Para criar e escrever o blog da Identidade Musical, temos alguns princípios, que foram formulados ao longo do tempo. Seguem abaixo as linhas gerais:
Escrevemos textos de opinião: respeitamos o jornalismo cultural que, de forma geral, se limita a dizer quem, quando e onde. Mas queremos ir além disso - e não é por outro motivo que temos este blog. Assim, aqui os leitores encontrarão textos de opinião e de análise; perceberão que formulamos hipóteses pelo gosto do devaneio e da conversa, tentando não perder a clareza ou os pés no chão, mas sempre com a possibilidade de pensar além do que se costuma permitir.
Nossa forma é livre: aqui não há Manual de Redação e Estilo. Escrevemos livremente, de modo coloquial, abusamos da primeira pessoa e dos juízos de valor, com pronomes em início de orações, gírias e às vezes até palavrões. Em outros momentos, nossos textos beiram o acadêmico - basta que o assunto peça essa linguagem. Logo depois, respeitamos o padrão do texto jornalístico, se calhar e for melhor, dependendo do contexto em que se insere e do público a que se dirige.
Preferimos não chover no molhado: não procure no blog da Identidade Musical as últimas notícias sobre a banda mais bombada das rádios FM do país. Em primeiro lugar, porque essas bandas já têm exposição suficiente na grande mídia, isto é, prescindem completamente de nosso blog para aparecer. Em segundo lugar, porque uma de nossas propostas é dar mais visibilidade a quem não tem. Acreditamos no blog como mídia alternativa, sem a pretensão de formar a opinião de ninguém (cada um escolhe, em grande medida, a própria formação), mas com a ambição de servir de alternativa aos canais tradicionais de informação, que respeitamos, mas que muitas vezes acabam se repetindo.
Não nos interessam as vidas pessoais - de ninguém: este é ponto de honra pra nós: as vidas pessoais dos artistas não têm interesse nenhum para nós, apenas suas obras. Assim, nem adianta procurar as causas pessoais do começo ou do fim de uma banda ou carreira. Investigamos obras e ponto final. Cada um que cuide da própria vida - o que, convenhamos, já dá um trabalho desgraçado.
A gente não fala mal de ninguém: ai, que preguiça de ficar falando mal dos outros. Com tanta banda boa por aí, precisando de atenção e análise detalhada, não vamos perder tempo falando mal de bandas que são medíocres. Antes que alguém pergunte: é claro que a gente também não gosta das bandas de plástico, produtinhos fáceis e passageiros, com o cabelinho despenteado de forma planejada e a calça rasgada por um estilista particular, contratado para fazer o bebê chorão ter cara de mau. Mas não vamos perder tempo falando mal deles. Aliás, falar mal deles seria chover no molhado.
Respeitamos o trabalho alheio: desdobramento do item anterior. Embora não gostemos de alguns trabalhos, acreditamos que cada um escolhe o modo de vida que vai levar, inclusive no mercado da música. Escolhemos o mercado de música independente, com suas maravilhas e mazelas, como a descoberta de propostas estéticas ousadas, de um lado, e as dificuldades de articulação e captação de recursos, de outro. Respeitamos quem optou por outros caminhos.
Comentários são livres, mas não admitimos desrespeito: escreva o que quiser no espaço de comentários, mas nos faça duas finezas: se for criticar nossas ideias ou as de alguém que citamos, seja tão polido quanto puder, como fazemos questão de ser. Queremos praticar a tolerância e a liberdade de expressão por aqui, de modo que estas são as regras da casa: primeira pisada na bola, leva uma chamada do tipo "Ei, rapaz, mantenha o respeito por aqui" (veja exemplo real clicando aqui). Segunda, deletamos o comentário sem dó nem piedade.
Todos os gêneros musicais têm espaço por aqui: embora nossa formação musical seja essencialmente roqueira, todos os gêneros musicais têm espaço no nosso blog.
Fizemos a opção pela canção brasileira: é claro que, vira e mexe, podemos comentar alguma notícia, show ou lançamento internacional. Mas o nosso foco aqui é especialmente a canção brasileira independente. Acreditamos que o século XXI é um momento que guarda oportunidades históricas para quem faz canção, mais ainda para quem faz canção fora dos EUA ou da Europa, ainda mais ainda pra quem faz canção num país fértil musicalmente como o Brasil. Estrangeiros ouvem canção em português, desde que ela seja boa - é o que várias carreiras têm demonstrado. Assim, nossa perspectiva, ainda que analisemos algo que aconteceu no exterior, tem sempre o Brasil como núcleo a partir do qual fazemos reflexões. Mais uma coisa: uma banda não é boa só porque foi lançamento de sucesso em Londres ou de Nova Iorque. Demos a nós mesmos a prerrogativa da dúvida.
Mas não acreditamos no brasilianismo puramente exótico, só pra inglês (mais recentemente, americano) ver: o inverso do item anterior também é verdadeiro. Uma canção não é boa só porque é exótica, fala de praias, onças, sincretismos religiosos, vatapá, jacaré, vitória-régia.
Estas linhas gerais estão sempre em aperfeiçoamento.

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