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	<title>Blog da Identidade Musical &#187; Folha de São Paulo</title>
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		<title>Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte III</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2010 03:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cena e Mercado]]></category>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2010/03/04/fsp3/' addthis:title='Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte III'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>O que não é a canção brasileira Este post é continuação da análise da reportagem publicada no dia 21 de fevereiro, na Folha de São Paulo, em texto de Bruna Bittencourt. Para ler a primeira parte da análise, clique aqui. Para ler a segunda parte da análise, clique aqui. Segue abaixo a conclusão do texto: Nesse cenário, [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2010/03/04/fsp3/' addthis:title='Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte III' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O que não é a canção brasileira</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Este post é continuação da análise da reportagem publicada no dia 21 de fevereiro, na Folha de São Paulo, em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2102201009.htm" target="_blank">texto de Bruna Bittencourt</a>. Para ler a primeira parte da análise, <a href="http://identidademusical.com.br/blog/2010/02/28/fsp/" target="_blank">clique aqui</a>. Para ler a segunda parte da análise, <a href="http://identidademusical.com.br/blog/2010/03/02/fsp2/" target="_blank">clique aqui</a>.</strong></p>
<p>Segue abaixo a conclusão do texto:</p>
<p style="text-align: right;"><em>Nesse cenário, artistas estrangeiros já consagrados se beneficiam. &#8220;Boa parte do que você tem que fazer vem pronto, o custo é menor&#8221;, diz Affonso sobre gastos como gravação de disco e divulgação.<br />
&#8220;Infelizmente, vai voltar a ser como na década de 70, 80, quando o mercado era 25% de música brasileira e 75% de internacional&#8221;, arrisca ele. O que mudou esse quadro foi um incentivo que o governo criou para gravação nacional. As companhias podiam abater do ICM (imposto sobre circulação de mercadoria) a ser pago o que investiam em artistas nacionais, explica Éboli. &#8220;Mas o incentivo foi retirado há cinco anos. O produto nacional passou a competir em igualdade com o internacional por investimento. É como comparar o &#8220;Avatar&#8221; a um filme nacional.&#8221;<br />
Apesar da redução, Rosa é otimista em relação à venda de música brasileira, 70% do total. &#8220;É uma taxa muito alta de repertório local, superada apenas pelo mercado americano.&#8221; Marcelo Castello Branco, da EMI, concorda: &#8220;É uma posição diferenciada&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: left;">Vamos ver se entendi o raciocínio: com a isenção do ICMS, o público brasileiro passou a consumir mais música brasileira, já que as gravadoras passaram a investir mais nela do que na estrangeira. Mais uma vez, segundo a lógica do texto: o público consumirá aquilo que a gravadora lhe apresenta. Consideremos, entretanto, alguns outros dados:</p>
<p style="text-align: left;"><img class="alignleft size-full wp-image-2209" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Sem título-4" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/seculo_cancao.jpg" alt="" width="180" height="270" />a) existem &#8220;demandas de mercado&#8221; que partem do público, não das campanhas de marketing das gravadoras. Se elas soubessem reconhecer que trabalham com música popular, não com geladeiras ou televisores, já teriam percebido que, embora seja verdade que muita gente só consome o que toca na rádio ou na trilha da novela, há conteúdos e sonoridades que partem do público, não daquilo que os executivos consideram ser um bom produto. A história da canção brasileira está cheia de exemplos disso. Talvez, nos processos seletivos das grandes gravadoras, fosse uma boa exigir, além de MBAs, leituras básicas, como o já citado <em>Música, Ídolos e Poder — do Vinil ao Download, </em>de André Midani, ou <em>O Século da Canção</em>, de Luiz Tatit, em que se lê o seguinte:</p>
<p style="text-align: right;"><em>Acontece que as leis do mercado só são leis de fato quando analisadas retrospectivamente. Sua capacidade de previsão, ao menos com produto de natureza artística, é de curto alcance. O êxito dos produtores e executivos que parecem se orientar por essas leis depende bem mais da flexibilidade com que desenvolvem suas estratégias do que da determinação infalível de seus métodos. Contracenando com o encaminhamento do produto, há as flutuações no âmbito do gosto e das necessidades emocionais que singularizam os mais variados setores da sociedade e se manifestam diferentemente em cada fase de sua evolução histórica. Os produtores foram aprendendo a auscultar assiduamente a opinião dos ouvintes e a refazer incansavelmente seus projetos de acordo com as variações registradas.</em></p>
<p style="text-align: left;">Em poucas palavras: para trabalhar com música, é preciso um mínimo de sensibilidade à arte, à crítica e ao público. Planilhas de Excel não podem resolver tudo;</p>
<p style="text-align: left;">b) a tal isenção do ICMS não teve apenas os efeitos benéficos descritos na reportagem da Folha. No livro <em>Dias de Luta: o rock e o Brasil dos anos 80, </em>o jornalista Ricardo Alexandre, num trecho sobre a virada do mercado fonográfico brasileiro da década  de 70 para a de 80, afirma que</p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/diasdeluta1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2212" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="diasdeluta" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/diasdeluta1.jpg" alt="" width="124" height="180" /></a>&#8220;Uma perversão da lei permitia que as gravadoras multinacionais ficassem isentas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM) apresentando contratos com músicos brasileiros. Ou seja, quanto mais discos do Led Zeppelin (as tais &#8220;mercadorias&#8221;) vendessem no Brasil, tanto mais Gilberto Gil (o &#8220;músico brasileiro&#8221;) enriqueceria &#8211; e não faltaram nesse período baluartes que, graças à isenção fiscal, trocaram de gravadora e ganharam apartamentos ou adiantamentos faraônicos, mesmo com suas vendas modestas&#8221;</em></p>
<p style="text-align: left;">Assim fica mais fácil de entender por que alguns compositores insistem em ficar ao lado da indústria fonográfica. Trata-se exatamente daqueles muito poucos (e terão todo esse talento? ou são apenas técnicos, grandes especialistas em fazer sempre o mesmo produto, com que uma grande parcela do público ainda está habituada?) que se beneficiam das margens de lucro das grandes gravadoras.</p>
<p style="text-align: left;">Alguns leitores poderão argumentar que o trecho de Ricardo Alexandre se refere a um período já distante. Verdade, mas a lógica parece continuar a mesma: privilégio de uns poucos músicos alinhados com a indústria fonográfica. Outros leitores poderão ter ficado injuriados com a referência a Gilberto Gil, um dos nomes quase intocáveis da MPB. Também fico, porque Gil é dos grandes talentos que temos. Mas insisto: a verdade é que uns poucos deles se beneficiam da estrutura das gravadoras.</p>
<p style="text-align: left;">c) há uma constatação que permeia o texto: a de que o mercado brasileiro de música é diferenciado, porque 70% das canções consumidas por aqui são de compositores brasileiros. A cifra é impressionante e talvez soe falsa para alguns leitores. Mas não nos iludamos: a música brasileira vai muito além das bandas, duplas e intérpretes das novelas da Globo e das rádios FM. Aqueles 70% são compostos também por uma imensidão de compositores renegados pelo público elitizado e pelos grandes jornais. O texto publicado na Folha, destinado exatamente aos setores dominantes e à classe média, advoga em favor da &#8220;música brasileira&#8221;, que está supostamente com &#8220;a corda no pescoço&#8221;, mas talvez a autora tenha se esquecido de que a maioria dos músicos que compõem os tais 70% seriam classificados pelos leitores da Folha como &#8220;de mau gosto&#8221;.</p>
<p style="text-align: left;">d) não gosto nem de imaginar possíveis consequências nefastas da publicação de uma reportagem como essa: repete-se o discurso cômodo de que &#8220;não se faz música brasileira como antigamente&#8221;, de que &#8220;a música brasileira não tem novos talentos&#8221;, ou de que &#8220;estamos sofrendo a invasão da música estrangeira&#8221;. O tom da reportagem é o de que a pobre indústria fonográfica, que tanto investiu na cultura brasileira, agora está abandonada às traças pelo governo, sem isenção fiscal, e pelo público.</p>
<p style="text-align: left;">O que tentei fazer neste texto foi examinar a fundo a reportagem publicada na Folha de domingo, em que o discurso da indústria fonográfica é reproduzido à risca, com o tom alarmista de que &#8220;a música brasileira está com a corda no pescoço&#8221;, sem levar em consideração o recrudescimento do mercado independente de música e os compositores que o público leitor elitizado não escuta. A canção brasileira não são apenas os sucessos emplacados pelas cinco grandes gravadoras.</p>
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		<title>Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte II</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 03:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2010/03/02/fsp2/' addthis:title='Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte II'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>A pirataria e o público Este post é continuação da análise da reportagem publicada no dia 21 de fevereiro, na Folha de São Paulo, em texto de Bruna Bittencourt. Para ler a primeira parte da análise, clique aqui. O texto segue: &#8220;Mas, para Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), a [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2010/03/02/fsp2/' addthis:title='Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte II' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A pirataria e o público</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Este post é continuação da análise da reportagem publicada no dia 21 de fevereiro, na Folha de São Paulo, em </em><a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2102201009.htm" target="_blank"><em>texto de Bruna Bittencourt</em></a><em>. Para ler a primeira parte da análise, <a href="http://identidademusical.com.br/blog/2010/02/28/fsp/" target="_blank">clique aqui</a>. </em></strong></p>
<p>O texto segue:</p>
<p style="text-align: right;">&#8220;<em>Mas, para Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), a estatística é inflada. &#8220;Essa redução é muito menor do que os 80% apontados&#8221;, afirma. Rosa explica que as gravadoras dividem seus produtos em três séries de preço -alta, média e econômica. Mas, com as condições adversas de mercado, cada vez mais lançamentos de artistas nacionais são feitos com preço mediano. E o levantamento do IFPI considerou como lançamento apenas aqueles de preço mais alto. &#8220;Embora a estatística seja exacerbada, é a realidade. O investimento no repertório nacional diminuiu muito&#8221;, rebate José Antônio Éboli, da Universal.<br />
A Folha ouviu os presidentes das cinco principais gravadoras brasileiras sobre as causas para essa queda e a pirataria física e virtual é a primeira apontada. &#8220;Ela só vai diminuir mais o investimento em repertório local&#8221;, diz Sérgio Affonso, presidente da Warner. Para Alexandre Schiavo, da Sony, falta uma lei severa contra a prática.<br />
Para Zezé Di Camargo, que viaja o país fazendo shows, a pirataria se beneficia da ausência de pontos de venda em pequenas cidades. &#8220;&#8221;É muito difícil comprar um disco original no interior. Antes, qualquer cidade tinha sua loja. Hoje, tem muita gente que compra o pirata porque não encontra o original&#8221;, afirma. O cantor defende que se esses pontos ainda existissem, venderia 30% a mais de seus discos. &#8220;Hoje, a gente vende 30%, 40% de discos que vendíamos. É muito diferente do que era há dez anos&#8221;, diz Zezé, que, ao lado do irmão, Luciano, foi um dos artistas mais comercializados no Brasil em 2008.<br />
Para Leonardo Ganem, da Som Livre, com a queda de venda de CDs as gravadoras passaram a arriscar menos. &#8220;A indústria tinha como lema gravar dez artistas para ter dois sucessos. Hoje, isso seria uma insanidade. Você tem que ser muito mais seletivo&#8221;, diz Éboli</em>&#8220;.</p>
<p>Ah, é verdade. Eu tinha me esquecido da pirataria, o grande demônio do mercado de música, o grande culpado pela redução das vendas de CDs. Nenhuma linha sobre os preços exorbitantes dos CDs, sobretudo os dos lançamentos. Nenhuma palavra sobre novas tecnologias que baratearam os custos de gravação, que permitem aos artistas maior liberdade de criação, sem os contratos absurdos das grandes gravadoras, cujos produtos são sempre os mesmos. Evidentemente, na lógica do texto, o público que consome a &#8220;pirataria física e virtual&#8221; é o culpado pela diminuição do investimento no mercado local.</p>
<p><a href="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/Andre_midani.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-2208" title="Andre_midani" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/02/Andre_midani.jpg" alt="" width="223" height="320" /></a>É curioso: se, há uns dez anos, perguntássemos a algum diretor de grande gravadora por que só se investia em &#8220;produtos&#8221; de grande potencial comercial, ele responderia, sem pestanejar: &#8220;é disso que o público gosta, é ele quem manda, ele sabe escolher&#8221;. Poderíamos perguntar, também, por que não se investia em trabalhos experimentais, de maior complexidade. E a resposta seria a mesma, com a chave invertida: &#8220;porque o público não gosta disso, isso não vende&#8221;. Talvez fosse verdade na época, e continue sendo até hoje. O que ninguém percebeu é que são as experimentações estéticas que alimentam, quando pinta uma brecha, o mundinho medíocre da indústria fonográfica. <a href="http://www.revistabula.com/colunista/rogerio-duarte" target="_blank">Já escrevi aqui</a>: na década de 70, Vinícius de Morais  deu um esporro em André Midani quando este afirmou que o futuro da música brasileira estava no rock. E foi do rock dos 80 que nasceram Cazuza, Lobão, Clemente Nascimento, Renato Russo, Herbet Vianna, Arnaldo Antunes e outros.</p>
<p>Agora, no discurso dos executivos, a culpa pela &#8220;pirataria física e virtual&#8221; é do mesmo público. Talvez fosse o caso de perguntar aos senhores diretores se a decisão do público não está, mais uma vez, correta. Na mentalidade corporativa, não se pode lucrar mais com o mercado de Cds nacionais, porque a pirataria impede que sejam alcançadas margens de lucro estratosféricas. Ora, sem chover no molhado: essa mentalidade já é nossa velha conhecida. Mas é lamentável o fato de a reportagem comprar cegamente esse discurso, sem mostrar o outro lado: o mercado independente, com todas as dificuldades que enfrenta, cresce a passos largos e tem revelado talentos em que a indústria fonográfica jamais investiria, com a desculpa de que eles não teriam &#8220;viabilidade&#8221; ou de que &#8220;o investimento não teria retorno&#8221;.</p>
<p>Melhor pra nós: o espaço da música independente está aí, pronto para ser explorado mais a fundo, com música de qualidade, com a maioria das bandas disponibilizando o CD para download ou o vendendo na forma física a um preço acessível. Há inúmeros ajustes a fazer, sem dúvida: os músicos independentes ainda precisam de melhor remuneração pelos shows, a cena precisa profissionalizar-se e sair da informalidade, é preciso ainda formar muito mais público, em todos os sentidos. Mas o que interessa é que siga adiante o ideal de fomento e consolidação de um mercado sustentável com música de qualidade.</p>
<p><em><strong>Devido à extensão do texto, este post foi dividido em três partes, que serão publicadas ao longo da primeira semana de março de 2010.</strong></em></p>
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		<title>Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte I</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2010 03:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2010/02/28/fsp/' addthis:title='Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte I'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>A miopia e outras alternativas Na Folha de São Paulo do dia 21 de fevereiro, em texto de Bruna Bittencourt, pode-se perceber a miopia da grande mídia em relação ao que vem ocorrendo recentemente na música brasileira. Segue abaixo o primeiro trecho da reportagem: &#8220;A música brasileira está com uma corda em volta do pescoço. [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2010/02/28/fsp/' addthis:title='Quem está &#8220;com a corda no pescoço&#8221;? Mídia, indústria fonográfica e cena independente &#8211; Parte I' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A miopia e outras alternativas</strong></p>
<p>Na Folha de São Paulo do dia 21 de fevereiro, em <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2102201009.htm" target="_blank">texto de Bruna Bittencourt</a>, pode-se perceber a miopia da grande mídia em relação ao que vem ocorrendo recentemente na música brasileira. Segue abaixo o primeiro trecho da reportagem:</p>
<p style="text-align: right;">&#8220;<em>A música brasileira está com uma corda em volta do pescoço. É o que aponta o relatório da Federação Internacional da Indústria Fonográfica de 2010, divulgado no fim de janeiro.<br />
Segundo o estudo, os lançamentos de discos de artistas nacionais pelas cinco maiores gravadoras do país caíram 80% entre 2004 e 2008. E, em 2008, foram lançados 67 álbuns de artistas nacionais pelas mesmas companhias -um décimo do número de uma década atrás.<br />
Os números soam ainda mais pessimistas em um mercado como o brasileiro, no qual 70% da música consumida é local</em>&#8220;.</p>
<p>Para quem acompanha a cena independente nos últimos anos, a primeira frase do texto soa cômica. Estamos mesmo com a corda no pescoço? Não falemos de números, inicialmente. Falemos de qualidade: depois de Móveis Coloniais de Acaju, Vanguart, Romulo Fróes, Cérebro Eletrônico, Los Porongas, Madame Saatan, Porcas Borboletas, Volver, O Jardim das Horas, depois de todas essas bandas e artistas, e mais tantos outros que seria extenso demais listar aqui, é possível dizer que a música brasileira está com a corda no pescoço? Melhor: de onde terá vindo uma avaliação tão equivocada quanto essa?</p>
<p>O próprio texto responde: é dos números das &#8220;cinco maiores gravadoras do país&#8221;, cujos lançamentos &#8220;caíram 80% entre 2004 e 2008&#8243;. Pois bem. Se for esse o critério, talvez seja melhor dizer que as tais cinco gravadoras estão com a corda no pescoço, não a música brasileira. Essa vai muito bem, num de seus períodos mais férteis, com festivais espalhados pelo país, com o mercado independente crescendo cada dia mais. Só não vê quem não quer. Ou quem se restringe aos lançamentos daquelas gravadoras.</p>
<p>Na matéria do programa Almanaque, disponível no Globo.com, com entrevista de Pena Schmidt, integrantes de Móveis Coloniais de Acaju, Hurtmold e Cidadão Instigado, observa-se a riqueza da música brasileira atual, com base nos <a href="http://identidademusical.com.br/blog/2010/01/16/macaco-bong-hoje-no-auditorio-ibirapuera/">shows que rolaram no Auditório Ibirapuera em janeiro</a>:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="392" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="quality" value="high" /><param name="FlashVars" value="midiaId=1219775&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" /><param name="src" value="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" /><param name="flashvars" value="midiaId=1219775&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="392" src="http://video.globo.com/Portal/videos/cda/player/player.swf" flashvars="midiaId=1219775&amp;autoStart=false&amp;width=480&amp;height=392" quality="high"></embed></object></p>
<p>A matéria acima foge à regra das que são veiculadas na grande mídia, nas quais &#8211; como se pode observar no texto publicado na Folha &#8211; o discurso da indústria fonográfica é adotado como referência. Ao menos alguns veículos, ou alguns núcleos dentro deles, já perceberam que não é possível ignorar que a música brasileira não está com a corda no pescoço, ao contrário: vive um de seus momentos mais pujantes.</p>
<p>Também chamou a atenção, na semana passada, o lançamento do site Nagulha (<a href="http://nagulha.com.br/">http://nagulha.com.br/</a>), cuja proposta, que segue abaixo, é uma alternativa:</p>
<div style="text-align: right;"><em>Na história da música pop, as publicações sempre tiveram um papel fundamental na consolidação de nomes e tendências. Mas a crise da indústria fonográfica e o avanço da internet mudaram drasticamente o cenário na última década. As publicações em papel (incluindo os cadernos culturais dos grandes jornais e revistas) sofrem com a perda de anunciantes, ao mesmo tempo em que seu cada vez menor espaço editorial não consegue dar conta de um cenário progressivamente mais horizontalizado, acelerado e diverso. Ou seja, um momento de crise comercial mas, principalmente, de grande exuberância cultural.</em></div>
<p style="text-align: right;"><em>É essa riqueza de produção &#8211; o surgimento de bandas e artistas muito promissores vindos de todas as localidades, mesmo (ou principalmente) de regiões sem muita tradição na música e na cultura pop, como o norte e o centro oeste &#8211; que só uma revista eletrônica como o </em><strong><em>Nagulha</em></strong><em> pode abordar com consistência</em>.</p>
<p style="text-align: left;">A iniciativa do Nagulha é louvável, porque ocupa uma lacuna considerável na divulgação, análise e promoção de bandas &#8211; e de um novo mercado musical em expansão &#8211; que jornais como a Folha de São Paulo parecem ignorar.</p>
<div style="text-align: center;">
<p><em><strong>Devido à extensão do texto, este post será dividido em três partes, que serão publicadas ao longo da primeira semana de março de 2010.</strong></em></p>
</div>
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		<title>365: tudo igual na quarta de cinzas</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 17:59:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogério</dc:creator>
				<category><![CDATA[Máquina do Tempo]]></category>
		<category><![CDATA[Banda 365]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Chico Buarque]]></category>
		<category><![CDATA[Folha de São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Jânio de Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[Sambódromo]]></category>
		<category><![CDATA[Vai Passar]]></category>

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		<description><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/02/25/tudo-igual-na-quarta-de-cinzas/' addthis:title='365: tudo igual na quarta de cinzas'  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>Discutir se o carnaval é uma festa autenticamente popular ou se, principalmente no Brasil, ele serve de instrumento de alienação e de “pão e circo” pode levar a uma briga de grandes proporções. A coisa pode ficar feia se alguém levantar a lebre de que as classes dominantes se apropriaram do carnaval, roubando-o ao povo. Surgirão argumentos de toda ordem... <div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://identidademusical.com.br/blog/2009/02/25/tudo-igual-na-quarta-de-cinzas/' addthis:title='365: tudo igual na quarta de cinzas' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Calibri;"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-56" style="margin-left: 7px; margin-right: 7px;" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/02/baianas-imperatriz-20083-150x150.jpg" alt="A ala das baianas da Imperatriz Leopoldinense, em 2008" width="150" height="150" />Discutir se o carnaval é uma festa autenticamente popular ou se, principalmente no Brasil, ele serve de instrumento de alienação e de “pão e circo” pode levar a uma briga de grandes proporções. A coisa pode ficar feia se alguém levantar a lebre de que as classes dominantes se apropriaram do carnaval, roubando-o ao povo. Surgirão argumentos de toda ordem – desde os mais pessoais, como “você já foi a um ensaio de escola de samba e sentiu, de perto, o som da bateria?”, até os mais científicos, com levantamentos a respeito da história do carnaval no Brasil, a origem dos blocos, a comparação entre os carnavais de rua nas diferentes regiões, o “controle” da festa nos sambódromos, enfim: há até quem defenda que o carnaval pode entrar na categoria das coisas que não devem nem podem ser discutidas, como política, futebol e religião. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Calibri;">Em plena quarta de cinzas, lembrei-me, então, de duas canções: a primeira delas é <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9A_JrsJF6mM">“Vai Passar”, do Chico Buarque</a>, que <a href="http://identidademusical.com.br/blog/2009/02/19/uma-alternativa-de-futuro/">já comentei por aqui na Identidade Musical</a>. Nesse samba-enredo carioca por excelência, de 1984, ano em que Leonel Brizola inaugurou o sambódromo do Rio de Janeiro, num período carregado de esperanças de redemocratização do Brasil, pode-se vislumbrar um carnaval futuro, em que as injustiças sociais se transformam em alegoria de um Brasil que ainda não chegou – mas que parecia estar, naquela época, prestes a surgir com a “evolução da liberdade”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Calibri;"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-61" style="margin-left: 7px; margin-right: 7px;" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/02/3651-150x117.jpg" alt="A banda paulistana 365" width="150" height="117" />A segunda é &#8220;Sambódromo&#8221;, da <a href="http://www.myspace.com/banda365">banda paulistana 365</a>, em que a visão é menos otimista</span></span><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Calibri;">; é mais paulistana, talvez se possa dizer. Lembremos que São Paulo foi e é chamada de cidade feia por muitos, porque não contém as belezas naturais do Rio de janeiro, além de ser considerada o “túmulo do samba” por <a href="http://www.viniciusdemoraes.com.br/">Vinícius de Morais</a>. Mais do que isso: para <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2202200904.htm">Jânio de Freitas, na Folha de São Paulo de domingo</a>, o carnaval paulistano é mera imitação do já artificial carnaval carioca. Finho e Ari Baltasar, do 365, parecem concordar: “<span style="mso-ansi-language: PT;" lang="PT">Na margem que passa junto ao rio inerte / Um templo sem graça faz que se diverte”. A alusão à Marginal do Tietê – rio que talvez esteja inerte porque não tem vida alguma, devido à poluição – é flagrante, da mesma forma que o artificialismo da “folia”, o que se repete em outros versos, como “Vida importada, morte nacional / Farsa anunciada, juízo final”. </span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Calibri;"><span style="mso-ansi-language: PT;" lang="PT">Neles e em vários outros, reafirma-se a ideia de que a tal folia nada mais é do que um espetáculo no “padrão Globo de qualidade” – expressão do mesmo Jânio de Freitas – calculadamente arquitetado para estrangeiros se fascinarem com “a beleza da mulher brasileira” e com “a alegria e a criatividade de nosso povo”, lugares-comuns que podem desviar nossos olhares e os dos gringos para muitos aspectos menos festivos da realidade nacional. Durante os desfiles, todos os anos, os apresentadores da Globo não param de afirmar que a festa é transmitida para mais de cem países; para Jânio de Freitas, a festa é uma farsa, porque exclui o povo: “</span>Se o povão fica à margem, Carnaval não é”.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small; font-family: Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Calibri;">O 365 concorda: “<span style="mso-ansi-language: PT;" lang="PT">Gente apagada brilha pra turista / A massa cansada dança pra estatística / Beija a fantasia e se sente gente / Finge que é sonho, mundo diferente”. Eis aí uma das críticas mais recorrentes à “maior festa popular do planeta” – nos cinco dias do carnaval, fantasia-se um sonho de Brasil diferente, de alternativa de futuro que nunca se realiza, porque na quarta-feira de cinzas tudo volta ao normal. Daí os primeiros versos da canção –<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>“Luzes do futuro vão iluminar / Um presente escuro onde eu fui brilhar” – notáveis por vários motivos: as “luzes do futuro” (isto é, as luzes das <em>promessas jamais realizadas</em> de futuro, repetidas todos os anos, em todos os carnavais) vão iluminar “um presente escuro” (este sim real, concreto, cruel, mas abrilhantado e <em>ofuscado</em> pelas tais “luzes do futuro”) onde o eu que canta foi brilhar em primeira pessoa – o que remete à falsa ideia de que todos os que desfilam na avenida são iguais, sejam eles ricos, pobres, celebridades, anônimos, brancos, negros ou mestiços. Mentira, é claro: nos sites e revistas de fofocas, não faltam textos sobre as exigências e excentricidades dos famosos para que desfilem como destaques, <em>ofuscando</em> os anônimos.</span></span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="mso-ansi-language: PT;" lang="PT"><span style="font-size: small; font-family: Calibri;"> </span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA;" lang="PT"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-62" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" src="http://identidademusical.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/02/renato-sorriso-blog-157x300-150x150.jpg" alt="Renato Sorriso, o gari festivo do carnaval do Rio de Janeiro" width="150" height="150" />O carnaval, e os sonhos de um Brasil diferente, entretanto, sempre ganham ponto final na quarta-feira de cinzas: “Quando tudo é cinza / Vassoura na mão / Só ele tem cor / Vai varrer o chão”. <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>O mais assustador, contudo, é que até um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Y43Oy4G4xEg">gari carioca, festivo e animado, tenha se tornado celebridade</a>, depois de sambar enquanto varria a avenida: <a href="http://colunistas.ig.com.br/mauriciostycer/2009/02/14/renato-sorriso-%E2%80%9Cminha-vassoura-e-meu-passaporte%E2%80%9D/">Renato Sorriso</a> já gravou comerciais com </span><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA;">Gisele Bundchen e Zeca Pagodinho, além de ter participado de uma novela da Globo</span><span style="font-size: 11pt; font-family: &quot;Calibri&quot;,&quot;sans-serif&quot;; mso-ansi-language: PT; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-bidi-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: EN-US; mso-bidi-language: AR-SA;" lang="PT">. E repete-se mais uma vez o sonho tão falso e tão brasileiro de que todos que estão na avenida podem tornar-se celebridades.</span></p>
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