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	<title>Blog da Identidade Musical &#187; Estúdio Showlivre</title>
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		<title>O encanto do Cordel do Fogo Encantado</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 01:04:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/11/15/1523/' addthis:title='O encanto do Cordel do Fogo Encantado'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Aproveitando os dez anos de carreira do Cordel do Fogo Encantado, posto aqui um texto (com uma ou duas correções) que foi publicado na antiga coluna A Métrica do Grito, no Showlivre, a respeito da banda. Longa vida ao Cordel. Me impressionou muito a apresentação do Cordel do Fogo Encantado no Estúdio Showlivre. Eu já conhecia – e adorava [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/11/15/1523/' addthis:title='O encanto do Cordel do Fogo Encantado' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1527" title="cordelfogo-713741" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/11/cordelfogo-713741.jpg" alt="cordelfogo-713741" width="196" height="196" /><em>Aproveitando os </em><a href="http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/musica/2009/11/14/228619-cordel-do-fogo-encantado-comemora-os-10-anos-com-bela-apresentacao-" target="_blank"><em>dez anos de carreira do Cordel do Fogo Encantado</em></a><em>, posto aqui um texto (com uma ou duas correções) que foi publicado na antiga coluna A Métrica do Grito, no Showlivre, a respeito da banda. Longa vida ao Cordel.</em></p>
<p>Me impressionou muito a apresentação do <a href="http://cordeldofogoencantado.uol.com.br/index.php">Cordel do Fogo Encantado</a> no <a href="http://showlivre.oi.com.br/canais.php?canal=1">Estúdio Showlivre</a>. Eu já conhecia – e adorava – o terceiro CD dos caras, mas meus amigos e alunos que também gostavam deles já tinham avisado: “Você precisa ver o Cordel ao vivo”. Quando o Clemente me avisou que a banda ia participar de um “Estúdio Showlivre ao vivo”, não perdi a chance de assistir à gravação. O que o pessoal dizia era a pura verdade.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Ardnum-TZ7c&amp;color1=0xdfe6f1&amp;color2=0xa5b8d7&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/Ardnum-TZ7c&amp;color1=0xdfe6f1&amp;color2=0xa5b8d7&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object><br />
 <br />
A energia e o magnetismo do espetáculo são impressionantes. Só fico imaginando como deve ser, num show não-virtual, a reação do grande público ao declamar/cantar hipnótico dos poemas-canções, à percussão contagiante e aos violões arrojados, apocalípticos. De onde vem essa vibração toda? Por que ritmos regionais como os explorados pelo Cordel acabam fazendo tanto sucesso nas capitais, cujo público, supostamente, os desconhece? Em que medida, no som dos caras, há influências do rock? Como elas se combinam àqueles ritmos?</p>
<p>Vamos examinar algumas hipóteses. Em primeiro lugar, um querido aluno meu lá do <a href="http://www.grupodehumanidades.com.br/gh/index.htm">cursinho preparatório para concursos</a> definiu brilhantemente o carisma de Lirinha, vocalista e letrista do Cordel, chamando-o de “Jim Morrison Brasileiro”, uma belíssima comparação entre as marcantes performances de palco dos dois letristas, o brasileiro e o norte-americano, falecido em 1971. Embora muito diferentes, as apresentações de ambos são um espetáculo à parte: seus poemas, sem suas interpretações, seriam outros, como se esses autores estivessem revestidos de uma “aura” – uma versão carnal e cancional do “eu-lírico” que aprendemos nas escolas, o que temos chamado aqui de &#8220;eu que canta&#8221; – da qual emana a própria poesia. É de assombrar qualquer um. Mas também é evidente que o sucesso que o Cordel tem alcançado não se deve apenas à performance magnética de seu vocalista e poeta. Combinada a ela, existem elementos fundamentais da letra e da música do Cordel.</p>
<p>O primeiro deles é uma mistura ímpar da poesia popular com o que se costuma chamar de literatura “culta”. Aquela, a literatura de cordel, é um gênero popular de literatura nordestina. Genericamente, os textos de cordel têm origem em composições musicais de cantadores do povo. Eles costumam publicar as letras das canções em pequenos folhetos, vendidos em feiras. Essa tradição literária começou a ser estudada no final do século 19, mas é certo que ela existe há muito mais tempo e dura até hoje. Os temas investigados pelos cordelistas são variados: alguns remontam a textos da Idade Média, como a história do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França; há descrições de secas, enchentes ou fatos curiosos do cotidiano; há, ainda, relatos da vida e dos feitos de cangaceiros, como Lampião ou Antônio Silvino, ou de personalidades religiosas ou políticas, como Padre Cícero ou Getúlio Vargas. O episódio do testamento da cachorra, no <em>Auto da Compadecida</em>, de Ariano Suassuna, guarda raízes em alguns desses textos. Para mim, o mais interessante dessa tradição literária é sua capacidade de combinar temas e formas tradicionais, do passado, com acontecimentos e personalidades do presente.</p>
<p>O lamentável, contudo, é que a literatura de cordel é raras vezes estudada nas escolas, em que a literatura “culta” tem muito mais espaço. E já está aqui o primeiro mérito do Cordel do Fogo Encantado: trazer para o universo urbano, principalmente para as capitais do Sudeste, essa marca fundamental da cultura popular brasileira, desconhecida da maioria dos estudantes e jovens dessa região. Na obra do Cordel do Fogo Encantado a tal literatura culta também não fica de lado. Dê uma olhada em apenas dois títulos de canções de <em>Transfiguração</em>, terceiro trabalho do Cordel: “Pedra e Bala (ou Os Sertões)”, em que há alusão direta à obra máxima de Euclides da Cunha; ou, ainda, “Morte e Vida Stanley”, que remete a <em>Morte e Vida Severina</em>, de João Cabral de Melo Neto.</p>
<p>Em primeiro lugar, gosto de títulos que têm expressões entre parênteses (fica uma coisa bem rock n’ roll, como já lembrava Renato Russo, do tipo “(I can’t get no) satisfaction”, dos Stones, ou “Tédio (com um T bem grande pra você)”, da própria Legião); gosto mais ainda da conjunção “ou” nos títulos, que revela ao ouvinte que a canção dialoga, também, com a literatura “culta”. O Cordel do Fogo Encantado impressiona porque associa a tradição literária culta das capitais, dos escritores estudados nos bancos escolares, à tradição literária popular, de origem regional, sem desprezar – nem supervalorizar – uma ou outra. Mas ainda não é só isso, porque as canções não são feitas só de letra. Há, ainda, a percussão – em que se misturam ritmos populares nordestinos – temperada com rock n’ roll, nos violões e na fúria do resultado final (de fato, o som é pra bater cabeça). Essa mistura é bem descrita num livro curto e inteligente: <a href="http://cordeloucosrecife-pe.blogspot.com/2009/03/sertao-alumiado-pelo-fogo-do-cordel.html" target="_blank"><em>Sertão alumiado pelo fogo do cordel encantado</em>, de Ana Paula Campos Lima</a>, fã da banda. Nesse livro, também é levantada a discussão a respeito de o Cordel ter ou não se submetido às formatações da indústria cultural fonográfica.</p>
<p>Traduzindo: ao adaptar seu modo de fazer música às parafernálias tecnológicas das grandes gravadoras, que estão sempre de olho nas expectativas do “mercado consumidor” das grandes capitais, não teria o Cordel perdido um pouco de suas raízes populares? Tenho, particularmente, a impressão de que isso não aconteceu. Já lembra um importante crítico de literatura e música (ele próprio compositor), <a href="http://www.mpbnet.com.br/musicos/ze.miguel.wisnik/index.html" target="_blank">José Miguel Wisnik</a>, que as canções populares brasileiras se deixam permear pela cultura popular não-letrada, pela literatura “culta” e pela indústria cultural, sem pertencerem, completamente, a apenas um desses sistemas culturais. É exatamente o que ocorre com o Cordel do Fogo Encantado: múltiplas interferências de diferentes fontes da cultura brasileira. Me parece que esta é a grande sacada do Cordel: a qualidade da poesia – com raízes populares e cultas, declamada/cantada com carisma único pelo vocalista, que lembra, simultaneamente, os cantadores de cordel e os ícones-poetas do rock – está associada à potência do som, em que se entrecruzam influências populares e da indústria cultural do rock. Na obra do Cordel do Fogo Encantado, o passado – a tradição popular e a tradição culta de nossa literatura – dialoga com o presente – o rock, as inovações tecnológicas da indústria fonográfica – de maneira tal que nos encantamos/enfeitiçamos por essas canções que parecem estar fora do tempo e do espaço, porque combinam passado e presente, sertão e cidade.</p>
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		<title>As boas-novas dos Los Porongas</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 21:28:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/09/21/porongashowlivre/' addthis:title='As boas-novas dos Los Porongas'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Quando publiquei o texto abaixo na extinta coluna A Métrica do Grito, eu acabava de conhecer os Los Porongas &#8211; uma das bandas mais importantes da cena independente. Essa descoberta me abriria os horizontes para a investigação mais a fundo de toda a movimentação que vem acontecendo na canção brasileira nos últimos anos. Da data [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/09/21/porongashowlivre/' addthis:title='As boas-novas dos Los Porongas' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Quando publiquei o texto abaixo na extinta coluna A Métrica do Grito, eu acabava de conhecer os <a href="http://porongas.blogspot.com/">Los Porongas</a> &#8211; uma das bandas mais importantes da cena independente. Essa descoberta me abriria os horizontes para a investigação mais a fundo de toda a movimentação que vem acontecendo na canção brasileira nos últimos anos. Da data de publicação do texto até hoje, entretanto, os Porongas jamais tinham ido ao <a href="http://showlivre.oi.com.br/canais.php?canal=1">Estúdio Showlivre</a>, o que finalmente ocorreu na semana passada. Oportunidade única para republicar a análise de &#8220;Nada Além&#8221;, com vídeo feito no programa. Na época, janeiro de 2008 (quanta coisa aconteceu de lá para cá!) o texto foi comentado pelos próprios Porongas no <a href="http://coletivocatraia.blogspot.com/2008/01/los-porongas.html">blog do Coletivo Catraia</a>. Sidney Filho, cuja coluna serviu de pretexto para falar dos Porongas, hoje segue com <a href="http://rockpara.blogspot.com/">o blog Rock Pará</a>, que também recomendo muito. Os Porongas continuam, de vento em popa, rumo ao cruzeiro, com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=IQB-hG_23eI&#038;feature=player_embedded">DVD pelo Itaú Cultural</a> e <a href="http://porongas.blogspot.com/2009/09/quem-me-dera-ao-menos-tantas-vezes.html">gravação recente com Dado Villa-Lobos, da Legião Urbana</a>.</em></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_ecCrTjLesGY/SXkSlTAghoI/AAAAAAAAADg/MfpLJzBkPfM/s1600-h/Los_porongas.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294283268917593730" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 170px; cursor: hand; height: 118px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ecCrTjLesGY/SXkSlTAghoI/AAAAAAAAADg/MfpLJzBkPfM/s320/Los_porongas.jpg" border="0" alt="" /></a>Acabei de ler o texto do novo colunista do <a href="http://www.blogger.com/www.showlivre.com">Showlivre</a>, Sidney Filho, e fiquei bastante empolgado. Depois da iniciativa de AD Luna, que nos apresentou a proposta do Showlivre Nordeste na coluna de 08 de agosto de 2007, agora ganhamos um autor cuja proposta é divulgar “o que está acontecendo no cinema, na música e nas artes de um modo geral da região Norte”. Iniciativa louvável, porque – ainda bem! – as manifestações culturais do Brasil transcendem, e muito, as das regiões Sudeste e Sul. Pois bem: a leitura atenta da primeira coluna de Sidney lembra que a Rolling Stone deste mês publicou a lista dos melhores discos nacionais de 2007, incluindo entre eles o álbum de uma banda acreana chamada Los Porongas. A revista deposita nessa banda as perspectivas de futuro do rock nacional. Boas-vindas ao novo colunista por chamar a atenção dos leitores para o <a href="http://www.myspace.com/losporongas">Los Porongas</a>. Explico o porquê.</p>
<p>Logo que comecei a escrever esta coluna, alguns leitores fiéis, em contato por email, questionaram-me a desatualização, argumentando que eu comentava, na maioria de meus artigos, canções de bandas dos anos 80: Legião Urbana, Titãs, Inocentes, Camisa de Vênus. Lembrei, em resposta, que, embora já com vinte anos ou mais de estrada, todas essas bandas, por um motivo ou por outro, ainda se fazem presentes, afinal suas canções ainda são atuais – pelo menos foi isso que tentei demonstrar nas colunas. Lembrei, ainda, que muitas delas continuam criando obras de grande qualidade. Mas a crítica dos leitores me parecia, de modo geral, procedente. Já contei aqui que fiquei, com o passar do tempo, preconceituoso e ranzinza, sobretudo no que diz respeito a trabalhos de bandas mais recentes. Como dei alguma razão aos leitores, fui atrás de Ludovic e Pitty, cujos trabalhos desconhecia, e me encantei com eles.</p>
<p>Aprendendo a pesquisar novidades no Myspace, deparei-me com os tais Los Porongas, que entraram definitivamente para minha galeria de prediletos. Graças ao <a href="http://porongas.blogspot.com/">site oficial dos caras</a>, descobri a maravilha dos downloads na internet (pasmem, leitores, nunca baixei ilegalmente uma música sequer) e aprendi que “O sonho americano do rock brasileiro, impulsionado pelo boom mercadológico da década de oitenta, que se sustentou até o final dos anos 90, acabou”. A disponibilização de todo o conteúdo do CD não me impediu de comprá-lo; surpreendeu-me ainda mais o posicionamento da banda a respeito do mercado atual da música e a consciência a respeito do multiculturalismo brasileiro e dos movimentos de música independente. Comentando iniciativas como o <a href="http://www.foradoeixo.org.br/">Circuito Fora do Eixo</a> e a <a href="http://www.abrafin.com.br/">Associação Brasileira de Festivais Independentes</a>, o vocalista Diogo Soares afirma, no site, que “Com esse aquecimento cultural, as cenas locais produzem uma espécie de consciência coletiva de que é possível interferir no mundo, por mais distante que se esteja dos grandes centros culturais”. Em poucas palavras: os Los Porongas não só fazem rock brasileiro de primeira, como também compreendem com clareza o papel que cumprem na nova geração, proclamando a independência do conteúdo de sua obra por meio da veiculação via internet, fugindo aos moldes da indústria fonográfica.</p>
<p>Aos ouvidos de um habitante bitolado do e no Eixo Rio-São Paulo, a frase “estou ouvindo uma banda acreana de rock” pode soar estranha. Dependendo do interlocutor, pode até aparecer uma ponta de preconceito do tipo “e tem rock no Acre?”. Respondo com “Nada além”, terceira faixa do trabalho dos caras.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LqWV-iapwpM&#038;color1=0xfae0f3&#038;color2=0x8f5680&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowScriptAccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/LqWV-iapwpM&#038;color1=0xfae0f3&#038;color2=0x8f5680&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowScriptAccess="always" width="425" height="344"></embed></object> </p>
<p>Pode-se entender essa canção como uma reflexão sobre o mundo moderno do trabalho. “Uma palavra quente rente à boca / Alguma roupa rota ou assinada / Nada além de esconderijo / Tudo bem” são os primeiros versos, que alertam a respeito de quanto um emprego qualquer pode servir de muleta para uma vida sem sal: a vontade de dizer algo e não fazê-lo, o eterno baixar de cabeça às etiquetas e à idéia de que somos respeitáveis porque temos ocupação (ainda que ela nos faça mal) e o “tudo bem” diário que dizemos a tudo que nos humilha. “Anseios temperados com receios / Paranóias e outras dúvidas” são boa descrição da vida cotidiana do trabalho. E, na explosão da canção, uma seqüência de infinitivos verbais – grosseiramente, os “nomes” dos verbos, que, na língua portuguesa, são sempre terminados em “ar”, “er” e “ir”, além do verbo “pôr” e seus derivados –, formas que não indicam tempo nem modo e que, em “Nada além”, representam o “infinitivo perpétuo de vinte e quatro lentas horas”: “Ter que acordar/ Sorrir / Cumprir / Cumprimentar / Admitir / Fingir / Dançar, dançar&#8230;”. Não sei se o leitor percebeu, mas estamos diante de descrição sensível e desesperada da sensação de que as obrigações diárias, que muitas vezes nada têm a ver com o que de fato sentimos, acabam por tornar nosso cotidiano uma mera repetição de normas de boa conduta. É o “Nosso pequeno moderno mundo pequeno moderno / Nada doce, nada eterno / Infinidade de termos / Para sermos iguais / Nada além do que satisfaz”. A riqueza poética desse trecho está na simetria dos adjetivos “pequeno” e “moderno”, referindo-se ao substantivo “mundo” – que não é doce nem eterno, ao contrário de nosso dia-a-dia massacrante – e à multiplicidade de significação da palavra “termos”, que pode indicar as infinitas palavras que existem para designar o cotidiano imutável, ou o verbo “ter”, na primeira pessoa do plural, ligado a “nada além do que satisfaz”, interpretação que indica que tudo que possuímos nos aliena e nos oferece uma satisfação passageira. Em resumo: trata-se de uma canção a respeito das contradições do nosso pequeno mundo moderno, revelando que uma banda de rock acreana talvez esteja mais ciente do que ocorre no Brasil e no mundo do que muitos habitantes do Eixo Rio-São Paulo, enclausurados nos seus mundinhos intra-muros dos condomínios fechados.</p>
<p>Acrescente a essa informação, leitor, o seguinte trecho de texto do encarte do CD, espécie de Manifesto Poronga, em que se divulga a proposta da banda: “Contradição primeira. Urbanidade amazônica. Seiva que escorre nas veias. Ceia do cosmopolitismo. Correr pelos rios assim como se corre nas ruas”. Chamei o texto do encarte de “manifesto” porque o estilo lembrou-me muito o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, com frases sem verbo, incisivas, diretas. Mais do que isso: o mais radical de nossos modernistas propunha, na década de 20, que os artistas brasileiros devorassem criticamente toda a cultura que vinha de fora, de modo a sintetizá-la em manifestações culturais que, guardando características nacionais, projetassem universalmente o Brasil. De certa forma, é exatamente o que propõem os Porongas na “urbanidade amazônica” e na corrida pelos rios assemelhada à corrida nas ruas. “Cultura pop?ular. Fora dos eixos e por dentro do sim”, no mesmo manifesto, é trecho que renova a proposta de combinação do popular e do pop, fora do Eixo Rio-São Paulo e para além das normas, fazendo rock brasileiro utilizando-se de referências locais. Aliás, a respeito delas, agrada-me bastante a declaração de Caetano Veloso, feita no período da Tropicália, movimento também influenciado pela Antropofagia oswaldiana, citada por Augusto de Campos, no artigo “Viva a Bahia-ia-ia!”: “Nego-me a folclorizar meu subdesenvolvimento para compensar as dificuldades técnicas”. Certamente, os Porongas não padecem das dificuldades técnicas de que fala Caetano, afinal utilizam-se de novas tecnologias para divulgar sua obra e interferir no mundo, mas preservam a convicção de negar-se a “folclorizar”, isto é, exagerar o elemento regional de sua obra, a Amazônia, afinal as letras não carregam nos lugares-comuns a respeito da floresta, com animais exóticos e tribos indígenas desconhecidas. O que vemos ali, de fato, é a urbanidade amazônica, sem que se carregue nas tintas do elogio ao pitoresco e ao bizarro, que tanto atrapalhou nossa literatura e nossa canção popular.</p>
<p>Lembremos, finalmente, que “porongas” eram suportes para uma lamparina de querosene, colocados na cabeça dos seringueiros para iluminar-lhes o caminho durante as madrugadas nos seringais, indício que a banda parece ter ciência de que serve de guia para o público, principalmente o do Eixo Rio-São Paulo, revelando-lhe um Brasil que ele desconhece. O projeto vai, contudo, além: em “Ao Cruzeiro” – canção que parece aludir, segundo o que li em alguns artigos, ao Daime – descobri que “A cabaça das idéias / Conhecida por cabeça / Quem sabe talvez mereça / Rosa, lírio ou azaléia”. </p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bwnBvJC5jcw&#038;color1=0xfae0f3&#038;color2=0x8f5680&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowScriptAccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/bwnBvJC5jcw&#038;color1=0xfae0f3&#038;color2=0x8f5680&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowScriptAccess="always" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Segundo uma breve pesquisa na Wikipedia, no Houaiss e no Aurélio, cabaça ou porongo (Lagenaria vulgaris) é uma “planta trepadeira, da família das <a title="Cucurbitaceae" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cucurbitaceae">Cucurbitaceae</a> presente no norte e nordeste do Brasil”, com cujo fruto, desde os tempos dos primeiros índios brasileiros até hoje, se faz um recipiente para as mais diversas destinações; cabaça é, também, sinônimo de cuia, aquela que se usa, por exemplo, para tomar chimarrão no sul do país. O nome da banda, o manifesto, a canção e a multiplicidade de sentidos parecem culminar na seguinte interpretação: os Porongas, além de proporem a “urbanidade amazônica” muito além dos seus limites regionais, invadem o Eixo Rio-São Paulo para ensinar-lhe que há muito mais Brasis do que quer a nossa pífia arrogância, cuja imaginação fértil e contaminada de indústria cultural pinta esses outros Brasis como inóspitos e pouco urbanizados. Mais do que isso: a cabeça, representação tradicional da racionalidade, dará lugar, na obra dos Porongas, à cabaça, marca de regionalismo e universalidade nacional a um só tempo, ornada, agora, com flores. Resgatando elementos de nossa flora, exalando aromas amazônicos, sem folclorizá-los, os Porongas apresentam uma obra moderna, imersa no melhor do nosso rock, rescendendo a urbanidade; por meio do Manifesto Poronga do encarte, a banda ilumina ao público o caminho que está traçando, junto com ele: na esteira de movimentos como a Antropofagia, a Tropicália e o Manguebit, devora elementos estrangeiros e apropria-se de elementos regionais para projetar o Brasil no nosso “pequeno moderno mundo pequeno moderno”, interferindo, severamente, nele.</p>
<p>Senhoras e senhores, os Porongas trouxeram-me boas novas: eles viram a cara do rock brasileiro. E ele está vivo.</p>
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		<title>Garotas Suecas: o equilíbrio e a explosão, o yin e o yang</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 21:09:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máquina do Tempo]]></category>
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		<category><![CDATA[Garotas Suecas]]></category>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/07/30/garotas-suecas-equilibrio-explosao/' addthis:title='Garotas Suecas: o equilíbrio e a explosão, o yin e o yang'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Uma banda explosiva ronda a canção independente: trata-se das Garotas Suecas, que estiveram na última quarta-feira, 29 de julho, no Estúdio Showlivre. Quem teve a chance de assistir à apresentação dos caras saber por que me refiro à banda como explosiva: ao vivo, sem os arranjos cuidadosos das gravações, a banda soa mais crua, pesada, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/07/30/garotas-suecas-equilibrio-explosao/' addthis:title='Garotas Suecas: o equilíbrio e a explosão, o yin e o yang' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma banda explosiva ronda a canção independente: trata-se das <a href="http://www.myspace.com/garotassuecas">Garotas Suecas</a>, que estiveram na última quarta-feira, 29 de julho, no <a href="http://showlivre.oi.com.br/canais.php?canal=1">Estúdio Showlivre</a>. Quem teve a chance de assistir à apresentação dos caras saber por que me refiro à banda como explosiva: ao vivo, sem os arranjos cuidadosos das gravações, a banda soa mais crua, pesada, sem perder o balanço <em>soul</em> em que também bebe – e que lhe confere o equilíbrio do título acima, num resultado delicado, que talvez explique o sucesso e a simpatia que banda vem angariando entre a crítica e o público nacional e internacional.</p>
<p>Não tem muito jeito: a mais contagiante de todas as canções da banda, de letra simples, em que o equilíbrio da explosão se faz perceber mais nitidamente, “Codinome Dinamite” talvez seja a síntese do trabalho das Garotas Suecas.</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/826t05wNo38&#038;color1=0xfae0f3&#038;color2=0x8f5680&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowScriptAccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/826t05wNo38&#038;color1=0xfae0f3&#038;color2=0x8f5680&#038;feature=player_embedded&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowScriptAccess="always" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Começando pela letra, cujos três primeiros versos contêm o aspecto explosivo da banda: “Meu codinome é dinamite! / Meu apelido é explosão! / Queimando as cordas pela pista eu sigo em plena contramão”. Notemos que “codinome” é, segundo o Dicionário Houaiss, uma “designação que serve para ocultar a identidade de alguém ou para nomear de maneira secreta um plano de ação, uma organização”. Já lancemos de primeira a hipótese de que a “organização secreta” por trás da qual se oculta o eu que canta é a própria banda Garotas Suecas.</p>
<p>Essa dimensão algo misteriosa – que passa despercebida devido à melodia e aos arranjos contagiantes, que fazem dançar logo quando soa o primeiro <em>riff</em> – segue adiante com a expressão “queimando as cordas”, que não está registrada nem no Aurélio nem no <a href="http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm">Houaiss</a>. Fica aberto o espaço dos comentários para que os leitores deixem suas interpretações, porque certamente muitas são possíveis. Assumo aqui, num primeiro momento, a hipótese meramente musical, sonora: a de que a expressão significa “tocar os instrumentos de corda à exaustão”. O eu que canta e sua banda são explosivos musicais, que só veem <em>sentido</em> na <em>contramão </em>– por isso é que ela lhes parece <em>plena</em>.</p>
<p>A imagem formada com a leitura acima é bastante significativa: o eu se disfarça com codinome e apelido porque encarna, por meio de suas canções, <em>o sentido explosivo do proibido</em>, na contramão do que é comportado, aceito ou recomendado. E é claro que o queimar de cordas pode representar aqui a transgressão, de modo geral.</p>
<p>Os três versos acima se repetem nas duas estrofes, seguidos de variações e, depois, de outros dois que se repetem, à moda de refrão: “E eu não preciso te dizer,que do meu lado é pra valer! / Do meu lado é pra valer”. Aquela a quem o eu se dirige é a garota que surge na primeira variação: “Garota, escute com cuidado&#8230; / Sou osso duro de roer! / E se eu te agarro pela noite eu largo em pleno amanhecer”. São versos de interpretação mais fácil do que os anteriores, mas não menos importantes: a explosão do eu também é, evidentemente, de ordem sensual, quase erótica, que se transfere para a sonoridade – talvez seja por isso que as canções das Garotas Suecas sejam tão dançantes, afinal a dança sempre remete, em alguma medida, ao sexo. Os movimentos ritmados do corpo, sugeridos pela música, são, desse modo, inevitáveis. E é por isso que, ao lado do eu que canta, tudo é pra valer, tudo é intenso.</p>
<p>Mais importante ainda é perceber que, embora seja um <em>incendiário</em>, o eu que canta só está completo se, ao seu lado, tem a garota. Em palavras simples: toda a intensidade do eu só fará sentido se for percebida – de certa forma, arrisco dizer, se for <em>absorvida </em>– pela garota. É ela que deve escutar o eu com cuidado; é ela que será agarrada à noite e largada em pleno amanhecer. Em síntese, só faz sentido ser o eu que canta se a garota estiver ao seu lado – declaração de amor ímpar, mas fundamental para entender o equilíbrio da explosão. Repito: toda energia expandida do eu só faz sentido se partir dele com destinação à garota.</p>
<p>Quem se lembrou, nos versos analisados nos parágrafos anteriores, das letras mais jovens de <a href="http://robertocarlos.globo.com/html/home/home.php">Roberto</a> e <a href="http://www.coqueiroverderecords.com/erasmocarlos/erasmocarlos.htm">Erasmo Carlos</a> não se equivocou. Na segunda parte da canção ouve-se que “Não vá pensar que no meu peito, não bate nenhum coração&#8230; / Mas quem acompanha o Homem Brasa é a Garota Explosão!”. O Homem Brasa não só alude à dinamite e à explosão, mas também à gíria “é brasa”, dos tempos de Jovem Guarda; a Garota Explosão pode ser a versão moderna da <a href="http://robertocarlos.globo.com/html/home/home.php?pagina=17&amp;musicaId=1019">garota “Papo Firme”</a>, que “é mesmo avançada / E só dirige em disparada”, que “Está por dentro de tudo / Só namora se o cara é cabeludo” e que “Se alguém diz que ela está errada / Ela dá bronca, fica zangada / Manda tudo pro inferno”, em composição de Renato Corrêa e Donaldson Gonçalves, imortalizada por Roberto Carlos.</p>
<p>O encanto pelo proibido, por sua vez, traz à mente “É proibido fumar” – cujo vocabulário dialoga bastante com o de “Codinome Dinamite”:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/vY-p_GbxFvE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/vY-p_GbxFvE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p><em>É proibido fumar, diz o aviso que eu li<br />
É proibido fumar, pois o fogo pode pegar</p>
<p>Mas não adianta o aviso olhar<br />
Pois a brasa que agora eu vou mandar<br />
Nem bombeiro pode apagar</p>
<p>Eu pego a garota e canto uma canção<br />
E nela dou um beijo com empolgação<br />
Do beijo sai faísca e todo mundo grita<br />
Que o fogo pode pegar</p>
<p>Nem bombeiro pode apagar<br />
O beijo que eu dei nela assim<br />
Nem bombeiro pode apagar<br />
Garota pegou fogo em mim</p>
<p>Sigo incendiando bem contente e feliz<br />
Nunca respeitando o aviso que diz<br />
Que é proibido fumar</em></p>
<p>As semelhanças não são poucas. Além da escolha das palavras, as imagens são similares: a opção pelo proibido (“Nunca respeitando o aviso que diz”), o universo sensual em que “do beijo sai faísca” (que lembra a imagem do Homem Brasa e da Garota Explosão), o eu que encarna o incendiário – do lado dele, tudo é pra valer, é intenso, explosivo – seja no beijo, seja na canção, que acaba por <em>atear fogo </em>ao ouvinte.</p>
<p>Assim, se, de um lado, as Garotas Suecas se destacam pela atualidade de levarem a carreira na independência, de outro não deixam de dialogar livremente com a tradição da nossa canção. Esse equilíbrio do ponto de vista profissional e criativo corresponde a outro, no universo das letras e da sonoridade. Já vimos que o caráter explosivo do eu só faz sentido se for absorvido pela garota a quem ele se dirige. Percebamos agora que, na segunda parte da canção, os papéis se invertem, alcançando, contudo, o mesmo resultado: a intensidade da Garota Explosão só fará sentido se for integrada, partilhada e, de certo modo, <em>atenuada</em> pelo Homem Brasa. Note-se: ambos remetem ao calor, mas, enquanto ela é explosiva, ele – cujo codinome é dinamite – é <em>brasa, explosão concentrada</em>. Ou seja: ela e ele, juntos e conjuntos, compõem o sentido do proibido, da contramão, da explosão, alternando papéis, mas sempre com um ao lado do outro. Trata-se de uma imagem amorosa que só foi possível compor em nossa época: a garota não fica relegada a um papel subalterno.</p>
<p>O parágrafo anterior dá margem a muitas interpretações. Note-se, por exemplo, que a banda cujo nome é Garotas Suecas – que nos leva a imaginar um conjunto só de meninas – é composta por cinco rapazes e uma garota, como se a predominância do gênero masculino sobre o feminino fosse compensada pelo nome, numa relação yin e yang bastante particular, que sugere, ao mesmo tempo, igualdade e diferença dos gêneros. Do ponto de vista das letras, versos simples guardam sentidos mais densos – como uma concepção amorosa igualitária – e diálogos significativos com a história da canção brasileira; na sonoridade, a banda harmoniza influências de <a href="http://www.otisredding.com/">Otis Redding</a>, Roberto e Erasmo, Tropicália, Tim Maia – na plenitude da contramão, imediatamente transmitida à platéia, que não consegue ficar parada.</p>
<p>Não é à toa que o público norte-americano tenha deixado de lado, ao ouvir e curtir as Garotas Suecas, a barreira da língua: quando toca o equilíbrio da explosão, a banda expressa ideais de amor e de liberdade, ainda tão distantes da realidade concreta, mas extremamente concretos no universo da canção. Talvez o projeto oculto pelo codinome dinamite seja exatamente este: o de fazer perceber, por meio do som e do movimento, que as diferenças não podem ser apagadas, mas que podem integrar-se de modo equilibrado.</p>
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		<title>Andreas Kisser lança Hubris I&amp;II, no SESC Pompéia</title>
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		<pubDate>Wed, 27 May 2009 01:44:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Audio]]></category>
		<category><![CDATA[Andreas Kisser]]></category>
		<category><![CDATA[Estúdio Showlivre]]></category>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/05/26/andreas-kisser-hubris-sesc/' addthis:title='Andreas Kisser lança Hubris I&#038;II, no SESC Pompéia'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Andreas Kisser é uma das maiores personalidades do rock brasileiro atual: núcleo criativo e porta-voz do Sepultura, criador de várias trilhas sonoras de cinema, parceiro de músicos brasileiros de diversos gêneros, o guitarrista lança agora um disco solo de diversas influências, do clássico ao metal. Já comentei detalhadamente a canção &#8220;Eu humano&#8221;, desse novo trabalho [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/05/26/andreas-kisser-hubris-sesc/' addthis:title='Andreas Kisser lança Hubris I&#038;II, no SESC Pompéia' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-641" title="andreas_sesc1" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/05/andreas_sesc1.jpg" alt="andreas_sesc1" width="400" height="600" /></p>
<p><a href="http://www.myspace.com/andreaskisser">Andreas Kisser</a> é uma das maiores personalidades do rock brasileiro atual: núcleo criativo e porta-voz do <a href="http://www.myspace.com/sepultura">Sepultura</a>, criador de várias trilhas sonoras de cinema, parceiro de músicos brasileiros de diversos gêneros, o guitarrista <a href="http://www.andreaskisserfanclub.com/hubris/hubris.html">lança agora um disco solo de diversas influências, do clássico ao metal</a>. Já comentei detalhadamente a canção &#8220;Eu humano&#8221;, desse novo trabalho (<a href="http://ametricadogrito.blogspot.com/2009/01/eu-humano-poesia-de-rock-em-lngua.html">leia o texto na Métrica do Grito</a>) &#8211; para mim, Andreas fez história ao gravá-la em língua portuguesa. Assista à apresentação dessa canção no Estúdio Showlivre:</p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/OoRzwWzSY8s&amp;color1=0xdfe6f1&amp;color2=0xa5b8d7&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/OoRzwWzSY8s&amp;color1=0xdfe6f1&amp;color2=0xa5b8d7&amp;feature=player_embedded&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
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		<title>Nasi e a &#8220;Música Urbana&#8221;, da Legião Urbana (sobre autores e intérpretes)</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 03:33:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Máquina do Tempo]]></category>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/05/13/nasi-musica-urbana/' addthis:title='Nasi e a &#8220;Música Urbana&#8221;, da Legião Urbana (sobre autores e intérpretes)'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Nasi, ex-vocalista do Ira, passou por apertos de ordem pessoal e profissional nos anos anteriores. Mas não custa insistir: o que menos nos interessa aqui na Identidade Musical é a vida particular dos músicos. Analisamos a obra &#8211; e a de Nasi tem estado mais fértil do que nunca. Assista abaixo ao vídeo da interpretação [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/05/13/nasi-musica-urbana/' addthis:title='Nasi e a &#8220;Música Urbana&#8221;, da Legião Urbana (sobre autores e intérpretes)' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.myspace.com/nasioficial">Nasi</a>, ex-vocalista do Ira, passou por apertos de ordem pessoal e profissional nos anos anteriores. Mas não custa insistir: o que menos nos interessa aqui na Identidade Musical é a vida particular dos músicos. Analisamos a obra &#8211; e a de Nasi tem estado mais fértil do que nunca. Assista abaixo ao vídeo da interpretação que ele deu à &#8220;Música Urbana&#8221;, de Renato Russo, no <a href="http://showlivre.oi.com.br/canais.php?canal=1">Estúdio Showlivre</a>, a que você pode assistir integralmente <a href="http://www.showlivre.com/artistasDetalhes.php?conteudo_id=7131&amp;video_id=29612">clicando aqui</a>:</p>
<p><object width="400" height="245" type="application/x-shockwave-flash" data="http://www.showlivre.com/vid/player.swf?v=29614"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.showlivre.com/vid/player.swf?v=29614" /></object></p>
<p>É desnecessário dizer que o ponto de partida para a obra de um grande intérprete é a escolha acertada do repertório. &#8220;Música Urbana&#8221;, de Renato Russo, por si só, é uma composição especial: de certa forma, compõe, com a outra &#8220;Música Urbana&#8221;, consagrada na gravação do primeiro disco do <a href="http://www.myspace.com/capitalinicial">Capital Incial</a>, uma leitura do sempre saudoso vocalista da Legião Urbana a respeito da vida moderna nas cidades.</p>
<p>Quem é fã da Legião e conhece a &#8220;Música Urbana&#8221; do álbum <em>Dois. </em>No Youtube encontrei o vídeo abaixo, que não é oficial, mas é bastante interessante:</p>
<p><object width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" data="http://www.youtube.com/v/PJhu0GaU9Hc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PJhu0GaU9Hc&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
<p>É flagrante a diferença entre a interpretação de Renato Russo e a de Nasi, da mesma canção: na versão do vocalista da Legião, há apenas violão e uma das versões mais soturnas da voz de Renato Russo &#8211; o que, de imediato, confere à canção uma ambiência melancólica, como se toda a cidade estivesse envolvida em trevas. O ponto máximo da expectativa que o arranjo simples e a entoação vocal vão construindo é a inflexão da voz para o agudo no verso &#8220;E mais uma criança nasceu&#8221;. No contexto, interpretamos que se trata de mais um anônimo que amargará as mazelas da cidade. Mas a própria letra afirma que nessa canção não há mentiras nem verdades, há apenas Música Urbana &#8211; deixando a sugestão de que outra leitura é possível.</p>
<p>Nasi e sua banda rasgam essa brecha e abrem a nossos ouvidos outra leitura possível para &#8220;Música Urbana&#8221;: o som de piano à moda de rock clássico, o estalar dos dedos e o coro que repete &#8220;Música Urbana&#8221; conferem à composição uma expansão que estava oculta sob o minimalismo do arranjo de Renato Russo. Na versão de Nasi e de sua banda, tudo se dá como se a cidade não fosse apenas desgraça e alienação, como se fosse possível &#8211; por mais absurdo que pareça &#8211; fascinar-se com o espetáculo da vida urbana. A guitarra entra aos poucos, depois a bateria, fazendo a canção crescer como se a cidade ganhasse vida e fosse comemorada pela banda, em celebração sonora ao nascimento da criança, que encaminha a canção para o final.</p>
<p>Não há mentiras nem verdades no universo da &#8220;Música Urbana&#8221;: o compositor lê a cidade de modo sombrio; Nasi a observa extasiado, maravilhado &#8211; e demonstra que, até na vida moderna, pode haver beleza a celebrar, mesmo que seja apenas no nascimento de uma criança. É a visão aguçada do intérprete, que enxerga na primeira versão da canção possibilidades que o ouvido comum não pode alcançar.</p>
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