirma com o lançamento do videoclipe de “Japan Pop Show”, do Curumin (leia matéria sobre o clipe aqui), com a direção da já consagrada Priscilla Brasil, do jornalista Vladimir Cunha e do fotógrafo Gustavo Godinho. Priscilla também encabeçou os clipes de “Devorados” e “Vela”, do Madame Saatan. 

Toda geração tem espaços específicos em que as coisas acontecem. Arriscaria dizer que esta nossa geração da canção independente aconteceu e tem acontecido, sobretudo, no espaço virtual. Mas a impressão que fica é a de que Belém do Pará se assemelha, de certa maneira, à São Paulo Modernista de 22, ou ao Rio de Janeiro da Bossa, nas décadas de 50 e 60, ou ainda à Recife do Manguebit, nos anos 90: os olhares e as atenções se voltam para lá, cada vez mais, como se irradiassem de lá as vibrações que tomam o país.

De lá veio Madame Saatan, no clipe de “Devorados”, também dirigido por Priscilla Brasil, gravado na Vila da Barca, em Belém, em julho de 2007, no famoso bairro sobre palafitas, que hoje sofre acelerado processo de reurbanização:

Foi só agora que muita gente descobriu – eu inclusive – que o Stress, a primeira banda de heavy metal brasileiro, formada em 1977, é de Belém. Nos dias 3 e 4 de agosto de 1982, em apenas 16 horas, numa mesa de 8 canais, a banda gravou o primeiro LP de heavy metal de uma banda brasileira. Clique aqui para ler a entrevista com o Stress, publicada recentemente no blog Rock Pará, de Sidney Filho – jornalista atuante na cena da cidade. Abaixo, ouça a canção “Heavy Metal”:

É em Belém que rola o Festival Se Rasgum, surgido em 2006, “com o objetivo de expandir a música independente produzida no Pará para todo o país e conectar Belém às novidades do cenário musical brasileiro” (clique aqui para visitar o site do festival). No evento, promove-se sobretudo a diversidade musical: lá é possível ouvir rock, guitarrada, carimbó, tecnobrega, dub, reggae, hip hop, indie, electro-rock, gótico, hardcore, punk, samba rock e outros estilos.

A próxima edição acontece nos dias 13, 14 e 15 de novembro, com presenças já confirmadas de Bonde do Rolê (PR), Comunidade Nin-Jitsu (RS), Matanza (RJ), Retrofoguetes (BA), Digital Dubs (RJ) e Gork (SP). Das bandas paraenses, tocam Pro.eFX, Clube de Vanguarda Celestial, Trio Manari, Delinquentes, Dharma Burns, The Baudelaires, Johny Rockstar (comentei o lançamento do EP dessa banda aqui), Ataque Fantasma e Aeroplano. Abaixo, Delinquentes mandam “Indiocídio”:

Finalmente: não só de rock vive a cena de Belém. Pedi a Bernie Walbenny, agitador cultural, roqueiro e produtor musical da cidade, que tem um blog na MTV, que me indicasse dois vídeos. O primeiro deles sobre o Tecnobrega:

O segundo, sobre o carimbó, gênero tipicamente paraense:

Em termos musicais, é preciso concordar: hoje, o Pará é o Brasil.

Para ficarmos todos na expectativa, termino com o vídeo de “Japan Pop Show”, do Curumin, no Estúdio Showlivre:

Posted in Agenda, Audio.

Tagged with , , , , , , , , , , .


7 Responses

Stay in touch with the conversation, subscribe to the RSS feed for comments on this post.

  1. Sidney Filho says

    Oi meu amigo

    Valeu pela citação no texto. Um furo para você, vou desativar o Rock Pará, e criar um blog mais amplo (Ver-o-Pop), que o nome de um festival que eu produzi em 1999 aqui em Belém.

    Um grande abraço

    Sidney Filho

  2. Miranda says

    Na boa, Pará tem coisa interessante… mas não exagera. Um pouco de bom senso faz bem.

  3. Fabio Gomes says

    Concordo inteiramente com Carlos Rogério, que talvez tenha dado forma ao que eu já pensava mas ainda não tinha encontrado como dizer: há algo muito de especial rolando em Belém, sim! Tanto que é a capital que mais fornece assunto para meu blog Som do Norte – http://somdonorte.blogspot.com/

    Talvez no mapamento só tenha faltado incluir os novos valores da MPB paraense – nomes como Juliana Sinimbú, Felipe Cordeiro, Renato Torres, Aíla Magalhães, Lia Sophia e tantos outros que flertam ora com o samba ora com o pop e o rock, respeitando ainda os ritmos tradicionais locais.

  4. gizz7 says

    Meca da canção independente???? Como assim? Exagero. Moras em Belem ou passou bateu e voltou? Independente não faz sentido, percebo que ainda estamos engatinhando em cena local e ainda falta muita muita experimentação, mais desprendimento da visão centro-sulista, e remix mesmo –de gente!—entre ricos e pobres/pretos. Essa deve ser a primeira festa da cena classe-media-rica/pobre (?) que traz o inventor do eletromelody, ritmo que ja bomba ha mais de dois anos nas radios, ruas e bike-som da cidade.

  5. Dante says

    Haha e o povo se morde quando falam que a cena rocker paraense é do caralho e diferente das outras pelo Brasil e suas bandas cópias das bandas gringas que já deram o que havia de dar.Mas não concordo com o colega acima que diz que faltou mapear novos talentos na tal mpp. Ainda falta muito para que essa nova geração traga algo de novo a música como um todo. Ainda é tudo igual e chato. O que Belém tem de interessante musicalmente falando a gente só vai encontrar no Tecnoeletrobrega, acreditem, e no rock

Continuing the Discussion

  1. Sobre Cristo, Madame Saatan, heavy metal e a língua portuguesa – Blog da Identidade Musical linked to this post on 30/09/2009

    [...] a polêmica do post da semana passada sobre Belém do Pará, cujos comentários ainda vou responder: escrevi o texto abaixo apenas algumas semanas antes de a [...]

  2. Rápidas pra fechar a semana: Pedro Alexandre Sanches na Caros Amigos, banda Deadwax, Simja Dujov no Berlin, Lestics e Faichecleres no Inferno, Dito Efeito na Livraria da Esquina – Blog da Identidade Musical linked to this post on 15/01/2010

    [...] * Pedro Alexandre Sanches publicou um texto primoroso no site da Revista Caros Amigos: "Paranaense radicado em São Paulo há dezoito anos, me assombro com a constatação recorrente de que lugares que tenho visitado, como Vitória e Belém, respiram um vigor cultural esquecido pelo eixão Rio-São Paulo. Quando um roqueiro do Sol na Garganta do Futuro empunha de repente um violão, entendo que o pop e o rock, em Vitória, são moldados em MPB. Romperam diques e preconceitos que certas capitais tentam atravessar ainda constrangidas". Leia o texto completo clicando aqui. Aliás, partilhamos da impressão de que Belém respira vigor cultural: clique aqui para ler texto sobre a música de Belém. [...]



Some HTML is OK

or, reply to this post via trackback.