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	<title>Blog da Identidade Musical &#187; Fim de Tarde</title>
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		<title>Dilei: viagem dialogada à roda de si mesmo</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 16:55:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
				<category><![CDATA[Métrica do Grito]]></category>
		<category><![CDATA[Dilei]]></category>
		<category><![CDATA[Fim de Tarde]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar o mundo com os pés]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/07/18/dilei-viagem-dialogada/' addthis:title='Dilei: viagem dialogada à roda de si mesmo'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>A primeira audição de Olhar o mundo com os pés, da banda Dilei, é suficiente para perceber o tema marcante da banda: o poeta-cancionista-andarilho, que sai da terra-natal à cata de novas experiências, de aventuras, de outros horizontes. <div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/07/18/dilei-viagem-dialogada/' addthis:title='Dilei: viagem dialogada à roda de si mesmo' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/07/18/dilei-viagem-dialogada/' addthis:title='Dilei: viagem dialogada à roda de si mesmo'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div><p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_ecCrTjLesGY/SeOS-2mVUGI/AAAAAAAAAMM/1Ows0uTYJOA/s1600-h/capa_alta.jpg"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5324260792987897954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 196px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_ecCrTjLesGY/SeOS-2mVUGI/AAAAAAAAAMM/1Ows0uTYJOA/s200/capa_alta.jpg" border="0" /></a>A primeira audição de <em>Olhar o mundo com os pés</em>, do <a href="http://www.myspace.com/curtadilei">Dilei</a>, é suficiente para perceber o tema marcante da banda: o poeta-cancionista-andarilho, que sai da terra-natal à cata de novas experiências, de aventuras, de outros horizontes. Foi o que rolou com os caras, em <a href="http://dileiontour.blogspot.com/">turnê recente por terras de Chile e Argentina</a>.</p>
<p>É difícil encontrar uma canção ou um verso em que o tema da viagem não apareça. Apenas para exemplificar, em &#8220;Conta-Gotas&#8221;, ouve-se o seguinte: &#8220;Aperta o passo, quanto mais a gente anda / Mais vai enxergar, / Não me importa em ser assim, / Um andarilho pobre e infeliz&#8221;. Curioso perceber que, no universo das canções do Dilei, o andarilho não está sozinho, ao contrário do que poderíamos imaginar. Para ele, é fundamental um interlocutor com quem possa partilhar as impressões da viagem. Para o eu que canta, o caminho trilhado já é, por si só, meio de aprendizagem, que será sempre partilhada com alguém, sejam amigos ou entes queridos, presentes ou não.</p>
<p>Levando a hipótese ao extremo: talvez a origem da banda e de suas canções esteja na <em>intenção de dividir com o ouvinte as experiências da viagem</em>. Seríamos, portanto, interlocutores, &#8220;companheiros de jornada&#8221; do eu que canta em <em>Olhar o mundo com os pés</em>.</p>
<p>O eu que canta se vê, entretanto, como um andarilho &#8220;pobre e infeliz&#8221;. Por quê? O senso comum a respeito das viagens nos diz que elas são motivo de alegria: quem viaja, de certa forma, foge à realidade e encontra a completude. É contrário do que acontece aqui: o eu vaga aleatoriamente porque está em dúvida, em aflição. A viagem, na obra do Dilei, não é um meio de &#8220;curtir a vida&#8221; inconsequentemente; a viagem é, sim, forma de busca de respostas.</p>
<p>É flagrante, primeiramente, que o eu sai à cata de soluções para problemas sociais que o provocam; trata-se de problemas que estão fora dele, claro está, mas que lhe ferem insistentemente os sentidos. É o que ocorre em &#8220;Geração&#8221;: &#8220;Eu já sei onde isso vai dar, / Meu pessimismo é real / E nossas leis foram feitas / Pra quem tem grana pra pagar / Uma nova alienação / Disfarçada de consciência / Discursos inflamados, / Braços cruzados, papo pelo ar&#8221;.</p>
<p>Por outro lado, o eu mergulha em si mesmo, na melancolia do &#8220;Fim de Tarde&#8221; (&#8220;Que bom seria / Se a vida fosse um pôr-do-sol na praia&#8221;) e nas maravilhas da infância, em &#8220;4 meses e 1/2&#8243; (&#8220;A infância é como um livro relido / Na memória de quem sonha / Em todos os recreios, brincadeiras, / Sorrisos e soluços, / Há de haver uma criança contente / Em nossas recordações&#8221;). Aliás, é em canções como essas que se faz perceber a característica sonora mais marcante do Dilei: a riqueza dos arranjos, com pífano, bandolim, violoncelo, samples. Assista ao vídeo de &#8220;Fim de Tarde&#8221; &#8211; e perceba como o violoncelo remete diretamente ao cair do sol, na praia:</p>
<p><object height="344" width="425"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tE0Tpc4PlOQ&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"><param name="allowFullScreen" value="true"><param name="allowscriptaccess" value="always"><embed src="http://www.youtube.com/v/tE0Tpc4PlOQ&#038;hl=pt-br&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p>Todo esse universo é marcado pela imagem do poeta-cancionista-andarilho, daí a repetição de imagens como a do tênis gasto e a do jeans rasgado devido à caminhada. Essa imagem lembra bastante a do poeta romântico de terceira geração, à Castro Alves: embora mergulhado em si, o poeta se imbui da missão de levar a consciência aos leitores. Neste caso, melhor seria dizer &#8220;ouvintes companheiros de jornada&#8221;.</p>
<p>Mas a semelhança do Dilei com os românticos está apenas na superfície &#8211; da mesma forma que é superficial analisar a obra dos caras apenas pela temática da <em>viagem, </em>que é marcante, mas não é tudo. Os elementos descritos acima são todos peças de um quebra-cabeças que vou tentar ordenar.</p>
<p>Ora, um disco cujo título é <em>Olhar o mundo com os pés</em> remete diretamente a um <em>eu que tem os pés no chão</em>, bem distante das fugas e devaneios românticos. Há canções com ricos momentos de lirismo, é claro; mas as aflições concretas do eu que canta se sobrepõem à temática fácil da &#8220;curtição da vida&#8221;, da inconsequência adolescente, da viagem como fuga ao mundo &#8211; temas que poderiam emergir facilmente. Não é o caso. O que vemos em canções, como a já citada &#8220;Geração&#8221;, ou ainda &#8220;Teu Jeito&#8221;, &#8220;Peça pra Sonhar Antes de Dormir&#8221; e &#8220;Contradições&#8221; é um eu sensível, dilacerado pelos problemas sociais que o circundam &#8211; e que insiste em não se alienar. Em palavras bem simples: é impossível curtir a viagem se o mundo externo ao eu é cheio de injustiças.</p>
<p>&#8220;Contradições&#8221; é, de todas, a canção que mais me agrada. O eu põe definitivamente os pés no chão e escancara as contradições inerentes à vida, perguntando &#8220;Quem foi que te falou de algo bom sem lado ruim?&#8221; &#8211; sempre dirigindo-se ao ouvinte, parceiro de viagem que agora é alvo das vociferações, que exigem: &#8220;Senhoras, senhores, me aceitem como sou / Senhoras, senhores, não me perdoem pelo que sou&#8221;. É o brado por meio do qual todos os conflitos do eu vêm à tona &#8211; ele deseja autenticidade, já vimos que ele rejeita a falsa consciência das gerações jovens.</p>
<p>Na sequência, surgem versos que talvez sintetizem a obra do Dilei: &#8220;Fingir não ser você, / Só te faz ser alguém pior / Adotar pra si uma postura inconsequente / Que te faz tão só&#8221;. Juntando as peças:</p>
<p>Primeiro: a viagem do eu que canta é, antes, uma <em>viagem interna</em>, à roda de si mesmo, das próprias contradições, das próprias sensações e impressões do mundo &#8211; em suma, uma viagem à cata da própria identidade. Vem daí a rejeição, nos dois primeiros versos acima, à alienação e aos estereótipos. E vem daí, também, a vontade de viajar, agora concretamente, no espaço &#8211; trata-se de uma forma de conhecer os próprios limites.</p>
<p>Segundo: no mergulho em si mesmo, o eu se percebe sempre provocado pelas impressões externas, sobretudo pelas contradições sociais com que se deparou ao longo da viagem. É impossível, para ele, adotar uma &#8220;postura inconsequente&#8221;, isto é, uma postura egoísta, preocupada apenas consigo mesma. E é extamente por isso que o eu que canta em <em>Olhar o mundo com os pés </em>está sempre em diálogo com o ouvinte &#8211; o contrário da postura inconsequente é dividir com outros as impressões da viagem. E se possível, sensibilizá-los quanto a questões sociais.</p>
<p>Terceiro: a origem da riqueza dos arranjos pode estar não só na multiplicidade dos lugares visitados pelo eu que canta, mas também nas experiências, impressões e culturas que ele vai coletando a cada parada. É o que faz do Dilei uma banda extremamente brasileira.</p>
<p>O Dilei extravia, portanto, o tema da viagem e da curtição fácil e alienada para os recônditos das contradições pessoais e sociais: <em>Olhar o mundo com os pés </em>é, a um só tempo, obra de desfrute musical pela riqueza dos arranjos; de desfrute poético, pelo lirismo dos versos; de sensibilização social do público, pela preocupação com o mundo e pelos pés no chão.</p>
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