Não é de hoje que o cenário musical virou pauta para discussões e um fértil campo para levantar dúvidas, problemas, questões, caminhos, soluções. Ao que tudo indica, sem embasamento e contando somente com percepções pessoais e diversos “achismos”. Esse pode ser o indício do maior problema que ronda a cena musical: a falta de informações e dados sobre toda a cadeia produtiva.
Custo enxergar a cena musical como um mercado. Faltam essas informações, falta diálogo e – apesar de grandes conquistas e o fato de os trabalhos mais interessantes em termos de originalidade e pesquisa estética estarem vindo dos artistas chamados “independentes” – falta amadurecer a forma como lida cada um dos profissionais do setor.
Peter Jenner, presidente emérito da International Music Managers' Forum, diz que as duas instâncias que realmente importam em toda a cadeia produtiva da música são os artistas e o público, e que todos os demais envolvidos têm razão de existir se for para facilitar o contato entre os dois primeiros. Justamente sobre essas duas “personalidades” da cadeia produtiva faltam informações consolidadas. Questões básicas, como o perfil de quem está ouvindo música independente, como essas pessoas conhecem novos artistas, onde saem, onde ouvem, como compartilham, para falar do público. E o que pensam as bandas, quais são suas expectativas, como divulgam, informam, promovem.
A idéia de que buscar essas respostas e com isso mapear o atual cenário é uma questão que está além das preocupações de quem trabalha com música é uma prova da falta de profissionais atuando com isso. Assim como qualquer mercado, não existe razão para não pensar em planejamento ao falar de música. E não existe planejamento bem feito sem dados, contando somente com os tais “achismos”. E as vantagens de termos esses números averiguados vai além das estratégias de produtoras, selos, bandas...
Uma das constantes reclamações de quem trabalha com música independente é a falta de interesse por parte da iniciativa privada e do governo com a música alternativa ou “independente”. Mas não há como tirar a razão tanto do governo como da iniciativa privada. Se eu tivesse uma verba para investir, gostaria muito de saber quem vai ser atingido, o perfil de quem vai ter contato com minha marca. Ou seja, os resultados de uma ampla pesquisa com bandas, público e os novos formadores de opinião podem dar valiosas dicas a respeito dos caminhos que serão traçados para quem está inserido na cena musical alternativa. Uma recente pesquisa feita pela empresa de mercado Synovate, com 8000 adultos em 13 países, a respeito do gosto por música, colocou os brasileiros como os mais apaixonados por música. Isso por si só já mostra o que dados de mercado podem fazer pelo desenvolvimento de projeto no nosso país.
Uma das propostas para conseguir levantar tais dados é o site Mapa Musical (www.mapamusical.com.br), que já colocou no ar uma pesquisa voltada para criadores e editores de sites e blogs musicais e agora volta as atenções para bandas e casas de shows. As próximas pesquisas trataão do público e produtoras. Os resultados das pesquisas ficarão abertos para consulta e estimular a troca de conhecimentos através do proprio site. Mas o sucesso da iniciativa vai depender dos principais interessados, as bandas, os produtores, os selos e todos aqueles que podem se beneficiar das análises possíveis dos números encontrados.
Se existe um momento para a cena alternativa se mostrar organizada e conectada, este pode ser aquele que gerará grandes retornos em conhecimento e informação.


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