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Jumbo Elektro e seu atentado à sisudez

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Falar sobre o Jumbo Elektro de forma imparcial é tarefa inglória. O grupo foi coadjuvante de dois momentos muito marcantes para mim.

O primeiro foi quando os conheci. Era uma noite muito fria, não estava nos meus melhores momentos, problemas pessoais e aquela história toda. Um grande amigo meu, o Luis Fernando, ligou falando de uma festa que ia rolar em um galpão na Vila Leopoldina, perto do Ceasa, antes do lugar começar a virar uma potência imobiliária. Iam tocar umas bandas e era lançamento do clipe de uma delas. No final o tal galpão era de um amigo meu do tempo de colegial e a festa foi um verdadeiro remédio para meu estado.

Além da companhia dos amigos, tocaram na noite o Jumbo Elektro e os Abimonistas. Estes últimos, em minha opinião, são uma das bandas que infelizmente não conseguiram chamar a atenção mais do que merecida do público. Não sou um grande analista de letras como o Rogério, mas dou meus palpites, e o humor dos Abimonistas teria muito para contribuir. De certa forma eles me lembram o que o Porcas Borboletas faz hoje com suas músicas.

E teve então o Jumbo Elektro. Aquele povo todo em cima do palco, as músicas que mostravam influências que iam dos primórdios da música eletrônica, passando pelo punk, new wave, pos-punk, até chegar ao electro, sem esquecer o pé no Brasil. As letras no mais descarado e assumido embromation, misturando inglês, francês, portunhol… O humor transparecia e não incomodava, já que a qualidade na execução era assustadora. Dava para perceber que a brincadeira era meio, não fim. Os brinquedos do Tatá estavam lá para contribuir, não para roubar a atenção. O extintor de incêndio na versão de TV Eye, dos Stooges, era um clímax que ficou marcado profundamente. Poucas apresentações deixaram uma impressão tão forte em mim.

A segunda ocasião foi ainda mais marcante pelo momento que representa até hoje. Afinal foi em um show do Jumbo, na Funhouse, que eu dei o primeiro beijo naquela que viria a ser minha esposa e mãe do meu filho. Ou seja, pode-se especular que em um determinado nível eles são responsáveis pelos brinquedos jogados pelo chão da sala de casa. O show foi igualmente marcante e mostrava o mesmo entrosamento que tinha presenciado tempos antes.

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Terrorist!?

Temos o primeiro cd em casa, acompanhamos outras apresentações e foi com um interesse pessoal e profissional que eu ouvi Terrorist!? The Last Album (Before the Armageddon), o novo trabalho do grupo. Muitos já falaram dele e da estratégia de promoção do álbum, que é um caso a parte que provavelmente vai merecer um post mais “mercadológico”. Mas não poderia deixar de comentar sobre eles, pelos motivos pessoais citados acima e pelo que representa o grupo.

Quem escorrega e cai de frente ao Jumbo pode não entender a proposta e acabar odiando o grupo, se não parar para conhecê-lo melhor. Estamos acostumados com a idéia de que as artes têm que ser levadas muito a sério. Tem que ter mensagem, tem que ser crítica, tem que falar com nosso íntimo. Mas eles estão aí pela brincadeira. No palco não estão os músicos, sobem os personagens. Cada um tem sua história, seu passado. E além de todos serem excelentes músicos, o que Terrorist nos mostra é uma evolução no som do grupo.

Tenho que confessar que temia que um novo trabalho pudesse ceder mais às brincadeiras, mas o equilíbrio continua. Os brinquedos, as intervenções, as letras em embromation, continuam lá, mas não roubam a cena. As músicas estão, aliás, ainda mais maduras nesse sentido. Terrorist!? é um álbum muito mais coeso do que o primeiro, Freak To Meet You – The Very Best of Jumbo Elektro – The Ultimate Compilation.

Todo o humor continua nesse trabalho que mostra uma banda séria, mas não sisuda.

Mas espera um pouco, será que realmente aí não tem crítica, não tem mensagem, não fala com nosso íntimo?

Em primeiro lugar, a música sempre vai conversar com nosso íntimo. Pode ser de forma positiva ou negativa, mas sempre vamos ser tocados pela criação musical. Ao ouvir Jumbo Elektro as músicas são todas para cima, é música de festa, é uma reunião de amigos para a qual todos fomos convidados.

Só que a primeira camada da produção do Jumbo pode ser justamente a mais crítica. Ao anunciarem o lançamento de um álbum chamado Terrorist para o dia 11 de setembro, o que podemos perceber é que eles estão nos dizendo isso, para pararmos de tentar ser tão analistas, tão artísticos, para que possamos nos dar a liberdade de ir num show para curtir a festa, para termos nossas preocupações deixadas para um outro momento.

Talvez seja hora de nos levarmos um pouquinho menos a sério e simplesmente estarmos dispostos a curtir e aprender a lidar com nossa felicidade de forma tão natural quanto lidamos com nossos problemas.

Posted in Cena e Mercado.

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