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Projeto Mais Massa

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O ponto de partida para a criação do Projeto Mais Massa (www.maismassa.com.br) foi a união de seis bandas de fora de São Paulo, morando na capital paulista. Em conversas informais, em encontros planejados nas casas de uns e outros, de passagem pelos camarins das casas noturnas e até nos backstages dos festivais independentes pelo Brasil, os integrantes de Los Porongas, Madame Saatan, O Jardim das Horas, O Sonso, Saulo Duarte e a Unidade e Volver perceberam que tinham em comum a residência recente em Sampa, com todas as maravilhas e agruras de morar nessa cidade.

Na primeira temporada do Projeto, na Livraria da Esquina, duas das seis bandas se apresentaram na mesma noite, ao longo de três semanas, apresentando as canções que compuseram ao longo de suas carreiras e parcerias recentes, criadas no contexto do projeto e das amizades que cresceram. Nessas apresentações, o público paulistano teve a chance de perceber o diálogo entre as obras desses artistas, que contribuíam uns nos shows dos outros. Essa interação se completou com participações de compositores e músicos paulistanos especialmente convidados e com uma quarta e última apresentação, em que integrantes das seis bandas fizeram um show coletivo.

Além dos espetáculos, as bandas e as produtoras Identidade Musical e Punksaravá, diretamente envolvidas no Mais Massa, desenvolveram alguns conceitos que norteiam o projeto, como a proposta de ressignificar o trânsito e, por consequência, a cidade que o caracteriza: no contexto do Projeto Mais Massa, São Paulo recupera a vocação de ponto de passagem e de livre-trânsito, como espaço de fluência, circulação, permeabilidade e  liberdade.

De certa forma, e em mais de um sentido, o Projeto Mais Massa atualiza a cidade: na medida em que é permeável às propostas diversas, as bandas que integram o projeto estão em trânsito criativo e artístico, contribuindo umas com as outras e com a cena paulistana - o Mais Massa é permeável às influências dela, já que houve diversas participações de artistas paulistanos nos espetáculos.

O trânsito em São Paulo, hoje, impede que as pessoas se encontrem - mas lembremos que trânsito deveria remeter ao deslocamento de um local para outro. Parece que tudo na cidade - até parece que a própria Cidade, numa personificação apavorante - conspira para que as pessoas não se vejam, não se integrem. E o Projeto + Massa corre em sentido oposto, fazendo que as propostas e as ideias circulem livremente, sem limitações de qualquer ordem.

Finalmente, inspirados na obra prima de Mário de Andrade, Macunaíma, e em uma de suas intérpretes, a estudiosa Gilda de Mello e Souza, no texto O tupi e o alaúde, os artistas envolvidos no Mais Massa propõem o conceito de geografia lendária da canção, cuja finalidade é integrar, por meio da música popular, em suas mais diversas vertentes, as contingências regionais de cada uma das bandas e criar um mosaico da nova canção brasileira.


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