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	<title>Blog da Identidade Musical &#187; cidade</title>
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		<title>Os Inocentes e o eterno presente da Cidade</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 18:13:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
				<category><![CDATA[Máquina do Tempo]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Inocentes]]></category>
		<category><![CDATA[Julia Car]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/02/19/o-eterno-presente-da-cidade/' addthis:title='Os Inocentes e o eterno presente da Cidade'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>    A comemoração dos 455 anos da cidade de São Paulo, fez pensar no seguinte: uma cidade como essa merece ser celebrada? Trata-se da capital de toda sorte de violências, diferenças sociais e contradições; o trânsito faz que os habitantes desperdicem horas preciosas; cada chuva torrencial arrasa negócios promissores, bens e, o pior de tudo, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/02/19/o-eterno-presente-da-cidade/' addthis:title='Os Inocentes e o eterno presente da Cidade' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignleft" style="width: 207px"> </p>
<p><img title="Inocentes - Som e Fúria" src="http://www.barizon.net/images/stories/inocentes_somefuria.jpg" alt="Inocentes - Som e Fúria" width="197" height="200" /> </p>
<p><p class="wp-caption-text">Inocentes - Som e Fúria</p></div>
<p> </p>
<p> </p>
<p>A comemoração dos 455 anos da cidade de São Paulo, fez pensar no seguinte: uma cidade como essa merece ser celebrada? Trata-se da capital de toda sorte de violências, diferenças sociais e contradições; o trânsito faz que os habitantes desperdicem horas preciosas; cada chuva torrencial arrasa negócios promissores, bens e, o pior de tudo, vidas e empregos: talvez não haja paulistano que não tenha pensado em vender tudo e aposentar-se bem longe da capital e de seus malefícios. </p>
<p>Não faltam canções em que os sentimentos descritos acima são expressos. Recentemente, a banda <a title="Julia Car - Site oficial da banda" href="http://www.juliacar.com/" target="_blank">Julia Car</a> gravou uma versão de “A Cidade não para”, dos Inocentes – que lançaram recentemente o DVD “Som e Fúria”, gravado em 2007 no Centro Cultural, em que a canção também pode ser ouvida (leia texto a respeito da gravação desse DVD <a title="Som e Fúria, DVD ao vivo dos Inocentes" href="http://ametricadogrito.blogspot.com/2009/01/pequena-potica-dos-inocentes-e-o.html" target="_blank">clicando aqui</a>). Está tudo lá, desde os primeiros versos: “Em cada rua um rosto, em cada rosto a mesma angústia / Ser mais um em um milhão a ter a mesma dúvida / Será que vale a pena, será que tanto faz? / Ser uma peça a mais dessa máquina voraz?”. Parece que é isso mesmo: todos os rostos apontam a mesma dúvida, anônimos que se movimentam sem escolha pelas ruas da Cidade. Apenas uns pouquíssimos cidadãos percebem que aquela angústia iguala a todos, meras peças da mesma máquina voraz: a Cidade que não para, que não nos deixa pensar nem sofrer, cujas engrenagens não podem parar.</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/iCjibzLLFW4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/iCjibzLLFW4&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p> </p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><img title="Tempos Modernos" src="http://www.barizon.net/images/stories/temposmodernos.jpg" alt="Tempos Modernos" width="250" height="189" /><p class="wp-caption-text">Tempos Modernos</p></div>
<p> </p>
<p>Essa ideia de que somos parte integrante de uma máquina de que não escolhemos fazer parte não é nova: terá vindo à mente dos leitores a imagem conhecidíssima dos <em>Tempos Modernos</em>, de Charles Chaplin. Também não é novo o questionamento expresso nas perguntas da letra. “Será que existe um lugar onde se vive em paz?” é a tentativa desesperada de formular uma alternativa de vida não-urbana, que lembra os poetas árcades, o Iluminismo, o mito do<em>bom selvagem </em>e o <em>fugere urbem</em>. A própria letra já aponta, entretanto, que essa tentativa nasceu morta: “A Cidade cresce para todos os lados, devorando e engolindo todos os espaços”. Não se pode escapar desse monstro cujos tentáculos contaminam todo lugar, ou seja: não importa onde se esteja, sempre se experimentará a interferência nociva e alienante da cidade. “Ninguém cai fora daqui, será que o caos não satisfaz?” é outra pergunta sem resposta ao eu que canta, desalentado: os habitantes da cidade estão tão cegos dela e por ela que não podem perceber que vivem mergulhados no caos.</p>
<p>Embora os Inocentes sejam uma banda paulistana, chama a atenção o fato de a canção não se chamar “São Paulo”, mas “A Cidade não para”. É uma das grandes sacadas: a banda de Clemente sabe bem que o ente que “cresce para todos os lados, devorando e engolindo todos os espaços” não é apenas São Paulo, mas a <em>vida urbana moderna</em>, o que expande a canção para além dos limites do bairrismo às avessas. A cidade da canção pode estar em qualquer lugar do mundo, porque é alienada e alienante: sua função é apenas expandir-se, exatamente como faz todo organismo voraz, engolindo tudo que está a sua volta.</p>
<p>A outra sacada é a de que esse ente é tão poderoso que não se restringe ao domínio do espaço, mas também do <em>tempo</em>: na Cidade, “Não há tempo a perder / Não há tempo pra pensar / Não há tempo pra sofrer”. Para piorar: nos últimos versos, ouve-se que “A Cidade não tem tempo pra sonhar, a Cidade não tem tempo pra entender / A Cidade não tem tempo para pensar, a Cidade não tem tempo para viver”. Numa só frase: a personificação da cidade corresponde à <em>despersonificação</em>de seus habitantes. O leitor notou que, nos últimos dois versos citados acima, o termo a <em>Cidade </em>contém, inclusive, aqueles que nela moram. O fato de o cidadão estar diluído no todo expresso pelo termo <em>Cidade </em>– sempre com letra maiúscula, porque representa o ser que devora espaços e pessoas – é a ausência total da possibilidade de escolha e de questionamento. Para o morador da Cidade, não há perspectiva temporal: vivemos um eterno presente, porque o <em>ontem </em>– em que experimentamos a angústia de ser peças da engrenagem cujo todo nos engole e nos massifica – é idêntico ao hoje e ao amanhã.</p>
<p>Nessa Cidade dos Inocentes, regravada pelo Julia Car, o passado não pode ser o período para o qual olhamos curiosos, sedentos de vontade de aprender, porque tudo que lá ficou se repete no presente; na Cidade não cabe, também, a formulação um futuro radicalmente diferente, porque ele não guarda nada além da repetição do presente.</p>
<p>Trata-se, certamente, de uma perspectiva bastante sombria – mas ela não se repete, felizmente, em todas as canções dos Inocentes e do Julia Car: há alternativas para subverter o presente eterno da Cidade que não para. É o que analisaremos em outras colunas.</p>
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